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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Anatomia dum fim de semana

Não sendo este um blog de viagens, apetece-me divagar sobre o passeio que demos no passado fim de semana, em jeito de encerramento do verão. Como é a minha primeira experiência num relato de viagens, espero que não seja uma grande seca (que para seca já basta o tempo).

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Inicialmente estava previsto que a semana fosse passada no norte, em passeio pelos caminhos de Portugal, para vermos coisas lindas, num mundo sem igual (ler com entoação de música pimba). No fim acabamos por ir apenas três dias para Reguengos de Monsaraz. Tudo igual, portanto…

A nossa primeira ideia era levar as nossas cadelas para passarem estes dias connosco. E a Casa de Campo Quinta São Jorge disponibilizou-se a recebê-las tão bem como nos iria receber a nós. Só que acabamos por decidir deixa-las no Hotel Canino São Macário porque a maioria dos restaurantes na zona não tem esplanada e não aceitam animais no interior.

Portanto, sexta-feira lá fomos levar as patudas ao hotel delas e lá seguimos nós para o nosso passeio. Chegamos à casa de campo por volta das 16h e resolvemos logo ficar na piscina.

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Pudera, com uma vista destas, uma piscina destas e com calorzinho, nem pensar em sair dali.

Sexta à noite

O jantar foi num excelente restaurante com um nome sugestivo. Plano B. E foi mesmo a segunda escolha porque, pelos vistos, em Setembro são muitos os restaurantes que fazem férias. Mas foi uma segunda escolha a valer por uma primeira. Começou aqui uma desgraça gastronómica que durou todo o fim de semana. Uma entrada de azeite com alho e coentros para se molhar o pão que era guloso como convém. Porco preto com um sabor delicioso. Uma barrigada de comida da boa.

À noite demos um passeio até ao Observatório do Lago do Alqueva mas acabamos por não fazer a visita guiada porque a Lua nasceu cedo demais para se conseguir ver as estrelas como deve ser. Combinamos lá voltar no sábado à noite porque a Lua iria nascer quinze minutos mais tarde, o que facilitaria.

Regressamos aos quartos (espaçosos, muito limpos e asseados, com garrafas de água gratuitas no minibar) para dormir uma noite descansada. Apesar do meu quarto estar perto da estrada e da entrada, confesso que não ouvi absolutamente nada durante a noite.

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Sábado

Acordamos cedinho e tivemos uma pequena desilusão. Nuvens a ameaçar chuva e um vento desagradável…  lá se foi a nossa intenção de piscinar de manhã e ir à praia fluvial à tarde…

De qualquer maneira nada como começar o dia com um bom pequeno-almoço, e não saímos defraudados do pequeno-almoço incluído na estadia. Pão alentejano do melhor, uma marmelada de figo de comer e chorar por mais. Tudo à descrição e uma vista fabulosa.

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Aqui gostaria de vos contar uma história que confirma que o mundo é uma aldeia. Quando começamos a servir-nos, uma outra hóspede virou-se para o meu marido e perguntou-lhe: olhe desculpe, mas não é o Miguel, o marido da Magda? Claro que me virei logo para ela e disse que sim, e que a Magda era eu. Espanto dos espantos, era uma amiga minha que já não via há quase 17 anos. Deixamos de conviver por uma situação estranha a que ambas fomos alheias e perdemos completamente o contacto, e acabamos por nos rever ali.

Adiante.

Passamos na praia fluvial e depois, durante a manhã, visitamos algumas antas, cromeleques e menires. O Obélix não apareceu, o que foi uma pena, pelo que deixamos tudo no mesmo sítio.

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A manhã terminou na barragem do Alqueva, com uma paisagem a perder de vista (e água, muita água, apesar da seca).

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Aceleramos o passo, que é como quem diz, que fizemos mais ou menos uma hora de viagem para irmos almoçar ao Restaurante A Maria no Alandroal. A primeira vez que lá fui, foi com os meus sogros e foi a primeira vez que comi cabeça de xara. Infelizmente desta vez não havia, mas, em compensação, havia um cabrito assado no forno que estava divinal e as melhores farófias que alguma vez comi num restaurante (que, obviamente, não se chegam aos calcanhares daquelas que a minha mãe faz).

Na viagem de regresso a Reguengos, demos com um trabalho do Vhils.

