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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Refeições & Telemóveis

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Aqui há uns dias fomos, em família, jantar fora. Os quatro. Levamos os telemóveis claro mas, enquanto estivemos sentados à mesa, não lhes mexemos. Aproveitamos para conversar (não que tenhamos deficit de conversa cá em casa, ainda para mais estando de férias) e para ver – umas cinquenta vezes e em vários canais – o Mick Fanning a bater no tubarão.

Estava, na mesa ao lado, a jantar, um casal novo. Leia-se, por novo, dos seus 20 e poucos anos, aparentemente casados à pouco tempo. Aparentavam estar enamorados, confesso. Aparentavam… das poucas vezes que falavam um com o outro. Porque, a maior parte da refeição, ele esteve a ver emails e ela a ver fotos no facebook. E quando falavam um com o outro, ela dizia – olha, a foto que meti à bocado já tem 10 likes – e ele respondia – olha, o Manuel das Iscas ainda não me respondeu.

Fiquei boquiaberta.

Que raio de relacionamento é este em que um jantar a dois se torna numa consulta permanente ao que se passa nas redes sociais ou nos emails? Se deixarem de ter internet/wifi, saberão quem está do outro lado da mesa?

Fez-me confusão. A mim, utilizadora da internet desde 1998, quase um dinossauro internáutico, que conheci o meu marido pela internet e que devo ter estado presente no único Cybercasamento alguma vez realizado, faz-me muita confusão que as redes sociais se sobreponham à vida real.

Lembro-me duma piada que acompanhava os jantares que fazíamos, o nosso grupo do ICQ. Se ficássemos sem conversa, o melhor seria ligarmos os computadores e conversar pelo ICQ. Nunca foi necessário. Tínhamos sempre tema de conversa quando nos juntamos para jantar, para ir ao cinema ou para estar simplesmente a conviver numa esplanada. Quando chegávamos a casa, ai sim, íamos para o computador e continuávamos no mesmo ponto onde estávamos. Hoje, com a internet e o Wifi por todo o lado e com os smartphones, é cada vez mais difícil desligarmo-nos da vida na internet e vivermos a vida real.

E esquecemo-nos que é a vida real que realmente interessa!

Cybercasamento

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Acho que nunca contei aqui esta história e, na conversa, calhou falar que já tinha assistido a um cybercasamento. O que não disse foi que fui eu que celebrei esse cybercasamento e que, mais tarde (uma ou duas semanas depois) fui madrinha do noivo no casamento pela igreja.

Ora então aqui vai a história.

Em finais de 1997 ou início de 1998, não me recordo ao certo, fiz um upgrade ao computador que tinha em casa para passar a ter acesso à internet. Como nunca tinha mexido nessa coisa assustadora que era a internet, chamei o meu irmão (aquele de que falei aqui) para ir lá a casa ensinar-me algumas coisas. E ele foi. Acompanhado. Pela namorada. Que tinha conhecido no ICQ.

Enquanto ele instalava lá uns programas, entre eles o ICQ, eu e a moça fomos conversando. Afinal ele já lhe tinha falado na mana que era filha de pais diferentes (sempre foi assim que apresentamos o outro aos nossos amigos – somos irmãos filhos de pais e mães diferentes).

Depois do ICQ instalado e do meu nick criado, foi altura de me apresentar ao grupo de amigos deles. Eram imensos e cada um de nós tinha um nick diferente do nome. Eu era a Lea, o meu mano o Fiermont e a namorada era a Nodi. Do grupo fazia parte a Clave, o Road Maniac, o Carpe Diem, o Marte, o Capanegra, o Aladino, a Rosa, o Carsanfer e mais uns quantos que agora não me lembro os nicks.

Aos poucos fomo-nos tornando quase inseparáveis. Eram horas e horas no computador na conversa. Mas não só. Saiamos juntos, íamos ao cinema, às Docas, à Expo, etc etc. E quando regressávamos a casa… fazíamos o checkpoint no ICQ antes de irmos dormir para sabermos que todos tínhamos chegado bem a casa. Sim, tínhamos problemas, eu confirmo…

Mais tarde conheci o Mick, que haveria de se tornar no meu marido, que rapidamente passou a viver comigo (acho que foi uma ou duas semanas, no máximo, depois de nos conhecermos pessoalmente, mas adiante) e que se tornou parte integrante do grupo.

Aquelas noites eram muito engraçadas, confesso-vos. Juntávamo-nos todos no chat do ICQ – chegávamos a ser 20 ou 30 – e passávamos horas à conversa. Nos aniversários cantávamos os parabéns no dito chat, quando batiam à porta lá de casa eu perguntava, no chat, ao Mick (ou vice-versa) qual de nós ia atender a porta… enfim, noites divertidíssimas que ali passávamos.

A Nodi e o Fiermont já namoravam quando o grupo se formou. Eu e o Mick começamos a namorar e a viver juntos em Dezembro de 1998 e quase na mesma altura a Clave e o Road Maniac começaram também a namorar (e a viver juntos).

Em 1999 a Nodi e o Fiermont decidiram (e muito bem diga-se de passagem, que já lá vão quase 16 anos e eu tenho uma sobrinha linda por causa disso) casar. O casamento ia-se realizar em Agosto, na igreja mas todos achamos que fazia todo o sentido que o casamento tivesse primeiro lugar no sítio onde se tinham conhecido – no ICQ. E assim foi.

Avisamos todos do que se ia passar e marcamos a data. Nessa noite, cada um no seu computador, juntamo-nos todos numa grande sala de chat (confesso que não me lembro quantos éramos nem em que data foi). Como não havia padre ou conservador, decidimos, em conjunto, que seria eu – por ir ser a madrinha do noivo – que o celebraria. Lá tive de procurar quais eram as perguntas da praxe e celebramos o cibercasamento do Fiermont e da Nodi. E a 28 de Agosto de 1999 acabaram por celebrar o casamento religioso.

