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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

A culpa é das estrelas

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A Culpa é das Estrelas de John Green
Editado em 2012 pelas Edições Asa
ISBN: 9789892320946
 
Sinopse
Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente reescrita.
PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.
 
A minha opinião
Editado em 2012, foi em 2014 que este livro alcançou o sucesso, culpa, em boa parte, do filme. Foi o primeiro livro que li deste autor e confesso que, não sendo o melhor livro de sempre nem sequer o melhor livro do autor (pelo menos para mim), até gostei. Aliás, por causa deste livro acabei por ler quase todos os livros de John Green (falta-me apenas o Wiil & Will que está ali na prateleira dos livros a ler).
Hazel é uma adolescente que, aos 13 anos, descobre que tem cancro na tiróide e nos pulmões e, que, aos 16 está na fase terminal da doença. No entanto, e apesar de andar sempre acompanhada duma botija de oxigénio, Hazel quer apenas ser normal - ir à escola, ter amigos, em suma, uma vida para além do cancro. Os pais apoiam Hazel nesta decisão mas insistem que ela deve participar em reuniões de um grupo de apoio a jovens com cancro - afinal Hazel, queira ou não, tem um cancro e, no entender dos pais, poderá ter necessidade de apoio especializado para aprender a viver com isso. A contra gosto mas para fazer a vontade aos pais, Hazel aceita. E é numa dessas reuniões que Hazel conhece Augustus Waters, um jovem bonito, irreverente, divertido e que perdeu uma perna por causa dum cancro nos ossos. Apesar das diferenças de personalidade, aos poucos a amizade deles vai crescendo, até se tornar em amor. Juntos acabam por descobrir que, afinal, sempre são dois adolescentes normais, apesar das doenças terminais que os afectam. Só que, infelizmente, o cancro não se compadece deste amor.
Não é um livro de leitura fácil, principalmente para alguém que, como eu, vive as personagens. E, neste livro, identifiquei-me muito com a mãe de Hazel - imaginei, vezes sem conta, como seria ter uma filha com uma doença terminal, o que me dificultou a leitura. Calculo que, para quem tenha tido um tumor ou um cancro, seja ainda mais complicado. Mas, ainda assim, e ao contrário do que se possa esperar pelo tema abordado, este livro é tudo menos lamechas. Antes pelo contrário, Hazel e Augustus mostram-nos que, apesar de tudo, é preciso sorrir e relevar muita coisa. Ambos, apesar de doentes terminais, brincam, sorriem, apaixonam-se. A vida, afinal, é para ser vivida até ao último instante e nada, mas mesmo nada, se pode perder - esta é a grande lição do livro e talvez a causa do seu grande sucesso.
 
(este livro foi lido em meados do ano mas só hoje publico a minha opinião a pedido da Bomboca de Morango)

Quando a neve cai

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de John Green, Lauren Myracle, Maureen Johnson
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898626912

Sinopse
Numa cidade isolada por uma das maiores tempestades de neve dos últimos cinquenta anos, três histórias, oito raparigas e rapazes e mais uns quantos caminhos vão cruzar-se num romance brilhante, mágico e divertido, a que não faltarão fragmentos de amor, laços de amizade, uma maratona de filmes do James Bond e beijos muito apaixonados.
Um livro perfeito para quem gosta de histórias de amor e aventura.
 
A minha opinião
Desengane-se quem pensar que este é mais um livro de John Green. Este livro foi escrito a três mãos. São dois autores quase desconhecidos do público português e que, muito provavelmente, assim continuariam se não fosse esta parceria com John Green. Mas não se pense que só tem valor por isso. Vamos ver cada um dos contos por si.
 