(cliquem na seta para verem todas as fotos) 

E encontramos as vacas que dão leite com chocolate… 

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Durante a tarde fomos passear em Monsaraz. Um espectáculo de vista, um espectáculo de aldeia. Muito bonita, muito limpa mas, honestamente, 75 cêntimos por um café ou € 1,40 por um rebuçado de ovo é, quanto a mim, abusar da sorte.

Lanchamos em Barrancos, no meio do pinhal, presunto e pão acabadinho de comprar.

O jantar de sábado acabou por ser no Restaurante Sem Fim. Entrecosto com mel e alecrim e melancia para terminar que já estava muitooooo cheia. Um espaço muito agradável e muita simpatia dos empregados.

Estava previsto irmos ao Observatório do Lago do Alqueva nesta noite mas o vento e o frio acabaram por nos fazer recolher ao hotel mais cedo para mais uma noite de descanso.

Domingo

Mais uma vez acordamos cedinho, até porque era o último dia e queríamos arrumar as coisas e sair de hotel para depois passearmos na zona já que o almoço estava marcado para o Sabores de Monsaraz.

A manhã acordou mais bem-disposta que na véspera, e o pequeno-almoço, mais uma vez, foi um must. Acho que vou ter saudades da marmelada de figo…

Depois de tudo arrumado, checkout feito, fomos beber um café à praia fluvial, passear até Espanha, Aldeia da Luz, e visitamos mais um menir. Tentei mudá-lo de sítio mas parece que o pequeno-almoço não foi suficiente (e o Obélix sem aparecer!).

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Ao almoço… salada de queijo fresco (a única comida saudável e dietética que comi durante todo o fim de semana) e migas gatas com bacalhau e coentros. A vista a perder de vista, um espaço agradabilíssimo e empregados atenciosos.

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Após o almoço o regresso a casa, com um pequeno desvio para que os meus filhos conhecessem Casa Branca e Cano, as aldeias onde nasceram os avós paternos.

Custos

Duas noites com pequeno-almoço incluído na Casa de Campo Quinta São Jorge custaram 202,00 para cinco pessoas, um quarto duplo e outro triplo, o que deu uma média de € 20 euros por pessoa, por noite. As refeições variaram entre os 75 euros (no Plano B) e os 102 euros (n’A Maria). As bebidas incluídas foram apenas água e sumos e nem todos comemos sobremesas.

Contras

Esta zona é muito fraca em telecomunicações. Passamos por diversos sítios em que não havia rede de nenhuma das operadoras (Meo, Vodafone ou Nos). Internet, em muitos sítios, era um mito urbano.

As fotos

Cliquem na setinha para verem algumas das fotos que tiramos.

 (quem é que conseguiria resistir a comida tão boa?)

(detalhes da casa de campo onde estivemos hospedados)


Se tiveram paciência de chegar até aqui... já participaram neste Passatempo?

e esta sou eu em versão fim de semana

 

 

 

Missão emagrecer - Take 6 (um ano depois)

Há mais ou menos um ano decidi que estava na altura de perder algum peso. Bom, algum não. Muito peso já que estava com quase 130 quilos e o meu aspecto era este:

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Apesar de tudo, o peso não me afectava psicologicamente. Claro que não andava muito (ainda estou para descobrir como raio fiz uma rotura muscular no psoas mas pronto), mexia-me o menos possível, comia de tudo e sem cuidados alguns. A boa disposição, essa, manteve-se sempre comigo, se bem que ficava (e fico) muito irritada com alguns constrangimentos por ser maior que o normal (e até cheguei a ir às queridas manhãs da SIC falar sobre isso).

Mas dizia eu que, há coisa de um ano, mais precisamente a 7 de Setembro de 2016, tive a minha primeira consulta de nutrição com a Dra Simone. Uma excelente escolha, tenho de reforçar, porque, pela primeira vez, um plano alimentar foi feito à minha medida. Acho que já vos disse que tenho algumas restrições alimentares por causa da Doença de Chron. Iogurtes, alho francês ou laranjas são alguns dos alimentos que não posso comer. E o que acontecia cada vez que tentava consultas de nutrição, é que cinco minutos depois de ter explicado essas restrições, era-me dito para comer iogurtes... 

