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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

A mão do Diabo

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Autor: José Rodrigues dos Santos

Publicado em 2012 pela Gradiva

ISBN: 978-989-616-494-2

 

Sinopse

A crise atingiu Tomás Noronha. Devido às medidas de austeridade, o historiador é despedido da faculdade e tem de se candidatar ao subsídio de desemprego. À porta do centro de emprego, Tomás é interpelado por um velho amigo do liceu perseguido por desconhecidos.

O fugitivo escondeu um DVD escaldante que compromete os responsáveis pela crise, mas para o encontrar Tomás terá de decifrar um criptograma enigmático.

O Tribunal Penal Internacional instaurou um processo aos autores da crise por crimes contra a humanidade. Para que este processo seja bem-sucedido, e apesar da perseguição implacável montada por um bando de assassinos, é imperativo que Tomás decifre o criptograma e localize o DVD com o mais perigoso segredo do mundo.

Numa aventura vertiginosa que nos transporta ao coração mais tenebroso da alta política e finança, José Rodrigues dos Santos volta a impor-se como o grande mestre do mistério. Além de ser um romance de cortar o fôlego, A Mão do Diabo divulga informação verdadeira e revela-se um precioso guia para entender a crise, conhecer os seus autores e compreender o que nos reserva o futuro.

 

A minha opinião

Tomás Noronha é despedido da faculdade onde lecciona e, como tal, vai-se inscrever no Centro de Emprego para receber o subsídio de desemprego. É Alexandre, um outro desempregado que conhece no Centro de Emprego, que lhe explica como deve proceder. Alexandre, que se espera que tenha um comportamento atípico dos restantes desempregados, mostra-lhe também como se engana o Estado para se continuar a receber o subsídio sem fazer coisa alguma. Começa aqui a nossa viagem pelos meandros da economia nacional e mundial. JRS explica, numa linguagem acessível a todos, como é que chegamos à Segunda Grande Depressão, começando na Primeira Grande Depressão, em 1929. Neste livro encontramos a ligação entre as notícias económicas que vemos neste ou naquele jornal e que, aparentemente, não teriam qualquer ligação.

É o próprio JRS que diz, na nota final, que, por causa deste livro, pode ser apelidado de neoliberalista radical ou esquerdista irresponsável. Na verdade, o que este livro faz é “chamar os bois pelos nomes”. Aliás, é precisamente por isso que elejo a seguinte frase como a principal do livro “...os eleitores têm tendência a votar em políticos que lhes vendam ilusões e prometam facilidades, subsídios, pensões e salários mais altos que a produtividade...” e é por isso que chegámos ao ponto em que chegámos.

No fulcro da “mão do diabo” está um DVD que Filipe, amigo de infância de Tomás Noronha, gravou. JRS esclarece, na mesma nota final, que o conteúdo desse DVD é “ficção”. Assim mesmo, entre aspas.

Como romance, a Mão do Diabo, está, no meu entender, ao excelente nível que JRS já nos habituou. Como manual para entender a actual crise económica, devia ser de leitura obrigatória por todos.