O Expresso Jubilee - Maureen Johnson
Jubilee é uma adolescente com uns pais... estranhos, vá. Uns pais que, além de lhe colocarem um nome de... stripper, são coleccionadores invertebrados de peças da Vila Flobie. Para compensar a estranheza dos pais, Jubilee tem um namorado perfeito. Noah. Naquela véspera de Natal, Jubilee estava a preparar-se para jantar em casa de Noah, para celebrarem o Natal e o primeiro aniversário do seu namoro perfeito quando Sam, um advogado da família lhe bate à porta com uma alteração forçada aos planos.
No meio de uma das maiores tempestades de neve dos últimos 50 anos, Jubilee tem de ir de comboio para casa dos avós, na Florida. Só que a tempestade estraga a viagem de comboio e Jubilee acaba por repensar toda a sua vida.
Não conhecia esta autora mas gostei, honestamente do que li. Entre algumas pitadas de humor e de uma forma muito simples, MJ deixa-nos a pensar que, às vezes, é preciso alguém de fora para ver o que está mesmo à nossa frente. É uma autora a descobrir, sem dúvida.
 
Um milagre de Natal fantabulástico - John Green
Tobin (de quem falei aqui), JP e Duke estão a passar uma noite de Natal na casa de Tobin. Uma noite de Natal diferente porque os pais de Tobin estão retidos noutra cidade devido à grande tempestade de neve e os três estão numa maratona de filmes de James Bond.
Quando, mais uma vez, o telefone toca, nenhum dos três poderia imaginar que, por causa dumas chefes de claque e duns pasteis de batata, iriam ter uma noite nada normal. A aventura em que os três embarcam, cada um com as suas motivações, acaba por ter tudo para acabar mal. E, na verdade, corre de tal modo que Tobin, na linguagem sofisticada pela qual é conhecido, diz, várias vezes - Porra, porra, porra, porra, porra! Estúpido, estúpido, estúpido, porra!
JG, mais uma vez, consegue mostrar o melhor lado dos adolescentes e consegue por um sorriso nos lábios. Um verdadeiro conto de Natal ao nível de "sozinho em casa".
 
O santo patrono dos porcos - Lauren Myracle
Addie é uma adolescente para quem todos os problemas passam por ela. Até esta véspera de Natal, tudo rodava à volta de Addie e ela nem se apercebia. Nesta noite, enquanto lamenta ter acabado o namoro com Jed, as amigas de Addie começam a mostrar-lhe o quanto ela é egocêntrica. Ao longo desta longa noite de Natal, são várias as pessoas que mostram a Addie (também porque ela, finalmente, está disposta a ver para lá dos seus problemas) que é necessário mudar a sua atitude. A procura por Gabriel - o mini porco - é, ao mesmo tempo, a demanda de Addie pela sua própria personalidade. 
Mais uma autora desconhecida em Portugal mas que, definitivamente, é uma autora a seguir.
 
O livro
Depois de ter lido a Trilogia O Século, de que vos falei aqui, aqui e aqui, e da Rapariga que roubava livros, estava a precisar duma leitura mais doce, mais leve, com uma pitada de humor. Quando a neve cai consegue juntar estas características num livro fluido que se lê com muita facilidade. São histórias de amor e de encontros fortuitos. De coincidências e de aprendizagem. Juntem-se vários adolescentes, naquela fase da vida em que as emoções estão ao rubro, uma cidade, a véspera de Natal e a tempestade de neve mais forte de sempre e temos um livro que pode, e deve, ser lido por todos.
Apesar de ser o autor mais conhecido em Portugal, John Green não sobressai nestes três contos. Diria até que o último conto - o Santo Patrono dos Porcos - é o melhor dos três. 
O livro termina da melhor forma - com todas as personagens dos três contos no mesmo Starbuck, mostrando como a vida acaba por se entrelaçar sempre.
Recomendo!

Curiosidade

É sempre engraçado quando acabamos um livro e, no dia a seguir, quando já estamos a ler outro, vemos uma referência ao livro que terminamos na véspera.