Com a Dra Simone isso não aconteceu o que me fez pensar, logo no momento, que finalmente tinha acertado. Um ano depois continuo com essa certeza. A Dra Simone é a médica certa para mim. Estamos em sintonia, as duas, o que facilita imenso.

Além do plano alimentar - o tal feito à minha medida - decidi também que, apesar de não gostar nem sequer da ideia, que ia passar a frequentar o ginásio duas vezes por semana. Não é muito mas para quem não gosta, é melhor que nada. Só comecei praticamente em Janeiro deste ano, quando tive alta da fisioterapia mas comecei e só interrompi nas férias e quando tirei a vesícula.

Passou um ano. Não foi um ano perfeito. Fiz algumas asneiras, quer nas férias grandes quando estive em Sesimbra quer neste último fim de semana que comi que nem um alarve (na zona de reguengos, pleno Alentejo, mal seria se comesse mal).

Mas no geral estou satisfeita comigo. Perdi 6,2 quilos. Perdi 7 centímetros na anca, 3 no peito e 1 cintura (este valor pode estar errado uma vez que tenho estado com prisão de ventre e posso estar mais inchada. Na penúltima medição tinha reduzido 4 centímetros). A massa gorda também baixou 7,4 quilos e o IMC baixou 1.39. Aumentei - são bons aumentos - 1,2 quilos na massa magra e 2,3% na água.

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Tenho de aumentar, novamente, a quantidade de líquidos que bebo por dia. Este é um dos meus maiores problemas. Beber líquidos é uma complicação para mim. Eu bem meto lembretes, tenho um copo e uma garrafa aqui mesmo ao lado mas acabo sempre por me esquecer. Mas tenho esperanças de vir a conseguir. E agora com o retomar da rotina, com o tempo a não convidar tanto a gelados (apesar de comer mais os novos soleros que tem poucas calorias), tenho esperanças de melhorar ainda mais.

Vou também tentar passar a ir três vezes por semana ao ginásio... Continuo a não gostar mas é pelo melhor.

Hoje estou assim:

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Sinto-me bem melhor, fisicamente. Já subo e desço escadas sem me sentir cansada, ando a pé sem medos, tenho roupa que me está larga, comprei roupa nova um número abaixo do normal.

Não vou desistir agora. Nunca serei uma miss Universo nem coisa que se pareça mas tenho uma meta - que o meu peso volte a ter dois dígitos. Nem que seja daqui a uns anos, mas lá chegarei.

Acompanham-me?

e se eu morrer...

Depois de ler Os Livros do Final da Tua Vida fiquei, mais uma vez, a pensar nos últimos dias que, um dia, terei para viver. Só há duas coisas que temos garantido na vida – o nascimento e a morte e nunca sabemos, ao certo, quando chega o fim. Sabemos apenas que ele chegará e que, até lá, devemos viver (e não sobreviver).

Já o disse várias vezes. Não tenha medo da morte. Não sofro por saber que, um dia, será a minha vez. Quem morre de véspera é o peru de Natal e eu quero viver cada segundo da vida intensamente.

Curiosamente, meditava eu sobre este tema, quando leio o texto da M.J. e pergunto-me, e se amanhã fosse o meu último dia? Do que iria sentir saudades? O que faria hoje? Como quereria que fossem as minhas últimas horas?

(que este post sirva também de testamento quando me acontecer alguma das coisas previstas. Nos casos omissos aplicar o bom senso tendo em consideração o exposto)

À família, se um dia eu começar a mostrar sinais de senilidade (mais do que agora, vá) ou se virem que já não consigo cuidar de mim, escolham um lar de terceira idade e internem-me. Visitem-me, leiam para mim (quando eu não o poder fazer) mas não me levem para as vossas casas nem queiram ser vocês a cuidar de mim. Tem de viver a vossa vida e não precisam duma velha rezingona e senil a azucrinar-vos o juízo. Já basta o que aturam de mim agora.

Se eu sofrer de alzheimer, e já não vos conhecer, leiam para mim. Tenho a certeza que me irá ajudar a passar o tempo e a me sentir melhor. Reconhecer-vos-ei nas palavras.

Se eu tiver alguma doença grave, com poucas/nenhumas hipóteses de recuperação e que me condene a uma vida vegetal… (e se possível) não me reanimem, não me deixem presa a uma cama, não me deixem sofrer.

