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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Memórias

Há memórias que nos acompanham toda uma vida. E que, com um cheiro, uma frase ou uma música, nos voltam a alegrar (ou a entristecer). No meu caso uma memória da minha infância chegou hoje, em forma de livro e trouxe-me um misto de sentimentos.

Alegria por rever os meus avós – ainda que apenas em memória – na casa deles, das vezes em que lá fiquei em casa a dormir. Este livro foi um dos muitos que li, deitada no sofá cama verde que o meu avô, com todo o carinho, preparava para as netas dormirem. Não que eu precise do livro para me lembrar deles. Eles estão sempre presentes, para onde quer que eu vá e aconteça o que acontecer. Mas lembrei-me especialmente deles a mandar-me dormir e eu a querer ler mais um pouco.

E por causa deste livro, veio o cheiro das torradas que tantas vezes comi enquanto lia e que o meu avô fazia. Como morávamos perto, quantas vezes o meu avô não as fez em casa e depois ia num instantinho leva-las à nossa casa para o nosso lanche.

Lembrei-me também das vezes em que almoçamos em casa dos meus avós e da minha avó insistir sempre para comermos mais um bocadinho. Olhem que tem de comer, vejam lá que o comer está bom. Comam brócolos que vos faz bem. Vá, comam a cenoura ralada que vos faz os olhos bonitos. Quando não comíamos a minha avó barafustava e o meu avô defendia-nos. E o fim era inevitável. “lá vem o advogado de defesa das netas!” e nós riamos. Riamos sempre ambos sabiam que gostávamos dos dois e que até gostávamos de provocar estas pequenas brigas entre eles.

E a seguir a memória trouxe-me todas as noites de Natal em que eles estiveram presentes. E as férias. E as saudades que tenho deles, tantas mas tantas saudades.

E tudo porque recebi este livro hoje, no correio. E com ele esta avalanche de memórias que me enchem o coração.

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