 

Se eu tivesse de escolher, diria que a Duke era a minha melhor amiga. (…) Que livro eu escolheria? O mais grosso que alguma vez li, intitulado A Rapariga que Roubava Livros, que ela me tinha recomendado.

In Quando a Neve Cai de John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson 

 

Caro Tobin, esse não é, nem de longe nem de perto, o mais grosso livro que alguma vez li. Mas é o livro que terminei ontem. Estou a meio do livro onde tu és uma das personagens (que é mais grosso que A Rapariga que roubava livros) e estou a gostar imenso. De ti e da Duke. Amanhã ou depois falarei sobre vocês, combinado?

Cidades de Papel

 

 

 

Cidades de Papel

Autor: John Green

 

Editado em 2014 pela Editorial Presença

ISBN: 9789722352925

 

Sinopse

Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot.

Cidades de Papel é um romance entusiasmante, sobre a liberdade, o amor e o fim da adolescência.

 

A minha opinião

Cidades de Papel é o quarto livro que leio de John Green, depois de A culpa é das estrelas; À procura de Alaska e O Teorema Katherine e, quanto a mim, vem confirmar a excelência deste autor juvenil.

Cidades de Papel, tal como os outros livros, fala-nos de jovens reais, que vivem situações reais. É este, quanto a mim, o grande trunfo de JG – aliado, claro, à forma humorística que escreve.

Margo e Quentin conhecem-se desde sempre. São vizinhos e amigos que brincam e passeiam até ao dia em que encontram um cadáver no parque. Enquanto Margo fica fascinada pelo cadáver e dá dois passos em frente, Quentin dá dois passos atrás e tenta, ao máximo, sair dali e chamar a polícia. Este encontro e a diferença de atitude entre um e outro vão marcar toda a existência de ambos. Outra diferença abismal entre os dois são os pais. Os pais de Quentin, ambos psicólogos infantis, acompanham o filho e tentam, com sucesso, que Quentin seja um adolescente equilibrado. Já os pais de Margo deixam a filha “ao Deus dará” o que, naturalmente, tem uma influência negativa na adolescente.

Quando chegam ao final do secundário, o tal afastamento que se verificou quando encontraram o cadáver – dois passos à frente de Margo e dois passos atrás de Quentin – é completo. Quentin tem, como melhores amigos, Ben e Radar. Os três formam o grupo de nerds da escola onde andam, enquanto Margo, com Beth e Lacey, são as melhores amigas e as miúdas com que qualquer rapaz adolescente quer namorar. Margo e Quentin quase que nem trocam uma palavra.

Enquanto toda a escola, e os seus melhores amigos também, se preparam para o Baile de Finalistas, Quentin – que não quer, de modo algum ir ao baile – é desafiado por Margo, a meio da noite de 5 de Maio, a fazer uma viagem na cidade onde vivem para que ela, Margo, se possa vingar dos falsos amigos que a enganaram.

Quando Quentin acorda, no dia a seguir, Margo desapareceu, deixando Quentin preocupado com o que lhe terá acontecido. Mas também lhe deixa uma pista num sítio que só ele consegue ver. Atrás dessa pista, e com a ajudar de Ben e Radar, Quentin descobre outras pistas que o podem levar a encontrar Margo. Pelo meio Lacey, preocupada com Margo, acaba por se juntar ao grupo para ajudar a encontrar a amiga.

Enquanto procuram por Margo, os quatro amigos – Quentin, Ben, Radar e Lacey – acabam por se encontrar a eles próprios e por descobrir que, afinal, nem tudo é o que parece. Finalmente, na última parte do livro, partem os quatro numa louca viagem de carro, com os minutos contados ao segundo, para chegarem ao sítio onde pensam que Margo poderá estar, fazendo com que a amizade que os une se torne mais forte.

O final é inesperado. E eu confesso-me surpreendida pela positiva.

Em suma, é um livro que irei reler daqui a uns tempos e é uma leitura que recomendo a todos.