(porque é disso que tenho medo, de sofrer, da dor)

Se eu tiver uma doença incurável e se souberem disso, não tenham medo de me falar no assunto. Não se coíbam de me falar do que sou para vós, na morte inevitável, na doença, ou no que desejo que aconteça quando morrer. É um facto e teremos de o aceitar, todos em conjunto. Não esperem pela minha morte para estar comigo, nessa altura não me servirá de nada. É em vida que vos quero por perto.

Ainda que tenha um tempo curto, deixem-me ter tempo para ler.

Porque também é disso que sentirei falta.

Aos meus amigos, a todos os que contribuíram ao longo da minha vida para me sentir bem comigo, não me despeço de vós. Quero apenas que saibam que saibam o quanto foram importantes para mim e o quanto, mesmo nas ausências, estiveram presentes.

A minha família, toda ela, é o meu pilar. Somos muitos, unidos, especiais no carinho que nos une em todos os momentos, mesmo quando estamos de candeias às avessas e prontos a discutir uns com os outros. Gostava que tantas outras famílias fossem assim, que se amassem até na discórdia. Por sermos diferentes, discordamos. Por nos amarmos, aceitamos que o somos. Mesmo quando não concordamos com as opções tomadas, respeitamo-las e aceitámo-las.

Gostava ainda que os meus filhos não sofressem em demasia com a minha partida porque, enquanto se lembrarem de mim, eu estarei viva nos seus corações e nas suas mentes. Queria que se mantivessem unidos e que se lembrassem sempre de se respeitarem um ao outro. Tentaria mostrar-lhes o quanto os amo e o quanto eles significam para mim.

Quanto ao meu corpo, aquele que não vou precisar, aproveitem tudo o que se puder. Se ajudar uma só pessoa a melhorar a sua qualidade de vida, já valeu a pena.

Não quero flores ou coroas. Não as levo comigo. Usem esse dinheiro para ajudar uma associação animal à vossa escolha. Qualquer uma delas dará melhor uso ao dinheiro do que eu darei às flores ou às coroas.

Sorriam e riam. Lembrem-se sempre da importância que dou ao sorriso e ao bom humor. Do positivismo com que encaro todas as situações (ou que tento pelo menos). Se quiserem deitar alguma lágrima, que seja por se estarem a rir. Também é do riso – do vosso e do meu – que irei sentir falta.

Não me enterrem. Gostaria de ser cremada, e as cinzas deitadas na serra da Arrábida ou em Sesimbra, no mar (não sei se é possível, mas pronto).

Não recordem o dia da minha morte mas sim os dias que vivi. Esses sim foram importantes.

E por fim a minha presença digital. A família tem a password do email e do facebook. Apaguem as contas, não quero memoriais on line (assim como não quero memoriais físicos). Quanto aos blogs, minha querida Gaffe, és a única que sabe a password. Nunca a quis mudar (principalmente porque, se o fizer, nunca mais me vou lembrar da nova…) e por isso deixo-te a tarefa de acederes de novo e de, em conjunto com a minha seita do arroz) colocarem um post em cada blog a informar do que aconteceu e fechem, por favor, os comentários. Despeçam-se por mim de todos os que por aqui passaram.

 

Não, não estou com nenhuma doença terminal nem prevejo morrer nos tempos mais próximos. Estou a morrer como estamos todos porque cada dia que vivemos é um dia que ficamos mais perto do fim, mas, realmente, Os Livros do Final da Tua Vida fizeram-me perceber que é sempre tempo de pensar nestas coisas e de deixar claro o que queremos.

Na vida e na morte.

Avô é pai com açúcar*

Passei parte da minha infância e adolescência com os meus avós maternos. A casa deles era quase na mesma rua da casa dos meus pais, e sempre que eles estavam a trabalhar, eu ia para casa dos meus avós. Ele, o meu avô Manuel, era o meu herói. A paciência que ele tinha para a rezingona da minha avó (eu tinha de sair a alguém, certo?) era notável. O amor que ele punha nas torradas que fazia para as netas e para o neto fazia com que nos empanturrássemos sempre que ele estava em casa (isto quando ele não saia, a meio da tarde, para ir a casa dos meus pais levar-nos torradas acabadinhas de fazer para o nosso lanche). Cozinhava que era uma delícia (era o amor que punha em tudo quanto fazia que tornava tudo ainda melhor).

