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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

E então, está tudo bem?

- não, estou aqui, logo não está tudo bem.

 

Fiz a pergunta do titulo a uma colega de trabalho que tem estado ausente por baixa médica e que regressou hoje. E a resposta foi esta, seguida dum sorriso.

Estranhei.

Bem sei que nem toda a gente gosta de trabalhar, nem todos gostam do que fazem e que há mil e uma maneiras de nos sentirmos no trabalho.

Também sei que me posso considerar sortuda porque gosto efectivamente do que faço, gosto de trabalhar e não me consigo imaginar parada dias a fio, a fazer nada e a olhar para ontem (ainda que me desse imenso jeito para por a leitura em dia).

Mas fiquei a pensar. Será que parte do "não gosto de trabalhar" que muitos dizem vem de atitudes negativas como esta em que se encara o trabalho como um frete, como um sacrifício? será que não melhoraria a saúde psicológica da pessoa se o encarasse de forma positiva?

Sim, eu sei, eu sou uma positivista nata, que encara tudo como um copo cheio (mesmo que esteja menos de meio) e que nem toda a gente consegue ser como eu (e outros que não me acho única). Mas se calhar, um bocadinho mais de positivismo em todos ajuda, não? aos próprios e a quem nos rodeia.

Era só isto. Agora vou voltar ao trabalho. Aquele de que gosto. Enquanto vos deixo a pensar sobre o tema.

Meu querido mês de Agosto

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Enquanto há quem queira saltar para Setembro, eu gostava que o mês de Agosto se prolongasse mais um bocadinho. Ou um bocadão, já agora.

Por norma é em Julho que vou de férias e em Agosto já estou a trabalhar. Gosto imenso das férias mas como não odeio o meu trabalho, não me custa assim tanto regressar ao trabalho. Claro que ficava sempre mais uns dias a ler e na praia mas, em Agosto, estar na praia é quase como viver Onde Está o Wally? – versão praia.

Como não tenho vocação para Wally (ainda para mais as riscas fazem-me ainda mais gorda), esta é a altura ideal para não estar na praia e sim a trabalhar.

E porquê, perguntam vocês.

Porque, em Agosto, Lisboa partiu para parte incerta. Os transportes estão bastante mais vazios (apesar de, infelizmente, continuar a haver quem não sabia andar de transportes públicos), há muito menos gente nas ruas e menos clientes para atender. Há menos gente nos cafés e restaurantes, menos pressa em chegar a qualquer lado e, ao fim do dia, chegamos a casa ainda de dia. As noites, na maior parte dos casos, até são agradáveis e, se quisermos sair para um café, até o podemos fazer.

Está calor, é um facto. E os ares condicionados funcionam – infelizmente para mim e para o meu querido nariz – o que nos deixa refrescar quando chegamos a qualquer lado.

Enfim, razões mais que suficientes para gostar deste mês e, acima de tudo, para gostar de estar a trabalhar nesta altura do ano.

Odeio o meu trabalho?

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Chegou cá alguém à procura de testemunhos de quem odeia o seu trabalho. Não sei, sinceramente, a que texto acedeu porque eu sou daquelas pessoas que gosta do que faz e faz o que gosta.

Comecei a minha vida profissional muito cedo. Não tinha – não tenho – feitio para estar parada demasiado tempo e as férias de Verão, por melhor que me soubessem, chegava a um ponto e estava em desespero pela inactividade. Acho que tinha 15 anos quando fui, como voluntária, para uma creche ajudar com os miúdos quando iam para a praia. À tarde ou em dias que não pudesse ir, dava uma mão (ou mesmo as duas) no escritório.

Dai para a frente nunca mais parei nas férias de verão. Contei pregos e parafusos (entre outras coisas) para o inventário duma drogaria, colaborei na contabilidade duma loja de materiais de construção, vendi livros numa livraria (ohhh emprego de sonho, rodeada de livros por todo o lado), vendi material de papelaria. Gostei de todos os trabalhos – até mesmo do inventário – porque em todos aprendi alguma coisa.

Mais tarde tirei um curso de informática e trabalhei uns meses num part time nessa área na mesma entidade em que tinha tirado o curso. Aprendi coisas novas e claro que também gostei.

Pouco tempo depois um curso em revisão de contas deu-me direito a um estágio numa SROC a que se seguiu o meu primeiro emprego a sério. Confesso que gostava imenso do que fazia mas não gostava nem do ambiente nem de estar fechada num gabinete das 9h às 18h, sempre com as mesmas pessoas.

E chegamos a Abril de 1997 e a possibilidade de vir para o meu actual local de trabalho. E, desde essa altura, sinto-me realizada profissionalmente. É verdade que o que faço pouco ou nada tem a ver com a minha formação académica mas tem muito a ver comigo. Apesar de estar num aquário – nome que dou aos gabinetes de vidro onde só falta termos de abrir e fechar a boca a intervalos regulares para sermos autênticos peixinhos – a verdade é que tenho um excelente relacionamento com quem trabalha directamente comigo assim como com a hierarquia. Os dias não são monótonos porque atendemos ao público. E que público. Os clientes mais novos terão, em média, 17/18 anos – são jovens à procura da primeira casa para arrendar ou que vem estudar para a faculdade e precisam duma casa para residir. O cliente mais velho esteve cá a semana passada. Tem 98 anos e uma mente saudável num corpo saudável. Conversar com ele é fantástico, pela experiencia de vida que ele tem. Temos clientes que não sabem ler nem escrever e outros que somam mestrados e doutoramentos. Outros que não sabem onde vão buscar o dinheiro para a próxima refeição e alguns que nem sabem o dinheiro que tem.

Com todos, mas mesmo com todos, aprendo alguma coisa. Seja pela positiva ou pela negativa. A aprendizagem, aqui, é fundamental e o gosto pelo trabalho torna-se ainda mais agradável.

É por estas razões que eu digo que gosto do que faço e faço o que gosto. Aqui, neste blog, o que se pode encontrar é testemunhos de quem gosta mesmo do seu trabalho e não de quem o odeia.