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Desafio da escrita dos Pássaros #9

Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

por Magda L Pais, em 08.11.19

50 anos/50 perguntas. Já fizeste a tua?

****

Acordei com frio. Tinha-me deitado cedinho, enrolada no cobertor como sempre mas agora estava mais frescote. Abri os olhos e achei estranha tanta claridade. Querem ver que deixei as janelas do quarto abertas? Não me lembro nada disso, eu até as fecho bem para não acordar com a claridade.

Mas que raio, isto não é o meu quarto. Aliás, nem o meu nem nenhum. Estou na rua. Mas porque é que estou a ouvir o mar? e a cheirar o mar?...

Mau…

Espera. Já percebi porque está frio. Estou toda nua. C’um catano. Como é que isto aconteceu? A última coisa que me lembro é de estar no quarto a ler o livro do Robinson Crusoe. Querem lá ver que agora temos livros que nos levam realmente a viajar no tempo e no espaço? Agora que penso nisso, tenho ideia da senhora que me vendeu esta versão me avisar que ia ter uma surpresa. Inesperado. Completamente inesperado. Não fazia ideia que era sequer possível.

Bem. E agora como é que volto à minha realidade? Deve haver forma. Devia ter-me informado primeiro. Será que se me deitar e adormecer de novo, volto a casa? Vamos lá experimentar.

Deitei-me e tentei adormecer. Mas com frio e tanta claridade, não estava fácil.

Ahh aqui está-se bem melhor. Já estou vestida, quentinha e no meu quarto. Agora vou fazer uma lista dos livros que quero comprar para poder ir visitar os universos. A ver é se não me esqueço de não comprar Os Jogos da Fome. Tenho para mim que Panem não é um bom destino…

 

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Pai Natal Secreto

por Magda L Pais, em 05.11.19

Vamos lá a saber. Quem é que adora a época natalícia, os presentes, as decorações de Natal, as músicas de Natal, os doces de Natal? (repeti a palavra Natal muitas vezes de propósito, já que sou quase que a fã nº 1 desta época que se aproxima)

Pois bem, nos últimos anos a minha época de Natal começa sempre com a participação no Pai Natal secreto da Marta que, para 2019, já abriu as inscrições aqui. Portanto... ide lá inscrever-se que, como nos anos anteriores, vai valer a pena. 

E já agora, vamos lá ouvir a minha música favorita de Natal, este ano com um significado especial.

50 anos/50 perguntas. Já fizeste a tua?

 

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Desafio da escrita dos Pássaros - A Vingança

Um amor proibido

por Magda L Pais, em 04.11.19

50 anos/50 perguntas. Já fizeste a tua?

****

Desde o primeiro dia que fez aquele caminho e que a viu, percebeu que ela era diferente. Não sabe ainda explicar bem o que se passou mas ela chamou-lhe a atenção com aquele ar feliz e despreocupado. E ele, que nunca ali tinha passado, decidiu que aquele caminho seria feito todos os dias até que ela reparasse nele.

E assim foi. De manhã, no seu passeio, lá passava por ela. Tentava falar com ela mas ela respondia numa língua estranha. Não faz mal, pensava ele. Haveremos de nos entender.

À tarde, lá passava ele de novo. Falava para ela e ela respondia. Mas nenhum se entendia.

E ela? Bem, ela achava-o um gato! Não o entendia bem – isto de falarem línguas diferentes tinha este problema – sabia que não devia gostar dele mas era um gato! Como não se apaixonar por ele? Aqueles momentos em que ele passava por ali eram a alegria de ambos.

Porque o portão estava sempre fechado…. Ela bem queria sair para ir ter com ele mas não a deixavam. Ele queria entrar para estar com ela mas não o deixavam.

Até que um dia…

O portão ficou aberto por acidente. Ela quis sair à procura dele mas antes de o fazer, ele entrou. Aninharam-se os dois para que não os separassem.

