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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Vida Profissional vs Vida Pessoal

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Ontem foi um dia complicado para mim. Há Decisões difíceis que não queremos tomar mas que acabamos por ter de o fazer, depois de pormos o nosso próprio egoísmo para trás das costas e pensarmos no que é melhor para os animais que amamos. A qualidade de vida deles deve estar sempre em primeiro lugar. No caso do Pata Branca não ia haver qualidade de vida e, por isso, a decisão familiar foi unânime. Às 20h tivemos com ele para nos despedirmos e depois fiquei com ele até ao fim.

Ao longo do dia pensei várias vezes nesta decisão e acredito que, profissionalmente, não terei dado o melhor de mim. Afinal sou humana e tenho sentimentos que nem sempre se conseguem por de lado. Quando entro à porta do meu local de trabalho não tenho um cofre ou um armário onde guardar o que sinto para depois, à hora da saída, voltar a pegar nos sentimentos e levá-los para casa. E, em sentido contrário, os problemas do trabalho vão, muitas vezes, comigo para casa (tanto que já me aconteceu – mais vezes do que possam imaginar – mandar emails a mim mesma para me recordar de qualquer coisa que ficou por fazer ou qualquer solução para um problema que surgiu durante o dia).

Felizmente trabalho numa instituição que – quanto a mim – valoriza as pessoas e que não nos trata como máquinas, o que facilita imenso esta dinâmica vida pessoal/profissional e, por isso mesmo, fiquei horrorizada com a história que uma amiga me contou e que vou partilhar convosco.

Aqui há uns dias, os filhos e o marido dessa minha amiga estavam doentes e ela precisava de ir para casa com urgência para lhes dar assistência. Só que tinha uma reunião marcada para as 17h que era inadiável. Conseguiu que a mãe dela ficasse com a família em casa enquanto ela despachava a reunião. No início da reunião pediu que a reunião fosse o mais breve possível porque precisava de sair do escritório por volta das 18h30 para ir dar assistência à família. A chefe não lhe disse nada, pois que entendia a situação mas uma das clientes levou a mal e teve o desplante de lhe “atirar em cara” que não percebia como é que alguém que se dizia profissional punha a vida familiar á frente da vida profissional e ainda acrescentou que também tinha filhos menores e que uma até estava doente e ela estava ali!!!

Não consigo descrever com exactidão aquilo que pensei sobre esta senhora, que afirma, com orgulho, que é mais profissional que mãe. Que entende que a família deve estar sempre em segundo lugar – depois do emprego. Que género de pessoa pensa assim ou que se ofende por alguém pensar nos filhos e no marido antes do trabalho? Terá vida? Ou será que a vida dela é o trabalho, só o trabalho e que vê os filhos como uma obrigação?

Não me entendam mal, eu gosto imenso de trabalhar e adoro o meu trabalho. Tenho colegas e chefes com que me dou bem e dos quais não desgosto. Mas primeiro está a minha Família – a de duas e a de quatro patas – e só depois o trabalho. Mas pelos vistos não sou a única, e ainda bem.

A minha amiga pode ter perdido uma cliente. Mas curioso é que a chefe dela não se importa. E ela também não. E eu posso dizer que tenho orgulho na atitude da minha amiga, que teria sido a minha na mesma situação.

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