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13 cêntimos

por Magda L Pais, em 12.12.17

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Estava aqui a pensar comigo, a propósito de uma conversa na seita do arroz, o que é que, em finais de 2017, se consegue comprar com treze cêntimos.

Assim de repente... um saco plástico para transportar as compras num hipermercado qualquer, custa dez cêntimos. Três pastilhas elásticas Gorila custam doze cêntimos. Talvez conseguisse comprar rebuçados avulso ou uma ou duas gomas. Meia dúzia de amendoins ou duas ou três amêndoas. Com sorte talvez uma carcaça mas isso só se for num hipermercado e no norte do país. Resumindo, hoje, finais de 2017, treze cêntimos servem para muito pouco para além de trocos ou doces. Ou um saco (e nem sequer pode ser muito forte ou resistente). 

Sei que isto vai parecer um anúncio duma marca mas eu ainda sou do tempo em que um bilhete de autocarro custava cinco escudos (dois cêntimos e meio). A minha mãe dava-me, todos os dias, dez escudos (cinco cêntimos) para apanhar o autocarro para a escola (e para o regresso) e eu recordo-me do dia em que o bilhete aumentou para sete escudos e cinquenta centavos (quatro cêntimos) - por sorte nesse dia apeteceu-me ir a pé para a escola e, no regresso, felizmente ainda tinha os dez escudos e pode pagar a viagem do autocarro. Passaram pouco mais de quarenta anos dessa minha viagem e os preços subiram vertiginosamente. Um bilhete de autocarro custa hoje um euro e cinquenta cêntimos (ou seja, trezentos escudos e setenta e dois centavos). Um aumento de "apenas" 5914,40% (sim, não me enganei nos números).

Há quarenta anos, o ordenado mínimo nacional era de três mil e quinhentos escudos (dezassete euros e quarenta e seis cêntimos). Em 2017 está em quinhentos e cinquenta e sete euros (cento e onze mil seiscentos e sessenta e oito escudos e cinquenta e cinco centavos) o que representa um aumento de 3090,53%.

Portanto... para além duma conversa inocente me ter levado a fazer contas à vida, percebi que, em quarenta anos, as despesas aumentaram bastante mais que os ordenados, levando a que os portugueses perdessem poder de compra. Nada de novo, acho que já todos percebemos isso mesmo sem contas. Curioso foi me ter lembrado disto quando estava a tentar perceber o que podia hoje comprar com treze cêntimos...

E vocês, assim de repente, se tivessem de fazer este exercício... o que compravam hoje com treze cêntimos?

 

Entretanto...

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18 comentários

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De Olívia a 12.12.2017 às 15:30

Vou fazer a experiência aqui na retrosaria. Então com 0,13€ podias comprar:
- 26 cm de fio/fita (0,50€/mt)
- 2 alfinetes de ama pequenos (0,06€ cada)
- 1 agulha costurar à mão (0,10€)
- 1 botão pequeno de "bebé" (0,10€ cada)
- 10 cm de renda a 1,30€/mt
- 1,30m de nastro fino a 0,10€/mt
- 1 mola de pressão ou colchete pequeno (0,12€ cada)
e pouco mais!!! Como vês tudo coisas pequeninas!!!
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De Magda L Pais a 12.12.2017 às 15:40

Realmente... treze centimos hoje não significam nada
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De Just_Smile a 12.12.2017 às 16:18

Provavelmente aqui ainda dava para o pãozinho... dos pequenos, mas dava...
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De Magda L Pais a 12.12.2017 às 16:21

Por aquilo que percebi, em Coimbra e em Braga é onde o pão é mais barato, uma carcaça pode custar efectivamente os 13 cêntimos. No resto do país ronda os 17/18 e no Algarve os 20 centimos
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De Just_Smile a 12.12.2017 às 16:22

Aqui na terrinha ainda consigo por 0,11€ e ainda daqueles que deixam o pão dentro de um saco à porta de casa :)
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De Magda L Pais a 12.12.2017 às 16:23

eh lá, isso é um verdadeiro luxo
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De Just_Smile a 12.12.2017 às 16:27

Beneficios da aldeia :) Pão fresco, pendurado na porta, todas as manhãs e por 0,11€ :P
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De Magda L Pais a 12.12.2017 às 16:47

Tambem me vou mudar para uma aldeia. Eheheh pode ser que tenha sorte
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De Just_Smile a 12.12.2017 às 16:50

Investiga que vale a pena :)
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De Magda L Pais a 12.12.2017 às 16:51

Já está na minha lista de afazeres
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De Sérgio Ambrósio a 12.12.2017 às 21:21

É triste que 13 cêntimos não cheguem sequer para comprar lenços de papel que me enxuguem as lágrimas por saber que 13 cêntimos não servem para comprar quase nada... Este texto pôs-me nostálgico a pensar no bom velho Escudo!
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De Magda L Pais a 12.12.2017 às 21:23

20 cêntimos.... é quanto custa um pacote de lenços de papel
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De Alexandra a 13.12.2017 às 01:18

Um pãozinho do sr padeiro, cozido em forno de lenha e trazido à porta, um luxo por 12 cêntimos :)
(está giro o teu estaminé)
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De Magda L Pais a 13.12.2017 às 06:26

Pois... aqui nem por isso. Pode ser que na aldeia para onde vou viver tambem tenha essa sorte


(Está, não está? A Gaffe é uma mestra)
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De Alexandra a 14.12.2017 às 00:23

Menti, não são 12 cêntimos, são 11. E é um pão delicioso, branquinho e cheio de gluten como convém ;)
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De Magda L Pais a 14.12.2017 às 15:17

assim não vale!
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De Sandra Dias a 16.12.2017 às 21:48

A tua partilha é importante para as pessoas que ainda não se tenham apercebido bem de que desde que o euro entrou em Portugal ficou tudo muito mais caro. Com o escudo era tudo bem diferente e antes a moeda tinha mais valor, hoje em dia nada vale. Se fores ao supermercado gastas 5 euros e não trazes quase nada, é assim que está a economia nacional. 13 cêntimos hoje em dia não dá para praticamente nada.Beijinhos.
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De Maria Araújo a 18.12.2017 às 14:44

Engraçado, a propósito dos postais de Natal estarem tão caros,.escrevi um post sobre o valor das coisas antes do euro e depois.
Na verdade,Magda, o euro veio fazer com que a nossa vida se complicasse em termos de alimentação,sobretudo. Os "bens" acessórios ficam em último plano.
Mas sabe que o meu primeiro vencimento rondava os 17,50 euros (3 700) escudos e lembro-me de por duas vezes ter comprado sandálias  na melhor e mais cara sapataria da cidade, só com calçado de marca, e que ainda existe, cujo preço paguei cerca de 9, 00 euros.
Hoje, um.par custaria para cima de 300 euros.
Óbvio que a vida não permitiu que continuasse a comprar marcas. 
Mas isto é só para se perceber como não se consegue viver com tão pouco dinheiro e na minha opinião, mesmo que o salário mínimo passe para 600 euros, é difícil manter-se uma família com tão pouco.
Bom post.
Beijinhos

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