No fim daquele dia maravilho, chegou um carro e o portão finalmente fechou-se.

- Olha agora… a nossa Daisy aninhada com um gato. Não querem lá ver a patuda. Não era suposto um cão e um gato não se darem?

- deixa, se eles se entendem, ficamos com ele também. Não os vais separar, não é? Estão ali com um ar tão feliz que seria um crime.

- Não, claro que não. Temos é de voltar a sair para comprar comida para o Donald, o gato.

 

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Meio século

por Magda L Pais, em 03.11.19

Faltam exactamente 23 dias para comemorar meio século de existência. Já plantei algumas árvores (bem, na realidade as últimas foram plantadas pelo maridão mas como a casa é dos dois, se calhar também conta, não?). Já escrevi 3 livros e tive dois filhos de sangue (e tenho mais uns de coração). Tenho uns pássaros e uma seita de arroz. E resolvi comemorar os meus 50 anos aqui nos blogs de uma forma diferente (na realidade copiei da Fátima mas acredito que ela não se vai chatear com isso).

E que forma é essa?

Bem, é simples. Deixem ai nos comentários (ou doutra forma qualquer), perguntas que gostavam que eu respondesse. Gostava de juntar 50 perguntas cujas respostas serão publicadas - uma por dia - a partir do dia seguinte ao do meu aniversário.

Vamos lá?

 

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Desafio da escrita dos Pássaros #8

Escreve uma carta para a criança que foste

por Magda L Pais, em 01.11.19

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Olá jovem Magda

Estou a escrever-te do ano 2019, quase quase a comemoramos meio século de existência.

Não estranhes esta carta. Por estranho que pareça, uns pássaros loucos que fazem parte do teu futuro (nem perguntes… nem perguntes. Tens uns pássaros e tens uma seita de arroz… Coisas que um dia vais perceber) decidiram que tinha de te escrever e garantiram-me que a entregavam em mão. Vá-se lá perceber esta gente.

Deixa-me dizer-te apenas isto. Vai correr tudo bem. Não te vou dizer para seres assim ou assado, nem sequer te vou alertar para coisa alguma. Pensa sempre que eu, cá do futuro, vou sempre agradecer-te porque tudo o que fizeste - e vais fazer - se conjugou para que sejas quem és hoje. Se eu não me arrependo de nada do que fiz, isso só pode significar que tens de ser igual a ti mesma.

Tenho apenas alguns pedidos.

Não percas de vista o livro “como é bonito o céu azul”. Caramba, estou farta de procurar este livro que gostamos tanto quando eramos crianças. Quis mostrá-lo aos nossos filhos e não consegui, por isso a solução agora é que o guardes bem para, bem, quem sabe, eu depois o encontro.

Estima os livros d’Os Cinco, os Sete, do Colégio das Quatro Torres, as Gémeas…. A nossa filha mais velha vai gostar de os ler mas foi complicado encontrar as novas versões. O mesmo se passou com A Princesinha. Acabei por o comprar, uma versão nova, mas não é a mesma coisa. Pelo menos os de ficção científica estão lá por casa. Bem, O Sol Vai Morrer só tem algumas partes (ou só tinha…) por isso se puderes dar um olhinho a estes livros também vai ser bom. E não te preocupes. Um dia vais ter a casa que sempre quisemos, com imenso espaço para livros. É bom, não é?

Por fim. Abraça muito os velhotes. Sim, os avós, os tios, os pais. Um dia vais querer e eles já cá não estão. É a vida, acontece a todos e tal, já se sabe mas mesmo por isso aproveita muito, por ti, por mim. Por nós. E por eles.

Se fizeres tudo isto, quando chegares a 2019, quase ao meio século de existência, acredita, vais ser tão feliz como és hoje. E isso é o que mais interessa.