A minha avó Alcide era a matr(i)aca da família. Sempre a resmungar (ou melhor, só o fazia por duas razões – por tudo e por nada). Nada estava bem, nada prestava e estava sempre mais doente que os outros. Imensos defeitos, numa pessoa que nos amava acima de tudo e para quem, a melhor coisa que podia acontecer, era os netos estarem lá em casa (de preferência enfiados na cama dela a fazer-lhe companhia enquanto resmungava com a televisão). E era por esses defeitos que os netos lhe retribuíam o amor na mesma medida que ela nos dava.

“Lá está o advogado de defesa” era a frase mais ouvida naquela pequena casa, quando a ti Alcide resmungava connosco e o ti Manuel nos defendia. Nós riamos e sabíamos que era quase impossível sermos mais amados que ali, onde tudo era à nossa medida, abraços, carinhos e resmunguice incluídos.

E sou quem sou e como sou precisamente por isso. Porque os meus avós fizeram parte integrante da minha infância e adolescência. Porque quero sempre ser melhor para que eles continuem a ter orgulho em mim, estejam eles onde estiverem.

Só tenho de lhes agradecer também por isso.

(e por me terem dado a melhor história de amor que conheci)

 

*(in Arroz de Palma de Francisco Azevedo)

Optimismo

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Sou optimista por natureza. Para mim o copo nem está meio cheio nem meio vazio - está pronto a ser bebido, sem que interesse a quantidade de líquido. Em todas as situações (mesmo todas) procuro - e encontro - o lado positivo, aquele que, no fundo, me interessa mais - e que levou a que a M.J., quase em desespero, me tivesse dito um dia destes: Credo! mas tu vês sempre o positivo da coisa? irra!

Um bom exemplo disto passou-se a semana passada. Estávamos duas pessoas no escritório. Eu espreguicei-me, com os braços no ar e, curiosamente, a outra pessoa fez o mesmo. Na brincadeira disse - e agora uma onda no escritório. A resposta da outra pessoa foi, a rir - uma onda com duas pessoas é triste. Ao que eu respondi: Não, não é triste! esta onda teve a estonteante participação de 100% das pessoas que estavam presentes. Diz-me lá que outras ondas - nos estádios, concertos e afins - assististe onde a participação tenha sido tão elevada?

Parecendo que não, a forma como encaramos as coisas - encontrando sempre o lado positivo - ajuda-nos a encarar com mais facilidade o dia a dia. Isso e pensarmos que, por pior que estejamos, há quem esteja pior que nós.

Por outro lado... a verdade é que, por mais lugar comum que seja, tristezas não pagam dívidas. por isso... mãos para cima, façamos a onda e sejamos optimistas. Hoje e sempre!

Tradições de Natal

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Sou fã incondicional do Natal. Para mim haveria Natal duas ou três vezes por ano. Não para estar com a família, felizmente pertenço a uma família que só se junta por duas razões - por tudo e por nada - mas por tudo o que o rodeia: as músicas, os doces, a árvore de Natal... Adoro tudo, mas mesmo tudo o que diz respeito ao Natal.

Nós levamos o Natal à séria, e por nós, leia-se toda a família.

Em finais de Outubro começamos a trocar emails entre todos para se combinar as prendas - hoje em dia só a geração mais nova recebe presentes. Pais, tios, avós e tios-avós juntam-se para comprar as prendas que os mais novos querem. Deixamos que escolham o que querem (se já o conseguirem fazer) e depois todos entram na prenda de todos. Acabamos por conseguir oferecer prendas melhores do que se as déssemos individualmente e os miúdos ficam todos contentes por terem o que efectivamente querem. Para os mais velhos, cada um compra um presente unissexo, de um valor fixo que depois é sorteado na noite de Natal.

Normalmente gosto de ir comprar as prendas das crianças. Mas este ano acabei por ter de passar a tarefa à minha irmã mais nova. Em meados de Novembro já as prendas estão compradas, embrulhadas e guardadas.

No dia 24 começamos cedo. Por volta das 10h já estamos em movimento, o Natal não é só jantarmos juntos. É fazermos tudo juntos - as filhoses, os doces, os patés, o bacalhau. Fazendo tudo em conjunto acaba por ser mais fácil e divertimo-nos muito mais. Como eu detesto cozinhar, deixo essa parte a quem sabe, mas claro que as filhoses são as da tia. O doce de grão é da mãe. Conseguem adivinhar o que faço eu? controlo de qualidade, pois claro. Provo tudo para desespero das cozinheiras. Mas sem esse controlo... como é que podiam saber que estava bem feito? obviamente que o meu papel é fundamental.

E stresso toda a gente. Mais não seja porque ando atrás do pessoal a comer, ai, perdão, a provar as coisas. Se reclamam... eu começo armada em burro do Shreck e grito: Sou um burro stressado!!! as risadas que se seguem valem tanto a pena!

À mesa, e enquanto jantamos, há sempre lugar a cantorias de Natal. Sim, eu, que tenho uma excelente voz para escrever à máquina, canto imenso na noite de Natal. Seguem-se as prendas - e não, não esperamos pela meia noite. Arrumamos a cozinha, bolos e doces na mesa e pronto, venham as prendas. Há sempre um pai Natal ou uma mãe Natal a fazer a entrega e a fazer o sorteio. Aos poucos, primeiro os miúdos depois o sorteio e assim nos vamos entretendo.

Apesar de sermos muitos, faltam-nos quatro pessoas. Os meus avós e os pais do meu tio. Acredito que estão por lá em todos os pensamentos, mas falta-nos a presença física. O que me leva a contar-vos uma história para terminar.

A minha avó era fã incondicional de chocolates Mercy. Todos os anos, no Natal, fazia questão que tivéssemos uma embalagem desses chocolates em casa. Lembro-me de, num determinado Natal, o raio dos chocolates estavam esgotados em quase todos os lados e eu tive de ir a vários hipermercados à procura até que acabei por encontrar uma embalagem das pequenas.

Essa memória é recordada todos os anos. Infelizmente a minha velhota já morreu mas os chocolates Mercy estão sempre presentes na noite de Natal. Mesmo que ninguém os coma, a caixa está lá.

E vocês, quais as vossas tradições de Natal?

 

Coisas soltas

Passou cerca dum mês desde que o marido foi operado. A operação correu bem, apanhamos ainda dois sustos pelo meio, que felizmente, não passaram de sustos. Na semana em que foi a operação, estive a trabalhar a meio gás. Entre o trabalho, as idas ao hospital e as coisas da casa, o blog andou assim em banho-maria. Depois fiquei em casa com ele e o blog continuou em banho-maria - entre fazer pensos, sustos, médicos, exames e etc e tal, aproveitei para arrumar algumas coisas que iam ficando e ler, claro.

A seguir fui trabalhar e a minha sogra veio cá para casa ajudar. Já tentaram perder peso quando alguém cozinha que é uma maravilha? Pois... acho que engordei e não foi pouco enquanto a minha sogra cá esteve. Aliás, como dizia a minha filha (e eu subscrevo), o pai melhorou bastante mais rápido porque a comidinha era da avó. 

Claro que, no regresso ao trabalho, tive de recuperar as duas semanas que estive fora. O meu colega tinha tratado de quase tudo mas sempre ficam coisas atrasadas, naturalmente. Resultado... o blog andou em banho-maria.

Agora que o marido está no bom caminho e que as coisas se estão a compor, gripei eu. Alguém por ai quer uma tosse que não pára, que me faz doer as unhas dos pés, os maxilares, o peito e os cabelos? que soa como se fosse uma peça de metal a bater noutra? Ou uns brônquios congestionados de tal forma que parece que estou com falta de ar? eu ofereço, juro que ofereço... E nem quero coisa alguma em troca. Até porque esta gripe já me trouxe uma coisa boa - o nariz não entupiu! É importante frisar que, normalmente, o meu nariz passa o inverno (e o verão. e a primavera. e o Outono...) entupido. Mas desta vez eu tusso, eu espirro, eu volto a tossir, mas respiro. Pelo nariz! Digam lá que não é positivo???

Posto isto, deixemos o banho-maria e passemos a estufado. Todos os dias (assim eu consiga...).

Até já!

Oito anos depois...

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Há exactamente oito anos, a esta hora, publicava, no Luso-poemas, o meu primeiro texto.

Em oito anos aconteceu muita coisa... imensa! Coisas que eu nem sonhava. Editei três livros - Vida na Internet, Episódios Geométricos e Viagens - tenho este blog e o blog dedicado exclusivamente a livros e leitura. Faço parte do Aprender Uma Coisa Nova por Dia e ainda sou uma das editoras responsáveis pela Revista Inominável.

