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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

As incongruências de mudar de morada

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Já vos contei que mudei de casa. Ainda não vos contei todas as (des)venturas com essa mudança mas hei-de fazê-lo.

O que vos quero contar hoje está, na realidade, relacionado com a mudança de casa mas é mais na parte de mudar de morada nas centenas de instituições, sejam elas maiores, mais pequenas ou assim assim.

Pensava eu que mudar a morada seria coisa simples e que o procedimento seria mais ou menos lógico e feito de forma fidedigna, ou, pelo menos, com garantias. 

Puro engano.

Ora vejam como foi em algumas entidades (que vou identificar descaradamente!).

Unibanco - Acedi à área reservada do unibanco connect. Aquela que me dá todas as informações sobre o cartão de crédito, pensando que haveria uma opção para actualização dos dados pessoais (incluindo a morada) e que permitisse enviar o comprovativo (sendo o Unibanco uma entidade financeira está sujeita às mesmas regras que os bancos e é obrigatório entregar o comprovativo de morada). Nada disso. Tive de telefonar para a linha de apoio e de seguida enviar um email a pedir a alteração, enviando, o comprovativo de morada em anexo. Do mal o menos, uma vez que recebo a maioria da correspondência por email e como enviei o pedido de alteração por email, faz algum sentido.

Deco - Na área reservada não tem qualquer opção para fazer esta alteração. Liguei para o apoio e perguntei como deveria fazer. Pediram-me a nova morada e o numero de associado e pronto, já está. Não fizeram qualquer pergunta adicional, não sabem se a pessoa que está a ligar é mesmo o associado, não confirmam quaisquer dados. Um telefonema simples e já está.

Cetelem - Quase a mesma história do Unibanco mas com exigência duma factura de serviços. Ora se a água, electricidade, gás, etc, está em nome do meu marido porque ele é que lá foi tratar, como é que eu provo que moro lá?... Na maioria das instituições financeiras basta que a factura esteja no nome dum dos membros do casal (ou pelo menos nos casos em que conheço). Vamos ver se aceitam o documento de mudança de morada no cartão de cidadão.

Rádio Popular e Cartão Continente - acesso à área reservada, alteração dos dados pessoais, e pronto, já está.

Victoria Seguros - não tem área reservada. Contactei para a linha de apoio, fizeram duzentos e vinte e nove mil perguntas para confirmar a minha identidade e, por fim, a resposta: tem de enviar por carta ou email, mas não precisa de enviar comprovativo de morada. Então mas se não tem qualquer email meu e não sabem se o email de onde vou enviar é meu, como é que alteram? Não o poderiam fazer pelo telefone já que tinham confirmado a minha identidade com as questões todas que colocaram?

Desconfio que, nos próximos meses, ainda vou andar a mudar moradas. Apesar de receber quase tudo por email, ainda há muita coisa que nos chega em papel. Vou fazendo as alterações conforme as cartas surgirem e, quem sabe, umas serão mais fáceis que outras. Valha-nos que, com a mudança da morada no cartão de cidadão (tive de pedir um novo porque perdi o código pin e sem isso não podia fazer alterações), fica a morada mudada em quase todos os serviços governamentais! senão seriam mais uns dias perdidos.

 

Entretanto...

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Sem manual de instruções

Nunca se falou tanto em educação de crianças. A cada virar de página há alguém que se auto-intitula como o guru da educação, o único que pode ensinar os pais e o único em que todos os seus casos são de sucesso. Há centenas de milhares de livros, de blogs, de revistas sobre o mesmo tema e até um programa de televisão sobre o mesmo tema, esmiuçando o comportamento dos pais, dos filhos, da influência do cão, do canário ou do periquito no futuro dos gaiatos. Estuda-se, analisa-se, conclui-se e, por fim, dão-se fórmulas quase matemáticas para que a educação funcione.

Diz-se o que se pode dizer ou fazer em contraposição com o que não se deve fazer ou proibir. Colocam-se as crianças em redomas de vidro, não as deixando errar para não sofrerem. Não podem chumbar na escola ou ser contrariadas porque isso afecta a autoestima. Não podem estudar muito para não se cansarem.

Nunca os pais tiveram tanta informação como hoje em dia. E serve para... quase nada. Os miúdos continuam a não trazer manual de instruções. Estamos perante um ser humano que terá de ser educado mas não programado. Que terá de aprender a lidar com as frustrações e de perceber que o mundo gira à volta do sol e não da sua pessoa. Que tem de errar para aprender. Que tem de perceber que não pode ter tudo o que quer. Que tem de ganhar autonomia e de não ser apaparicado. Tem de aprender a ouvir um redondo NÃO e aceitá-lo. Tem de, em casa, ter pais e não amigos.

