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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

24 anos

Esta é uma semana cheia de comemorações. As próximas são boas, as de hoje nem por isso.

Há 24 anos atrás, numa curva onde alguém tinha deixado óleo o carro onde eu ia despistou-se. Confesso que, naquela fracção de segundos que dura um acidente, pensei “ainda bem que o carro que vem em frente está longe, temos tempo de ir para a areia, o carro para ai e não batemos em ninguém”.

Não foi assim.

Não foi porque no carro que vinha em frente estava uma jovem com meia dúzia de dias de carta, que se atrapalhou e, em vez de carregar no travão para parar o carro (tinha espaço para isso) carregou no acelerador e os dois carros bateram de frente. Ambos os carros foram para a sucata. O condutor do nosso carro ficou com a marca do volante e do cinto no peito, quem estava ao lado dele tinha dor no peito (nada de extraordinário). Eu fiquei com um dedo partido em cada mão e um hematoma na anca que me impossibilitou de andar durante um mês e a pessoa que estava ao meu lado conseguiu meter as pernas debaixo do banco traseiro. Felizmente fui a única que partiu alguma coisa no acidente, no outro carro ninguém se magoou.

Mas a sorte deste acidente não se ficou por ali. Não tivemos de esperar tempo algum por uma ambulância. É que, atrás do carro no qual batemos estava uma que assistiu ao acidente e, por isso, pode prestar assistência imediata. Fui encaminhada para o Hospital do Barreiro e recordo-me de pensar: “agora é que estou lixada… chego lá com um dedo partido e sou operada à apendicite” (já na altura a fama do Hospital do Barreiro era má).

Não fui.

A equipa que me atendeu era fantástica. Os enfermeiros, o ortopedista, o maqueiro… Todos foram impecáveis e conseguiram deixar-me tranquila. Apesar de estar com dois dedos partidos. Tiveram de me magoar para por o polegar no lugar mas pediram desculpa por isso. E eu e o maqueiro ainda nos riamos, no corredor porque eu reclamei que o tecto do hospital era monótono…

Foi quando sai do hospital que tive a pior notícia da noite. Entrei com dificuldade no carro da minha mãe para ir para casa e assim que ligo o rádio ouvi que Farrokh Bulsara, mais conhecido por Freddie Mercury tinha falecido. Um dos melhores cantores de sempre, dono duma voz de fazer inveja, tinha morrido naquela mesma noite. Fiquei triste por perceber que nunca mais iria haver músicas novas cantadas por ele e que nunca teria oportunidade de o ver ao vivo.

E é esta a triste comemoração de hoje, passam-se 24 anos da partida prematura deste cantor único que encantava quem o ouvia. 24 anos que se calou uma das melhores vozes de sempre e que tanto teria para nos dar se ainda fosse vivo.

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