 

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Desafio da escrita dos Pássaros #7

A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com

por Magda L Pais, em 25.10.19

Olá Constança, por aqui hoje? Como tem sido as suas leituras? Estou a ver que se rendeu aos e-books… não era a Constança que dizia que não queria e-books? Pois, percebo. Menos peso e mais barato. Uma boa escolha, sem dúvida. Então que precisa daqui do nosso estaminé hoje? Uma mascara capilar para esses cabelos? Entendo, estão estragados de tanta pintura e muito espigados. Se eu acho que é preciso cortar? Não, claro que não. Tenho aqui a solução perfeita, vai ver. Compota de abobora com amêndoa. Sim, sim, eu sei que é estranho mas temos de pensar fora da caixa, sair da zona de conforto. Experimente, não se vai arrepender. Para além de ficar com o cabelo a cheirar lindamente, a compota de abobora com amêndoa deixa o cabelo suave, brilhante e fácil de pentear e com um aspecto invejável. Basta usar duas a três vezes por semana. Como? Então lave o cabelo com o shampoo normal. Depois seque ligeiramente, deixando-o húmido. Depois, aplique a compota de abobora com amêndoa, começando pelas pontas, e massaje através do comprimento. Deixe a fórmula rica actuar durante 2 minutos e enxagúe abundantemente. Seque e penteie como habitualmente. Agora não se esqueça é que a compota de abobora com amêndoa só pode estar aberta uma semana senão estraga-se. Por isso o melhor é, após cada utilização, comer o resto com tostinhas ou com uma torradinha. Dois em um, é uma poupança daquelas. Vai levar 3 embalagens? Perfeito, faço a conta já aqui ao lado. E o saquinho para levar? De papel ou de plástico? Então aqui está, tudo pronto. Boas leituras.

 

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A ideia é mesmo que as pessoas se divirtam

por Magda L Pais, em 24.10.19

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A convite do sapo-mor do riacho onde chapinhamos, fui ao estaminé do Sapo na semana passada. Ainda mal tinha entrado e já estava a tentar fugir. Não por causa do Pedro, que é sempre simpático e atencioso mas porque o David Carreira andava por lá e seguia-me... como não sou especialmente fã, não lhe quis dar um autografo e acabei a esconder-me numa sala. Claro que, assim que me sentei (ou quase, vá) a coisa começou a gravar, eu não dei por isso e pronto. Foi uma desgraçada que podem ouvir aqui.

A conversa fluiu muito naturalmente quer porque o Pedro é um grande comunicador que nos deixa completamente à vontade quer porque eu sou uma faladora desgraçada e com uma dificuldade enorme em estar calada. Falamos sobre como é ter um blog há 11 anos, como nasceu a minha paixão pela leitura, os livros (nomeadamente sobre Crime, disse o livro que é, certamente, dos livros com a premissa mais engraçada que já li), e, claro, sobre o Desafio dos Pássaros.

Vá, ide lá ouvir (se ainda não foram) e depois contem-me o que acharam.

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Desafio da escrita dos Pássaros #6

Escreve uma história romântica baseada no clássico "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"

por Magda L Pais, em 18.10.19

Ana sabia que aquele era o último dia que podiam estar na cabana. Acordou cedo para poder acabar de arrumar aquilo que queriam levar e, quando acabou sentou-se na mesa na cozinha.

Tinham sido tão felizes ali, naquela cabana ao pé do mar. Quando para lá foram mal tinham dinheiro para comer, quanto mais para a mobilar. Nos primeiros tempos dormiam no chão, embrulhados em cobertores velhos para não terem frio. Os banhos eram tomados “à gato” até porque nem tinham água canalizada. A roupa era lavada no tanque e as idas para o trabalho eram feitas a pé.

Aos poucos foram conseguindo, com muito esforço, fazer pequenas poupanças. Quando juntaram dinheiro suficiente para comprar o primeiro objecto para a casa, decidiram-se pelo mais improvável: um frigorífico. Afinal, já estavam habituados a dormir no chão, os cobertores, apesar de velhos, aqueciam. Só que não tinham onde guardar comida e o frigorífico era perfeito. Até podiam congelar algumas coisas.