Sou a mãe mais imperfeita que possam imaginar. Não quero ser perfeita, quero só fazer o que acho melhor para os meus filhos. Mesmo que isso seja ir contra aquilo que os ditos gurus acham importante.

Os meus filhos ajudam em casa desde sempre. Obviamente com tarefas adaptadas à idade. Desde que começaram a ir à escola que se vestem sozinhos. Desde que foram para o ciclo que vão sozinhos para a escola. Têm, desde que entraram no ciclo, uma mesada que gerem como entendem, sabendo que é desse dinheiro que têm de pagar as refeições que fazem fora de casa ou as idas ao cinema. Se querem telemóveis XPTO, mudar de computador ou comprar uma máquina fotográfica, têm de juntar dinheiro para o fazer.

Escolho muito bem onde me devo impor. Não exijo que façam tudo como eu quero. Não me preocupo com a roupa que vestem ou com a cor do cabelo mas, em troca, quero boas notas e bom comportamento. Podem andar de sandálias no inverno ou calças com buracos mas não podem responder torto nem usar telemóvel na escola. Têm de respeitar os outros e a língua portuguesa.

Não os julgo mas, em troca, têm de ser honestos. Quando têm problemas, propomos soluções mas não os resolvemos por eles. Gostamos e queremos conhecer os amigos deles mas não intervimos nessas relações.

Dizemos não quando é preciso e sim sempre que possível. Deixamos que saiam sozinhos ou com os amigos, desde que nos avisem onde vão, quando vão e quando regressam. E têm horas de chegar a casa (mais uma vez adaptadas à idade).

Ambos sabem que somos permissivos e exigentes ao mesmo tempo. Aprenderam que cada acção tem uma consequência e que só depende deles se essa consequência é boa ou má. Se não cumprem as regras, a consequência é um castigo que depende do grau e gravidade do incumprimento.

E conversamos. Desde sempre. Explicamos o quê e porquê e, sempre que possível, decidimos em conjunto o que fazer.

Ser pai ou mãe não é fácil. Mas também não é um bicho-de-sete-cabeças. É uma experiência constante, uma aprendizagem diária e um desafio. Mas é tal e qual como diria o Noddy: Um desafio! Gosto disso!

 

(texto publicado inicialmente aqui)

 

Entretanto...

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Um dia a casa vem abaixo *

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Mudei de casa. Cumpri um sonho antigo de ir viver para uma moradia, numa aldeia, sem poluição sonora e onde a poluição ambiental é reduzida.

Confesso que sempre pensei que só o poderia fazer quando me reformasse (se é que algum dia o vou fazer) uma vez que continuo a trabalhar em Lisboa e a questão do trajecto trabalho/casa/trabalho preocupava-me. Só que um dia do ano passado, fartos de algumas situações menos agradáveis, decidimos, os quatro em conjunto, arriscar.

Depois da decisão, foi a fase da procura da casa perfeita para nós. Preferimos uma casa usada, talvez a precisar de obras e, acima de tudo, num sitio que permitisse a mobilidade dos miúdos e a minha. Eles porque queriam continuar na mesma escola e nós queríamos que fossem o mais independentes possível. Ou seja, que não dependessem de nós para saírem com os amigos, irem ao cinema ou irem para as aulas. E a minha porque o meu local de trabalho continua a ser o mesmo. Obviamente tivemos em conta as 5 dicas a considerar antes de comprar casa e, depois de muito procurarmos, encontramos a casa perfeita.

Mudamos no último sábado.

Não fizemos ainda a escritura mas já lá estamos. Na semana antes da mudança foram as pinturas interiores e ai não houve, felizmente, qualquer surpresa.

O pior foi depois. Já nos aconteceu tanta coisa que só visto. Não que estejamos arrependidos da mudança mas, claramente, sentimos que um dia a casa vem abaixo *

Valha-nos que sabemos que, tal como no filme, no fim tudo acabará bem. E o sítio vale pelos revezes. Já cá volto para vos contar tudo.

 

Entretanto...

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* ou The Money Pit. E, para quem ainda não viu o filme com este titulo, sugiro vivamente que vejam.

senhorios vs Inquilinos e vice versa

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Foi notícia, na semana que acabou, o despejo de Manuel Farinha, com 80 anos e que vivia numa casa arrendada em Benfica há quase 60 anos.

Não conheço todos os contornos do caso, como aliás, convém dado que se trata dum processo judicial que estará, suponho, em segredo de justiça. O que sei, porque vi, é que, nas redes sociais e não só, o proprietário do imóvel foi crucificado. Faz parte da actual sociedade, não se sabe o quê ou porquê mas vamos lá crucificar alguém.

