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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Ao lado do "Anjo da Morte"

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Passaram-se 70 anos… da libertação de Auschwitz e hoje o Expresso conta-nos a experiencia de Ella Lingens, uma estudante de medicina colocada nesse campo de concentração por ter ajudado judeus a escapar ao horror da guerra.

Vale a pena ler, mas se tiverem preguiça, eu transcrevo aqui algumas partes:

Como prisioneira em Auschwitz, teve de trabalhar sob as ordens do "Anjo da Morte", Josef Mengele, um médico tão brilhante como diabólico, que distribuía chocolates pelas crianças judias e ciganas, antes de as submeter a experiências e torturas atrozes ou de as conduzir pessoalmente para as câmaras de gás, no seu descapotável verde.
(...)

Ainda hoje é assombrada pelo fantasma da fome, ou pelo da jovem que não pôde ajudar, porque recebera 25 chicotadas e fora obrigada a ficar de pé durante três dias e três noites, com água fria até à cintura. Era o castigo para os que se atreviam a fazer amor em Auschwitz e eram surpreendidos
(...)

Numa noite, Ella Lingens e as suas companheiras contaram 60 viagens de um camião carregado de cadáveres, das câmaras de gás até aos crematórios.
(...)

Para experimentar métodos de reanimação em pessoas congeladas, Mengele baixava a temperatura do corpo das vítimas até aos limites da paragem cardíaca, e depois tentava aquecê-las com cobertores ou cobrindo-as com mulheres nuas.

Dava só água do mar a beber aos prisioneiros, até morrerem de sede, para comprovar a resistência do ser humano em caso de naufrágio. Os esqueletos das pessoas com anomalias eram enviados como troféus para a colecção da Reichsuniversitât, em Berlim. Ligava o peito das mulheres que tinham acabado de parir, proibindo-as de amamentar os filhos, para determinar quanto tempo os recém-nascidos podiam viver sem se alimentarem.

...

Para memória futura

Passaram-se 70 anos…

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Comemoram-se hoje setenta anos desde que o Exército Vermelho, depois de uma dura batalha, conseguiu libertar Auschwitz, o temível campo de concentração nazi onde se estima que tenham perdido a vida cerca de 1,3 milhão de pessoas, entre judeus (90%), polacos, ciganos romenos, prisioneiros de guerra soviéticos, Testemunhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalidades.

Nesse dia foram encontrados, com vida, cerca de 7.500 prisioneiros, quase enregelados, esqueletos vivos, atendendo aos maus tratos e à fome. Mas só nos dias seguintes, é que a verdadeira dimensão do genocídio foi conhecida - foram encontrados 348.820 fatos de homem, 836.255 vestidos de mulheres, além de milhares de óculos, cabelos humanos e calçados, muitos deles em tamanhos infantis.

Em Auschwitz, as crianças eram vistas, pelo Dr. Josef Mengele (conhecido como "Anjo da Morte) como cobaias para as suas experiencias médicas. De acordo com o relato de uma das sobreviventes, todos os dias ele contava quais os “ratos” que tinham sobrevivido para saber com quais podia contar para as experiências daquele dia.

Diariamente chegavam, a Auschwitz, 20 a 30 carruagens de novos prisioneiros, muitos deles encaminhados, de imediato, para os “banhos”, nome dado pelos nazis, às câmaras de gás, donde já não saiam com vida.

Há 70 anos atrás, os soldados russos encontraram aquilo a que se pode chamar o inferno na terra – muitos deles, de certeza, apesar de estarem a ver com os seus próprios olhos, duvidaram que fosse possível alguém cometer estas atrocidades. Mas a verdade é que elas aconteceram.

Hoje, 70 anos depois, 300 sobreviventes – a maioria com mais de 90 anos – junta-se de novo naquele que foi o campo onde passaram parte da sua infância. Uma infância roubada por um grupo de homens que se sentiu senhor do mundo.

Poder-se-ia pensar que a humanidade tinha aprendido com o que aconteceu em Auschwitz e que não voltasse a permitir extermínios em massa.

Mas afinal não. É que, na Nigéria, onde o grupo Boko Haram continua a massacrar homens, mulheres e crianças, sem que a comunidade internacional tome medidas.

Eu, e este blog, juntamo-nos, em espírito, aos sobreviventes de Auschwitz e, com eles, celebramos os 70 anos da sua libertação. Mas também esperamos que, em breve, também os nigerianos tenham o mesmo direito. Que um exército – seja ele qual for – os salve destes homens com a mania que são senhores do mundo.