E tudo se foi compondo, ao redor daquele frigorífico. A vida foi melhorando, foram comprando outras coisas para a casa. Uma mesa, cadeiras, sofá, a cama. Depois vieram os filhos e Anne sabia a felicidade era o amor, uma cabana e o seu frigorífico como testemunha de tudo.

Agora era tempo de mudarem. A cabana estava numa zona protegida e teria de ser demolida. Ana entendia essa decisão. Só queria ter tido mais tempo para se despedir do frigorífico que tanto a tinha apoiado nos primeiros tempos.

Quando ele voltou a entrar em casa, Ana estava abraçada ao frigorífico. Devagarinho, para não a assustar, chegou-se e abraçou os dois. Era o último dia em que os três estavam juntos.

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Desafio da escrita dos Pássaros #5

Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda

por Magda L Pais, em 11.10.19

Acordei morta. E como é que sei? Bem, dei comigo num cais, com uma fila enoooorrrmeeeee à minha frente. Ao fundo duas barcas, uma mais enfeitada e com muita gente e outra assim meio feeinha, com um anjo na proa. Lembrei-me logo que tinha lido sobre isto. Afinal Gil Vicente tinha razão. Ali estavam a Barca do Inferno e a Barca da Glória. Mas onde andavam o Diabo e o Anjo? Ouvia-se um grande burburinho entre as barcas mas nada de gente a avançar nem para um lado nem para o outro. A curiosidade aguçou e lá fui eu furando a fila até chegar à frente.

- Este bigodes vai contigo. Não o quero lá a conspurcar as minhas vítimas. Ai desculpa, este termo não é correcto, ainda me aparece p’ra ai algum nazi do politicamente correcto! As minhas almas. Não o quero a conspurcar as minhas almas!

- Mas o quê? Achas que, com o que ele fez, tem lugar no céu? Nem penses, coitadas das minhas almas que tiveram de o aturar em vida e ainda tem de levar com ele na morte? Mas é que nem morto o deixo passar.

- Mas nem morto como se já estás morto? Tu ouves os disparates que estás para ai a dizer?

 - … Nem vivo! Nem vivo o deixo passar.

- Aber entscheidest du dich? ist, dass sie seit 74 Jahren in diesem gewesen sind ... (que é como quem diz: mas vocês decidem-se? é que já estão nisto há 74 anos...)

Tive de intervir.

- Olhem, desculpem lá, se entre vós não se entendem, e ainda que não tenha nada a ver com isto, não querem chamar Ammut para cá vir?

- Ammut? Mas porque é haveríamos de ir buscar um fulano doutro panteão para resolver a nossa contenta?

- Sim, sim, não queremos cá estranhos. Ou vai com ele ou vai com ele!

- Certo. Mas já viram bem a fila de almas que está à espera da vossa decisão? É que é suposto isto andar e não estarmos aqui parados. A malta tá morta, tem todo o tempo do morto para estar morto mas já agora que não fiquem sempre no mesmo sítio senão ainda ganham raízes. E não me consta que, aqui no purgatório, precisem de árvores…

- És capaz de ter alguma razão. E então é como é que isso funciona? Achas que é só chamá-la que ela vem?

- Não querem mais nada, não? O rabinho lavado com água das malvas, talvez? Estou a dar-vos a solução, agora como é que chegam a ela, é convosco. Pela minha parte tenho a certeza que o coração do bigodes pesa mais do que uma pena de avestruz pelo que vai ser devorado por Ammut. Agora os detalhes é convosco. Não é suposto serem vocês a gerir aqui o estaminé? Então trabalhem!

 

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Desafio da escrita dos Pássaros #4

A Beatriz disse não. E agora?

por Magda L Pais, em 04.10.19

Alguém me pode explicar quem é que se lembrou destes temas?

