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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Viver em comunidade

Dizem, por ai, que o ser humano é biologicamente social e que temos a capacidade de, continuamente, transformarmos o mundo de modo a nos adaptarmos, a satisfazer as nossas necessidades para vivermos cada vez melhor.

Tenho, muitas vezes – demasiadas vezes - sérias dúvidas, que assim seja.

Sim, é verdade que, nós, os Homens, transformamos o mundo e adaptamo-lo às nossas necessidades. Será isso totalmente positivo? Sinceramente, haverá coisas boas mas também coisas más nessa adaptação. As alterações climatéricas (sim, Sr Trump, elas existem mesmo e para pior, não para melhor) são a prova de que nem tudo o que o Homem faz para viver melhor vai ter essa mesma consequência.

(e não, as coisas não vão melhorar enquanto não percebermos que pequenos gestos fazem diferença)

Também é verdade que somos animais sociais. É precisamente na sociedade em que estamos integrados que aprendemos a nossa linguagem, as regras, etc e tal.

Mas seremos, verdadeiramente, capazes de viver em comunidade? Em deixarmos de olhar para o nosso umbigo e vermos o todo?

É aqui que as minhas dúvidas ganham forma. Porque a maioria das pessoas não sabe que, viver em comunidade é preocupar-nos com o nosso em vez do meu, é colocar as nossas necessidades acima das minhas, é ver o todo em vez do individual. É ceder em algumas coisas para que o grupo saia beneficiado.

É, também, respeitar os outros e perceber que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros.

E seria tão mais fácil viver em comunidade se todos o soubessem fazer…

Medos

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A propósito do post sobre o medo das mulheres em serem más mães, apeteceu-me reflectir um pouco mais sobre os medos.

Eu tenho medo de ser má mãe. Mas também tenho medo de ser má profissional, má esposa, má filha, má leitora, má amiga, má cozinheira (ah, esperem, neste caso sou mesmo como pode ser comprovado pelos meus filhos), etc e tal. Em suma, tenho medo de ser má em tudo o que faço.

Mas se, em sociedade, dizer que tenho medo de ser má profissional, provavelmente vão-me olhar de lado e achar que a minha insegurança é legitima, tornando-me, automaticamente, numa má profissional. E o mesmo se aplica em todas as outras hipóteses, com excepção da maternidade. 

Por alguma razão que não entendo, a sociedade aceita que a mulher tenha medo de ser má mãe mas condena aquela que assuma ter medo do resto.

Tenho para mim que é o meu medo de falhar que, bem aproveitado, faz de mim melhor. Na maternidade e em todas as outras áreas da minha vida.

Diariamente converso com a minha almofada e tento perceber o que não correu bem durante o dia para que, no dia seguinte, possa fazer melhor. Supero o medo e foco-me no que é positivo. É um trabalho diário mas compensador. Mais que pensar nos medos, penso no que posso fazer para os superar.

É este o conselho que posso dar a quem tem medo. Foquem-se no que podem fazer para o superar. Tenho a certeza que vão encontrar a forma de o fazer.

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Vamos alimentar uma biblioteca?

E não se esqueçam de participar nos dois passatempos em curso - passatempo Órfão X e Passatempo solidário Pilar