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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Os jovens e os empregos

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São muitos os jovens, hoje em dia, que, mesmo tendo emprego, também tem falta de vontade para o manter. Conheço vários casos desses, em que, à mínima contrariedade se vão embora, desaparecem sem dizer coisa alguma e que continuam a viver à conta dos pais. Falta-lhes maturidade para perceberem que a vida também é feita de sacrifícios e que é importante não esperar que as coisas caiam no céu.

No outro dia fomos almoçar a Elvas, a casa da minha sogra

(lá ganhei mais uns quilos, quem me manda ter uma sogra que cozinha maravilhosamente? E que, ainda por cima, gosta de nos mandar comida – da boa, da muito boa – para casa? E o bolo de mel e noz que ela faz? Senhores, de comer e chorar por mais)

Mas continuemos.

Dizia eu que fomos almoçar a Elvas e, como é nosso hábito, paramos na área de serviço de Montemor.

Fomos, nesse dia, atendidos pelo Pedro, um rapaz que deveria ter uns 25/30 anos. Conversa puxa conversa e o rapaz lá me contou que é formado em Economia e que começou a trabalhar aos 16 anos. Enquanto tirava o curso fez part-times, full-times, trabalhou numa gasolineira e numa papelaria. Nunca esteve desempregado porque nunca se achou superior. E tem planos para o futuro. Quer arranjar um emprego melhor – cá ou no estrangeiro – mas não se preocupa se não for na área que estudou. O que lhe interessa é continuar a pagar a casita que comprou e o carro que adquiriu em segunda mão.

Contou-me ainda que os amigos e colegas de curso achavam muito estranho ele aceitar trabalhar em qualquer lado. Mas hoje todos os invejam porque tirou o curso, vive sozinho e tem carro para se movimentar dum lado para o outro – tudo fruto do trabalho e sem depender dos pais para isso. Claro que os pais ajudaram. Mas não suportaram tudo. Ajudaram apenas.

Foi uma conversa bastante animadora. Admirei a maturidade e a força de vontade deste Pedro mas, ao mesmo tempo, fiquei com pena que nem todos os jovens adultos pensem assim.

Do emprego e da falta de vontade

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Este vai ser um texto provavelmente polémico e por isso vai começar pelo fim.

Apesar de tudo o que será dito, percebam que eu sou contra este tipo de emprego, que eu acho que todos – mas mesmo todos – devem ter estabilidade profissional, seja em que área for e que sou absolutamente contra os ordenados mixurucas que se pagam em determinados sítios. Direi ainda que compreendo perfeitamente quem não aceita determinados empregos porque teriam de pagar para trabalhar (ou seja, quando o ordenado que vão receber é inferior às despesas que vão ter para ir trabalhar, sejam elas do passe, da comida, de alguém que fique com os filhos, etc). Saibam ainda que sei que há desemprego real e que nem todos se enquadram no que vou dizer.

Dito isto…

Não consigo compreender o que leva algumas pessoas a desistir dos empregos que aceitam logo no primeiro ou segundo dia, quando ainda estão em formação, sem que tenham outro emprego em vista. Certo, o ordenado não é grande coisa, mas sempre ganham alguma coisa. Ganham um ordenado, ganham experiência e não ficam em casa a olhar para as plantas a crescer.

Queixam-se que não conseguem empregos, mas depois, quando os arranjam, aparecem um ou dois dias e desaparecem. Uns desaparecem sem dizer água vai, outros desaparecem porque não sabiam que ia ser tão difícil (e como é que sabem que é difícil se nem sequer tentaram?). Todos porque não se querem esforçar e esperam chegar ao novo emprego – muitas vezes é o primeiro emprego – e saber de tudo, sobre tudo.

Meus caros, não é assim que funciona. Quando se começa a trabalhar há um período de aprendizagem, em que temos, efectivamente, de absorver muita coisa. Há um período em que nos sentimos perdidos, em que nada do que aprendemos na escola faz sentido e que estamos assustados. É normal, normalíssimo. Foi assim comigo há 25 anos e é assim com toda a gente. Mas temos de respirar fundo e pensar que, se os outros conseguem, porque é que nós não vamos conseguir?

Também é verdade que nem todos estão talhados para a mesma coisa. Por exemplo, se têm pavor de falar com pessoas, não se candidatem a empregos onde vão ter de lidar – ao vivo ou ao telefone – com muita gente. Ou, pelo menos, não os aceitem para depois desistir. É que acabam por tirar lugar a outros, entendem?

Mas há mais coisas que não entendo neste quadro. Por exemplo, aqueles jovens que esperam encontrar o emprego de sonho na rua onde moram. Ou vá, na mesma localidade (se não tiverem de apanhar transportes). Só por milagre é que o conseguem, sabiam? Andar de transportes não é, necessariamente mau – expecto em dias de greve. Antes pelo contrário, permite-nos abrir horizontes, ver sítios e pessoas novas e permite ter mais um bocadinho para ler um bom livro.

E vendo estas atitudes em várias pessoas, confesso que me irrita quando as vejo – as mesmas – a queixarem-se que não conseguem arranjar trabalho.