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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Facebook e cancro da mama

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Ando, aqui há uns dias, a ver umas frases palermas no facebook, do género “Sei que ninguém lê os meus posts, por isso aqui vai: Quando estou aborrecida visto um tutu, coloco um chifre gigante na tola e jogo brilhantes ao ar enquanto patino pela cozinha e imagino que sou um unicórnio mágico.” E, se alguém fizer like ou comentar, recebe logo uma mensagem a dizer que isto é um jogo que pretende alertar para o cancro da mama.

Certo. Andar de tutu e pensar que é um unicórnio tem tudo, mas mesmo tudo a ver com o cancro da mama. E a frase acima alerta imenso para o cancro da mama. Eu é que tenho mau feitio e não percebo nada. Ou então é porque o unicórnio é mágico e pode estar relacionado com tudo e mais um par de botas, mamas incluídas.

Mas não pensem que esta frase é a única que é publicada com esse intuito. A pergunta que alguns utilizadores colocaram como status – como se tratam as frieiras? também tem o mesmo intuito: alertar para o cancro da mama. Faz sentido. Mamas podem ter frieiras. Ou então não.

Meus caros, o cancro da mama existe e é unissexo. Há que ter atenção aos primeiros sinais, que podem até não ser sinal de cancro (na maior parte dos casos não é)  e ser visto pelo médico, para que qualquer problema possa ser diagnosticado e tratado atempadamente. Há que falar sobre o assunto claramente e sem subterfúgios. Unicórnios e frieiras estão incluídos nos subterfúgios – e mesmo assim um bocadinho rebuscados, não acham?

Sou a primeira a dizer sim aos alertas sobre o cancro da mama. Aliás, na verdade, sou a primeira a dizer sim aos alertas sobre qualquer tipo de doença mas sou também a primeira a dizer não a estes jogos que não alertam para coisa alguma.

(e que me desculpem aqueles que acham estes jogos muito engraçados e que os perpetuam).

Humor negro

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Aqui eu me confesso. Gosto de humor negro. Aliás, na prática eu gosto de todo o tipo de humor. Porque gosto de rir e porque a vida não pode ser levada demasiado a sério – afinal não saímos dela vivos, não é?

Mas, e aqui volta a velha história da liberdade de expressão, a minha liberdade de gostar de todo o tipo de humor não pode nem deve chocar com a liberdade de outros não gostarem. E tal como eu posso expressar que gosto, os outros devem poder dizer que não gostam sem terem sequer de explicar porquê e muito menos ser ofendidos por isso - da mesma maneira como não devem ofender quem gosta.

Isto a propósito de alguns comentários que li por ai contra a mensagem que Hugo Rosa deixou para a sua ex-namorada no Got Talent Portugal. Vejam lá o vídeo e voltem aqui depois.

Já viram?

Ok, então continuemos.

Eu respeito quem diga que isto não é humor. Bom, talvez o correcto seja dizer que, para as pessoas em causa, isto não seja humor. Para mim foi. Esclareço já, antes que me digam que eu tenho esta opinião porque ninguém da minha família tem ou teve cancro, que a minha tia – que eu amo imenso – tem cancro da mama, já teve metáteses no fígado e que já teve de fazer imensa quimioterapia.

Digo mais, eu escangalhei-me literalmente a rir, quer pela mensagem em si quer pelo ar pesaroso do comediante, enquanto a plateia e o júri chorava a rir e ele que não estava nem ai para o que o rodeava.

E antes que venham também dizer que eu acho que gozar com o cancro é humor porque não o tenho, aconselho vivamente uma visita a este blog e percebem que, quem tem cancro também brinca com ele (sim, não será toda a gente mas há quem o faça e de uma forma perfeita).

Eu sei que, o que vou dizer a seguir, vai chocar imensa gente. Mas lembram-se quando caíram as torres gémeas em Nova York, no dia 11 de Setembro de 2001? Uma semana mais tarde comecei a receber, no meu email, imagens e textos humorísticos sobre este terrível evento. E sim, eu ri-me imenso. Ainda hoje me rio quando ouço a música It's Raining Men de Geri Halliwell porque me lembro de um powerpoint que recebi, na altura, com essa música (e não preciso de explicar as imagens, certo?).

E será que o facto de me rir destes acontecimentos – do cancro, dos atentados de 11/09/2001, da segunda guerra, de naufrágios, etc – faz com que os leve menos a sério? Será que faz com que eu seja insensível? Eu acho que não. Rir deles faz com que os encare de forma mais leve e que tenha mais força interior para os aceitar. Afinal, como comecei por dizer ao princípio, não vale a pena levar a vida demasiado a sério, seja como for, não vamos sair vivos dela. Por isso há que aproveitar ao máximo e rir ajuda imenso a fazê-lo.