Desde 1991 que trabalho no mercado imobiliário, intermediando senhorios e inquilinos e vejo, realmente, muita injustiça como aquela de que acusam o proprietário do imóvel onde o Sr Manuel Farinha vivia. Realmente há senhorios que só vêem dinheiro, que se estão nas tintas para os seus inquilinos, para as casas ou para o que quer que seja sem ser o dinheiro nas suas contas bancárias dentro do prazo legal.

(Num aparte, lembro-me sempre, quando falo nestes proprietários, do caso duma inquilina que, após 30 anos a cumprir os prazos de pagamento escrupulosamente, pagou uma renda dois dias depois do prazo estipulado pela lei. A senhora trazia uma carta do IPO que declarava que tinha estado internada para um tratamento mais agressivo para o cancro e como não tinha amigos ou família em quem confiasse, tinha optado por pagar a renda dois dias mais tarde. Dois dias! Avisamos a senhoria que tínhamos aceite o pagamento sem os 50% de indemnização que o código civil prevê, atendendo a toda a situação e a senhoria exigiu que essa mesma indemnização fosse paga, sem querer saber de mais nada. E há quem o faça sem se preocupar se a renda é de 40 ou 4.000 euros. Se pagam fora do prazo, pagam a indemnização e pronto.)

Mas há quem não seja assim. Há centenas, para não dizer milhares de casos que são totalmente diferentes.

Há senhorios que não aumentam as rendas porque sabem que os arrendatários passam dificuldades. Há senhorios que recebem as rendas "às pinguinhas" conforme os inquilinos conseguem pagar. Há senhorios a receber 40 euros de renda e a pagar 50 ou 60 euros de condomínio todos os meses (e depois ainda tem de pagar impostos e seguros). Há quem faça obras permanentemente nas casas e nos prédios e continue a receber rendas de miséria. Há quem vá viver nas casas de porteira dos prédios porque o rendimento dum prédio inteiro não permite contratar novas porteiras. Há quem viva apenas do rendimento do prédio e que passa por dificuldades porque as rendas são baixas.

Há inquilinos a pagar 100 euros por mês de renda mas que vão de férias para as Caraíbas ou Bali e que tem Ferraris e afins à porta. Há quem pague 50 euros de renda e que exigem pinturas nos imóveis ou que nem o lava loiça queira desentupir.

Há quem tenha gasto as poupanças duma vida num apartamento para auferir algum rendimento e agora não receba nada por mês porque os inquilinos não pagam. Há inquilinos que destroem totalmente os apartamentos e que desaparecem sem rescindir os contratos e sem entregar as chaves, obrigando a processos morosos em tribunal para reaver aquilo que é seu.

E há quem se esqueça que um contrato de arrendamento não é um contrato de crédito à habitação nem de leasing. As rendas que se pagam não estão a pagar a casa mas sim o direito a utiliza-la. E que os senhorios são como as empresas, querem ter rendimento. O senhorio não é nem pode substituir o Estado na ajuda a quem não pode pagar a renda. 

(e agora podem fuzilar-me por ter esta opinião...) 

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Odi e Marty

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 (Odi)

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 (Marty)

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 (Odi)

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 Odi & Marty

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 (Marty)

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 (Odi)

Aqui há um mês, mais dia menos dia, uma boa amiga minha, a Cati, estava a passear na rua, em Oeiras, e deu com o Odi e o Marty. O Marty estava a lutar com outros cães, incitado por quem assistia e o Odi estava a ser obrigado a comer comida que se via claramente que estava envenenada. 

(não consigo, por mais que tente, perceber o que leva o ser humano - supostamente racional - a fazer isto mas a verdade é que há seres humanos capazes de descer muito baixo. E de nos surpreender, pela negativa, descendo ainda mais baixo do que pensávamos ser possível).

A Cati, obviamente, interviu, e levou ambos para casa. Só que não os pode manter. Ambos estão muito bem treinados (a Cati tem imensa experiência com animais) e são um mimo. Entrega-los agora a uma associação é quase um crime uma vez que ela já os treinou para serem adoptados e ficarem com uma família.

Neste momento estão confinados a um pequeno espaço, pelo que se adaptam bem a um apartamento. Podem ser adoptados em conjunto ou em separado e quase que não ladram.

Portanto, podem ajudar-me a ajudar o Odi e o Marty? seja adoptando (isso seria um must) ou partilhando este post até que alguém seja adoptado por eles?

Se forem precisas mais informações, digam que estou cá para isso.

Entretanto...

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