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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Não foi essa a educação que dei à minha filha

Foto de Salih Güler

Esta frase foi dita por uma mãe surpreendida com a atitude que a filha teve numa sala de aula.
Infelizmente hoje em dia muitos são os pais que desconhecem as atitudes dos filhos (para não dizer que não conhecem mesmo os filhos que tem).
Muitas das atitudes que os filhos têm reflectem a educação, ou a falta dela, que os pais lhes dão em casa. Não serão todas, é certo. Os pais não podem ser culpabilizados por tudo, mas em muita coisa têm culpa.
Gostava de partilhar convosco algumas situações a que já assisti e que me parecem passíveis de deseducar as crianças. Mais uma vez, trata-se da minha opinião pessoal, e posso, obviamente, estar errada.
Uma criança de 5 anos, no hipermercado, andava atrás dos pais: "quero isto, quero aquilo, quero aqueloutro". E a tudo os pais acediam em dar-lhe. Chocolates, brinquedos, gomas, bebidas... A razão – "se não lhe damos, depois ele faz uma birra". E eu pergunto. Que adulto vai ser esta criança a quem lhe foram feitas todas as vontades em criança? Quando crescer esta criança vai estar habituada a ter tudo o que quer. E nós, adultos, já aprendemos que, na vida, nem sempre temos tudo o que queremos, e temos que tomar opções.
No autocarro, um miúdo com cerca de 6 anos, gritou, chamou nomes e bateu à mãe porque ela não o deixou ir em pé. A mãe... riu-se e disse, para quem estava à volta – "não tenho mão nele". Não tem mão numa criança de 6 anos? Então... e quando crescer? Será que esta mãe acha que o miúdo vai aprender sozinho a respeitar os mais velhos?
Uma miúda de 14 anos queixou-se ao pai que a professora não a deixou atender o telemóvel no decorrer da aula. E o pai, em vez de dizer que, enquanto decorre uma aula não deve atender o telemóvel (nem sequer deixar que toque, por respeito aos professores e aos colegas), mandou um recado à professora a avisar que, da próxima vez, lhe batia se a filha não pudesse atender o telefone.
Um amigo meu é professor. A semana passada levou um estalo dum pai, porque o filho tinha chegado a casa triste porque a nota no teste não tinha sido a que estava à espera. Palavras para quê? Que tal recomendar ao filho que se aplique mais em vez de bater ao professor? E ainda por cima à frente do filho.
E todos estes pais acham que estão a dar a melhor educação aos seus filhos. E depois não percebem quando os filhos faltam ao respeito aos mais velhos – porque não foi esta a educação que lhe dei.
Não me considero perfeita, nem sequer uma mãe perfeita. Amo os meus filhos mais do que tudo na vida. Fiz, faço e farei tudo por eles. