layout - Gaffe
Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
É raro, raríssimo (nem sei se alguma vez aconteceu), haver um dia em que não apareça uma publicação nova no facebook dando conta de mais um cão abandonado ou violentado.
É o cão que foi entregue no canil com 10 anos de idade porque compraram um novo (sim, era um cão de compra, de raça pincher) ou o cão que foi preso por uma corda à vedação. Ou o outro que foi atirado por cima do muro e que acabou morto, ou o que foi atado a um carro em andamento (e que também morreu). Ou a cadela grávida que foi cortada viva para lhe tirar os cachorros. Podia continuar com os exemplos mas acho que já perceberam a ideia.
E podem substituir os cães pelos gatos que o problema é o mesmo.
Isto faz-me tanta confusão que nem imaginam. Não é doar os animais a alguém que tenha mais ou melhores condições (até porque a minha Saphira veio para nossa casa porque a colocaram para doação no OLX) - isto eu até entendo e não critico. Muitas vezes quem o faz não tem mesmo outra solução e não está exactamente a entregar o animal para abate ou a abandona-lo à sua sorte.
É exactamente isto - abandonar o animal - que me faz confusão.
Conhecem os meus patudos não conhecem? A Bunny, a Saphira e o Fluffy? Não, são estes:

E já vos contei que nos vamos ver livres da nossa filha em Janeiro já que ela vai estudar para a De Monfort University em Leicester.
Que é que uma coisa tem a ver com a outra?
Bem... é que nós vamos com ela, depois do Natal, até Leicester - Inglaterra - e por isso os patudos vão ter de ir passar uns dias no canil. Vão ficar num que já conhecemos, onde já ficaram noutras férias e no qual temos absoluta confiança.
Ainda assim...
Numa noite passada tive insónias. E só me lembrava que os patudos vão estar num canil em pleno inverno, com frio e chuva. É óbvio que não vão estar à chuva e ao frio, o canil tem uma boa parte interior mas não vão ficar em casa no quentinho. Não calculam o quanto me está a custar esta situação, apesar de saber que vão ser bem tratados, que nós temos mesmo de ir com a gaiata (nem outra hipótese se coloca) e que são apenas uns dias.
Posto isto... Como é que alguém consegue ter um animal em casa, tratar dele, ser amado por ele, vê-lo crescer e depois deixa-lo abandonado à sua sorte ou violenta-lo até à morte?
Que raio de gente é essa? (ou perguntando de outra forma: serão mesmo gente?)
May we meet again

O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem!
o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.
O tempo tem graça. Tão depressa passa por nós sem darmos conta, assim num instantinho, como demora um tempo desgraçado a passar.
Ainda ontem, ia jurar que tinha sido ontem ou, vá lá, no máximo anteontem, estava na maternidade, prontinha para o parto da minha filha mais velha. Prontinha prontinha não, que uma coisa era querer que a gaiata nascesse e outra era não quer que usassem agulhas para me meterem o soro e/ou a anestesia…
Mas dizia eu (a ver se não me distraio de novo) que a minha Maggie nasceu ontem. Ou anteontem, no máximo dos máximos. Passou um instantinho e… bem, e já está no décimo segundo ano, e estamos a iniciar os trâmites necessários para que ela cumpra o seu desejo: ir estudar em Inglaterra. Nasceu ontem e amanhã está na Universidade. Porque não se iludam. Pode parecer que falta um ano mas vai ser outro instantinho.
Pensando melhor…
Se calhar foi mesmo anteontem que a Maggie nasceu já que o Martim, o meu filho mais novo, nasceu ontem. Sim, é exactamente assim. Primeiro a Maggie, anteontem, depois o Martim, ontem. Mas é que ele já está no décimo ano… como é possível que tenham passado tantos anos em apenas algumas horas? Não sei como, mas a realidade é que passaram.
Diz que a Inominável faz 3 anos. Como 3 anos? Já se passaram 13140 dias desde que recebi um email da Alface a dizer que tinha tido uma ideia idiota? Como pode ter passado tanto tempo e eu nem sequer me apercebi. É verdade que acabei por ter de sair do projecto, com muita pena minha (mas os meus dias ainda não começaram a ter mais horas, que isso sim era de valor) mas três anos?... não pode mesmo ser.
Ainda agora eu só lia. Muito, lia muito, lia e guardava as opiniões para mim. E, de repente, assim, sem dar por isso… já se passaram quase 11 anos desde que alguém me criou o meu primeiro blog (na Blogspot, depois eu é que o mudei para o Sapo) e, vejam só, já fez três anos que nasceu o meu blog destinado exclusivamente ao meu passatempo preferido, a leitura.
O tempo… esse malandro que passa num instante, sem darmos por ele. Mas que, noutras alturas em que queríamos que ele passasse mais depressa, demora mais tempo do que desejamos, já que só queríamos que doesse menos.
Mas por mais que a vida
Não cure as feridas
O tempo irá curar por si
(retirado da música O Tempo de Marco Rodrigues)
Passaram-se três anos desde que o meu pai teve o AVC que viria a mudar a sua vida. Para pior. Cada dia que passa – e estes dias passam tão devagar – noto o meu pai mais debilitado, a precisar de mais ajuda. As idas quase constantes aos médicos, às urgências dos hospitais, à terapia, ajudam mas o tempo, esse que deveria ajudar a curar, não está pelos ajustes e, em vez disso, traz mais e mais problemas.
Os meus avós maternos, os meus segundos pais, aqueles cuja história de amor me abriu o caminho da escrita (e eu que achava que só gostava de ler) já morreram. Ele há quase 16 anos, ela há coisa de dez anos. Confesso, não sei há quanto tempo morreram. É um tempo que não passa. Já não dói tanto como doía inicialmente mas posso dizer-vos que, no dia a seguir, já eles tinham morrido há tempo a mais do que aquele que eu gostaria. E o mesmo com a minha tia, aquela que me viu nascer e com quem estive, no hospital, até ao último momento da vida dela. Ainda não tinha sido o funeral e eu já pensava que a minha tia tinha morrido há demasiado tempo.
O tempo. O tempo que passa, que cura as feridas, que nos faz velhos enquanto vemos os filhos a crescer. E assim, sem dar tempo ao tempo, já passou demasiado tempo desde que comecei a escrever esta crónica, sendo mais que tempo de a acabar para esta edição que comemora aquele que espero seja o terceiro aniversário de muitos que ainda estão para vir.
(texto escrito para a última edição da Revista Inominável)
May we meet again
Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?
Conhecem o meu blog sobre livros?
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.