A Beatriz é uma moça gira. Ou pelo menos assim lhe dizem. Com algum peso a mais, nada de extraordinário. Okey, talvez devesse ter uns 40 quilos a menos mas também não é nenhum hipopótamo ou elefante. Beatriz, além de gordinha, tem claustrofobia. Em tempos nem de metro conseguia andar. E quando entrava num elevador, suava as estopinhas todas.

Agora já consegue andar de metro. E de elevador aprendeu – com a paciência de alguns amigos – que pode andar em segurança que, para o elevador cair, é preciso que falhem vários sistemas de segurança. Venceu estes dois medos mas, ultimamente, descobriu outro.

Aqui há uns anos fez uma ressonância magnética à coxa direita. Não achou muita piada à máquina mas como ficou com a cabeça de fora, aguentou-se bem. Quer dizer, teve alguns problemas para fazer a ressonância porque não cabia nas máquinas. Aliás, num dos locais, quase que nem cabia dentro do gabinete onde era para mudar de roupa. E o não caber não era bem porque fosse gorda mas porque a largura dos ombros era superior à largura do gabinete (desconfia, a Beatriz, que eram gabinetes próprios para liliputianos…).

Aqui há um mês, a Beatriz foi fazer nova ressonância magnética, desta vez à bacia. Um palmo mais acima e a cabeça tinha de ficar dentro da máquina. Foi ai que Beatriz disse um redondo Não! E agora, perguntou a família e os amigos.

Beatriz, com aquele mau feitio e maturidade que se lhe conhece, esteve a um palmo de responder: e agora mijas na mão e deitas fora .

Só que realmente precisa de fazer a RM. E portanto Beatriz andou a ligar para várias clinicas a perguntar se faziam o exame com anestesia ou sedação. E recebeu vários nãos como resposta. E agora, Beatriz? O marido, simpático como ele só, sugeriu: vou contigo, levo um martelo e pronto. Antes de fazeres o exame, levas uma martelada na cabeça. Isso é que não, disse Beatriz, que é coisa para doer mais que a agulha do soro para me darem a anestesia (é que a Beatriz tem pavor de agulhas).

Finalmente descobriu um sítio onde fazem a RM com sedação. E veio o problema seguinte: será que cabia na máquina? Sim, disseram à Beatriz. E agora?

E agora, vitória, vitória, acabou-se a história.

(a Beatriz está cada vez mais madura, não está?)

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Momento Ups no trabalho

por Magda L Pais, em 01.10.19

Não sou só eu que tenho momentos ups com a hierarquia...

Ontem atendi uma chamada dum cliente. 

- Oh Magda, desculpe lá mas estou aqui com uma dúvida, não sei se sou eu enganado ou a minha irmã que está enganada.

- Então diga lá.

- Mim tem dois M e ou só um?

- ....... tem dois.....

- ah então eu estava enganado. Obrigado. 

E desligou.

 

 

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Ora aqui está um tema diferente... um momento que me tenha marcado. Tantos, mas tantos... principalmente porque,  enfim, pronto, há coisas que só a mim.

Podia contar-vos do Momento muito Ups que me aconteceu na feira do livro em 2016. Ou das vezes que saio de casa sem ver como vai estar o dia e acabo de sandálias num dia de chuva. 

Também podia contar que, no outro dia, fui ao médico buscar uma receita para uma RM com anestesia (tentei fazer sem anestesia mas ia fugindo) e, já na consulta, descobri que me tinha esquecido da receita original em casa.

E das quedas e quedas que já dei?

Mas o que vos contar - se o número limite de palavras deixar - passou-se em meados de 2007 no meu local de trabalho.

Como sabem trabalho num banco e com atendimento ao público (apesar de não ser num balcão). Agora Imaginem a cena. Eu com uma mantinha nas pernas que estava frio e uma bruxa ao lado do computador. Na altura trabalhávamos num espaço ao lado dum balcão e com ligação interior entre o nosso espaço e o balcão. Por esse espaço entrou um senhor com a gerente do balcão que se dirigiu a mim e ao meu colega e nos cumprimentou. 

Cumprimentei o homem e virei-me para o computador. E ele foi fazendo perguntas e eu respondendo entre dentes, de costas para ele e só pensava: mas quem é este que está para aqui a chatear?

A conversa continuou, entre ele, o Rui (que trabalhava comigo) e com a gerente. E eu a ignorar toda a gente, de volta do trabalho.

Quando o homem e a gerente se foram embora, virei-me para o Rui e perguntei: quem é este? Responde o Rui, a rir à gargalhada (quase em lágrimas de tanto rir)

Ninguém importante... era só mesmo o presidente do conselho de administração!

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Dizem que, quando morremos, vemos a nossa vida em flash. Laura, naqueles últimos minutos de vida, viu os seus últimos 25 anos, tentando perceber onde tinha errado.

Tinha sido amor à primeira vista. Assim que o viu, soube que era o amor da sua vida. E, nos primeiros anos, tinham sido felizes.

Seis anos depois, o primeiro estalo. Laura chamou-o a atenção – já nem se lembrava porquê – e ele deu-lhe um estalo. Da surpresa passou ao riso enquanto ele a abraçava e pedia desculpa. Passaram-se meses e Laura já tinha esquecido este estalo quando, depois de lhe pedir que não fizesse disparates, ele lhe deu um pontapé. Mas como ele a beijou logo de seguida, riu-se e perdoou.

Depois de quinze anos de vida em comum, Laura já estava a ficar habituada aos estalos, aos pontapés e aos murros. Mas como podia revoltar-se se ele era um bom rapaz e a abraçava e beijava logo a seguir, pedindo perdão?

E Laura perdoava. Como poderia ser diferente? Ele era o seu amor maior, a maior paixão que alguma vez tinha sentido.

Quando viu que ele tinha uma navalha, achou normal. Depois foi uma arma. E Laura achou normal. Afinal viviam numa zona problemática, ele saia muitas vezes à noite, sem que soubesse exactamente onde e com quem ia.

Quando ele começou a pedir-lhe dinheiro, Laura esforçou-se para lhe dar. Mesmo que isso significasse não comer ou não comprar os sapatos que precisava. Ele estava sempre em primeiro lugar – não é isso que fazemos por quem amamos, pensava Laura.

Quando o dinheiro acabou, as tareias a Laura aumentaram para a forçar a arranjar o dinheiro que ele precisava. Laura desconfiava que seria para drogas ou outras mulheres mas como lhe poderia fazer frente?

Enquanto morria e revia todas os estalos, pontapés ou facadas que tinha levado, Laura só pensava: e eu que te amei tanto, meu filho, porque me fizeste isto?

 

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Problemas, só problemas

por Magda L Pais, em 13.09.19

45 minutos a olhar para uma folha de papel com o titulo “problemas, só problemas” e a única coisa que me vem à cabeça é: porque raio me meti nisto?

É verdade que gosto de sarna para me coçar. Ou, dito doutra forma, de coisas que me obrigam a exercitar a mente. De manter o cérebro (ou pelo menos aquele bocadinho) ocupado.

Problemas, só problemas…

O maior problema, ainda por cima, é que, no outro dia, enquanto conduzia para Lisboa, lembrei-me de meia dúzia de coisas que podia falar neste primeiro dia do desafio. Mas… enfim, a conduzir não dava muito jeito escrever – até porque tenho esta mania idiota de não querer ter ou provocar acidentes de automóveis e, portanto, hoje que me faz falta, não me recordo nem de um.  Talvez não fosse má ideia arranjar uma APP, para um Samsung, que accione pela voz para tomar nota do que me lembro enquanto conduzo.

Nunca vos aconteceu? Estarem num sítio onde, por qualquer razão, não podem (ou não devem) tomar notas e depois, quando se sentam em frente ao computador …

(são interrompidos como eu acabei de ser? E depois perdem o fio à meada?)

