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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Terão os pais noção...

... de que espalhar xenofobia não é educar? Ou de que devem conversar com os filhos, explicando as coisas sem pânicos e com razoabilidade?

Confesso que hesitei sobre este tema. Não gosto de chegar à área de leituras ou dos últimos posts e ver que toda a gente escreveu sobre o mesmo assunto. Fico logo sem vontade de o fazer, mesmo quando tenho uma opinião sobre o tema. Bom, na verdade tenho sempre opinião sobre tudo, nem sempre tenho é vontade de a mostrar ao mundo.

Mas dizia eu que hesitei se haveria ou não de falar sobre os ataques terroristas em Paris. Na noite de sexta, eu e milhares de pessoas vimos o que aconteceu em Paris, quase que em directo, à semelhança do que já tinha acontecido a 11 de Setembro de 2001 quando o mundo ocidental viu, aterrado, dois aviões embaterem nas torres gémeas em Nova Iorque.

Na noite de sexta a minha piolha assistiu connosco ao que se passava e, enquanto ansiávamos por saber noticias dos familiares e amigos que temos a viver em Paris (todos bem, felizmente) íamos conversando calmamente sobre o que se estava a passar. Aliás, é sempre assim que assistimos aos acontecimentos - excelentes, bons, maus ou terríveis - em família, conversando sobre o que se passa, esclarecendo dúvidas e, acima de tudo, sem entrar em pânico e sem generalizar.

Aqui em casa os terroristas são terroristas - pessoas sem raça, sem credo e sem sentimentos. Os muçulmanos são muçulmanos, os cristãos são cristãos, maometanos são maometanos e nenhum deles é terrorista.

Não sei se os meus filhos são melhores que os outros mas sei que, segunda feira, quando regressaram à escola, iam tranquilos. Era um dia como os outros. Só que não foi. Porque muitos dos colegas estavam preocupados. Uns porque achavam que este ataque terrorista tinha marcado o inicio da terceira guerra mundial. Outros porque achavam que a seguir ia explodir qualquer coisa em Portugal e outros que a escola onde estavam podia ser o próximo alvo. E que a culpa, claro, era dos muçulmanos e dos refugiados. Muitos - demasiados - associavam os terroristas aos muçulmanos.

Na turma da minha filha, acabou por ser ela que os tranquilizou, que lhes explicou que não é bem assim, que há terroristas e há muçulmanos, que uma coisa não implica a outra e que até lhes explicou que os refugiados estão precisamente a fugir dos terroristas.

Foi, portanto, uma miúda de 14 anos que tranquilizou outros miúdos da mesma idade porque os pais - que o deveriam ter feito - não o fizeram. Foi uma miúda de 14 anos que ajudou a que o pânico não se instalasse no meio doutros miúdos, que os ajudou a perceber que a xenofobia é errada e que os ajudou a raciocinar.

Apesar do orgulho imenso que sinto na minha filha por isso, eu pergunto, não deveriam ter sido os pais a fazê-lo?

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