Em oito anos ganhei amizades fantásticas. Umas ainda no Luso-poemas, outras no Escritartes (site onde também participei em tempos) e outras aqui no Bairro. A Seita do Arroz, o Clube das Pistosgas, e a Vanessa. Mas não só. A Miss F, que, apesar de não me conhecer em carne e osso (mais carne que osso, mas enfim) se preocupa em me perguntar se está tudo bem porque, por estar com mais trabalho, tenho publicado menos. A Just e a Cindy que já tive oportunidade de conhecer pessoalmente no Porto (e que bem que me soube conhece-las). A Nice, a BataeBatom, a Gaffe, a Azulmar, a Pavlova e a Joana que ainda não tive oportunidade de conhecer mas que são pessoas de quem gosto imenso. E a Alfacinha, uma idiota como eu, a Cláudia, a Miúda, a Rita, a Maria Sebastião, e a Ana Borges, são mais umas das amigas que encontrei aqui e que adorava um dia poder dar uma beijoca na bochecha. A Neurótika que anda a combinar um café comigo à imenso tempo mas que ainda não conseguimos conjugar agendas. PNLima e Bomboca, duas moças muito simpáticas que andam por aqui também e de quem eu gosto bastante.

É impossível agradecer a todos os que me tem ajudado a manter o blog, com os incentivos e com as palavras simpáticas.

E à nossa equipa do Sapo, pelo apoio, o esclarecimento de dúvidas e as ajudas que dão sempre que necessário. Tem tornado a estadia no Bairro ainda melhor.

Mas também perdi amigos, é verdade. Pseudo amigos que não souberam lidar com o facto de eu ter crescido na escrita e que não souberam lidar com as minhas escolhas. Enfim, tive pena mas a verdade é que os verdadeiros amigos, os que interessam, esses continuam por cá. Os outros que perdi concluo que não eram amigos.

Ainda no Luso e em 2008, fui escolhida para Luso do mês. Aqui no Bairro e em Fevereiro deste ano, foi o Meet the Blogger. Dois momentos onde dei a conhecer mais um bocadinho de mim.

Apesar duns tempos de interregno - uns anos mais exactamente - a verdade é que o balanço destes oito anos é tão positivo que não os trocava por nada. Espero cá continuar mais uns quantos e agradeço, do fundo do coração, a quem me acompanha neste caminho.

Obrigado!!!

 

Sou uma infeliz...

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Desde sempre que me lembro de ser alta. A mais alta da família, a mais alta da sala de aula, a mais alta da escola, uma das mais altas do politécnico. Enfim, estão a ver, certo? Para mulher, com 1.74m sou considerada alta!

Ou era...

E não, não estou a diminuir!

Casei-me com um homem alto. Mais alto que eu, com 1.93m. Até aqui tudo tranquilo. O pior é que, 15 anos após o casamento, 14 anos após o nascimento da filha e 12 anos após o nascimento do filho... sou a mais baixa cá de casa. Se quero dar um beijo à filha, tenho de me esticar. Se quero dar um beijo ao filho... tenho de o mandar sentar. Se me quero zangar com algum dos dois... tenho de os mandar sentar!

Acham normal? O raio dos gaiatos...

Aqui há uns anos, estava a gaiata na primeira ou segunda classe, uma das colegas dela perguntou-me porque é que ela era tão alta. E eu, com o ar mais sério do mundo, expliquei-lhe que, todas as noites, pendurava a minha filha na corda da roupa, pelas orelhas, com uns pesos nos pés para ela esticar. Percebi, pela cara da miúda, que talvez tenha dito isto com ar demasiado sério...

(se calhar agora fazia o processo inverso, não? meter uns pesos na cabeça deles para diminuirem?)

O gaiato, que adora deitar-se cedo, no outro dia esperou por mim para festejar, comigo, o facto de ser o mais alto da escola - incluindo professores, vigilantes e alunos até ao 12º ano! Calça o 46 (bem que pode dormir em pé!).

Ninguém merece! e por isso, está decidido... vou ali matar-me, já volto! (Acham que assim eles diminuem de tamanho e eu posso voltar ao meu segundo lugar em altura cá em casa?)