Desses três casais que se juntaram na altura, só a Clave e o Road não estão juntos. Infelizmente, a 26 de Dezembro de 2001, o Road teve um acidente de mota e deixou-nos a todos e ao filho deles, o PP que, na altura, tinha (se não me falham as contas) 16 meses.

Redes Sociais

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De vez em quando lá vem os arautos da desgraça dizer que “ah e tal as redes sociais acabam com os relacionamentos pessoais” ou que “por causa das redes sociais as pessoas falam cada vez menos e as amizades desaparecem”… isto para juntar em duas frases apenas o que tanta gente diz por ai.

Apresento-me perante vós, defensora acérrima desta modernice chamada rede social. E porque é que sou tão defensora?

São tantas as razões que vou começar pelas mais velhas e que andam lá em casa todos os dias. Os meus filhos. Estranho não é? Ou então não, se pensarmos que conheci o meu marido através das redes sociais (na altura chamava-se ICQ). Estamos juntos há 15 anos. Tanto que se fala hoje nos casamentos pela internet e nós, há 15 anos, fomos quase que os pioneiros. Nós e não só, claro.

Conheci gente fabulosa através desse ICQ, amizades que ainda hoje se mantém, com maior ou menor contacto mas, a verdade, é que continuamos amigos.

Através do Luso-poemas e do meu blog conheci mais umas quantas pessoas de quem me tornei amiga inseparável.

E, no topo do bolo, aquela cereja sumarenta que todos queremos, é, de facto, o facebook e a ajuda que dá em reencontrar aqueles amigos e amigas que julgávamos perdidos de vez. Já me aconteceu isso e, acreditem, é uma sensação indescritível. Em muitos casos, só o sabermos que estão ali e que podemos falar com eles se nos apetecer, já é bom.

Já vos falei no Regresso ao passado... No ISCAL noutras vantagens do facebook. Foi através do facebook e da internet que voltamos a ter contacto depois de alguns quiproquós nos terem separado - na altura em que saímos da faculdade ainda eram poucos os que tinham telemóvel ou email. Através do facebook fomos reatando o contacto e hoje temos um grupo fechado, no facebook, onde vamos conversando e combinando os nossos encontros.

Há ainda aqueles casos em que retomamos a amizade no preciso sítio onde a tínhamos deixado. Há ainda a família - aquela que só encontrávamos em casamentos e funerais ou que vive noutro país - e com quem, agora, por causa do facebook, falamos quase todos os dias.

Se há coisas más? Há, mas também há quando vou ao café, ao cinema, jantar fora…

O facebook, aliás, todas as redes sociais - são, única e exclusivamente, o retrato da nossa sociedade, com todas as coisas boas e coisas más que a vivencia em sociedade tem. Resta, aos utilizadores, saber aproveitar o lado positivo e relegar para último plano as coisas negativas. E só afasta quem se quer afastar e só junta quem se quer juntar. Tal e qual como num café ou numa pastelaria, quem quer estar junto, está, quem não quer não está.

Já lá vão 14 anos...

 

 

 

 

Hoje o meu avô faria anos. A história de amor entre o meu avô e a minha avó é muito bonita (podem conhecer aqui) e estará sempre ligada a este blog porque foi o primeiro texto que escrevi (aqui e aqui), mas hoje queria era contar-vos a minha história com o meu marido que tem dois pontos originais e engraçados.

 

Começou em 8 de Novembro de 1998. Nesse dia eu andava pelo ICQ a falar com os amigos habituais e, ao mesmo tempo, a trabalhar (já não sei ao certo no quê, confesso). Às tantas aparece-me um novo user, o Mick e pergunta se quero conversar. Não quis. Disse-lhe que estava a trabalhar mas que podíamos falar mais tarde. E falamos. E falamos tanto que, no final do mês, a 26, lá nos conhecemos pessoalmente. Uma semana depois namorávamos. E ao fim duma semana o Mick, que se chama Miguel, mudou-se para o Barreiro, para a minha casa. Estávamos a viver juntos.

 

Um ano e tal depois, decidimos que estava na altura de aumentarmos a família E eu engravidei em pouco tempo. Ainda vivíamos juntos mas não estávamos casados o que, para os meus avós e para os meus sogros, era um pouco confuso. Cá em casa tudo bem, não nos fazia grande diferença apesar de sabermos, infelizmente por um caso próximo, que, em caso de morte de um de nós e se não estivéssemos casados, os direitos do sobrevivente seriam bastante menores do que se estivéssemos casados.

 

Até que chegou o dia de hoje, mas há 14 anos. Era o dia de aniversário do meu avô Manuel e fomos todos jantar ao Barreiro Velho. Eu estava grávida da nossa filha mais velha – e só vomitava por duas razões – por tudo e por nada. Acabamos de jantar e já nos estávamos a despedir no meio da rua, com um cheiro terrível no ar, eu quase a vomitar quando o bom do Miguel resolve dizer qualquer coisa do género: "ah, antes de se irem embora, queria pedir-vos que não marcassem nada para o dia 25 de Novembro". E claro que se fez a pergunta da praxe "porquê?" ao que foi dada a resposta "porque nós nos casamos nesse dia!"

 

E eu, que, por acaso, mas só por acaso, era a noiva, fiquei tão surpreendida como os restantes.

 

Faz hoje 14 anos que eu, tal como o resto da família, fui informada que me ia casar no dia 25 de Novembro...