Regressando ao tema, problemas têm agora os súbditos de sua majestade. Coitados, aquilo vai por ali uma grande confusão, fazendo-me lembrar a música da Garagem da vizinha do Quim Barreiros. Só que, em vez dum carro, é um país que entra e sai da União Europeia, com deputados que entram e saem dos partidos e membros dum governo que mais parecem desgovernados. E logo agora que despachei a minha gaiata para lá e me preparo para enviar o gaiato no próximo ano.

Problemas, só problemas…

E assim, quase sem dar conta, 287 palavras estão despachadas, num texto com muito pouco nexo e a pensar já na desgraça do próximo tema…

Mas quem me mandou a mim meter-me nisto?

Problemas, só problemas…

 

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Sei o que estava a fazer há 18 anos...

por Magda L Pais, em 11.09.19

Acordei, naquela manhã, a pensar que as férias estavam a acabar e que, regressar ao trabalho, ao fim de mais de seis meses em casa, não ia ser pêra doce. A gaiata - a razão pela qual eu estava em casa há tanto tempo - dormia descansada no berço enquanto eu lia qualquer coisa, à espera que ela acordasse para mamar, com a televisão desligada.

Toca o telefone. Era a Paula e este foi, mais ou menos, o nosso diálogo:

  • estás a ver televisão?
  • Não, estava a ler enquanto a Maggie não acorda
  • Então liga lá, estão aqui a falar que houve um acidente em Nova Iorque e um avião bateu nas torres gémeas mas acho isso estranho, deve ser mentira
  • Quase de certeza, mas espera ai que vou ligar
  • ...
  • Olha, não é mentira, estão a repetir as imagens. Ai espera, não é repetição. Ai, não, não pode ser. Espera... não pode. Não acredito
  • Do que é que estás a falar?
  • Paula... estão as duas torres a arder... uma já estava quando liguei e agora está a outra, o que vi foi um segundo avião a bater na torre. 
  • Mas como é que dois aviões batem nas torres por acidente?
  • Não sei... quando lá estive os aviões passavam bem longe. E as torres vêem-se ao longe, muito longe mesmo. 

E a conversa continuou. 

Nas horas seguintes, e já com a companhia da minha mãe, não conseguimos tirar os olhos do televisor. Vimos as pessoas nas janelas a pedir ajuda que nunca chegou (nem sequer tinham como lá chegar). Vi  a calma desesperante de quem se atirou do último andar (a confusão que me fez o ar sereno de quem optou por morrer desta forma). Vi a vergonha e o alivio nos olhos de quem conseguiu sair a tempo. Vi as noticias sobre os outros aviões desviados para outros atentados.

E vi a queda de ambas as torres, as mesmas onde tinha estado uns anos antes com os meus pais e irmãs. E foi precisamente neste momento que senti medo. Um medo entranhado e visceral, um medo assustador. Não por mim mas por aquela criança que, com pouco mais de 4 meses, estava deitada, inocentemente no berço e que eu tinha trazido a um mundo que tinha, naquela manhã, perdido o rumo.

Morreram quase três mil pessoas durante os ataques. Quem alguma vez esteve nas Torres Gémeas pensará sempre que foram poucas, dados os milhares de pessoas que, diariamente, visitavam e trabalham naqueles edifícios. 

Primeiro dia do século XXI, dizem hoje - 18 anos depois - alguns jornais. A perda da inocência do mundo ocidental, diria eu. Até àquele momento achávamos que os atentados e as mortes de civis eram exclusivos de países em guerra, terceiro mundo. Naquele dia perdemos a inocência. Quiserem que começássemos a viver com medo. E eu, que naquele dia, há 18 anos, tive medo, hoje respondo-lhes que não sei viver com medo.

Aconteça o que acontecer, a minha vida não será vivida com medo.

E vocês? sabem o que estavam a fazer há 18 anos?

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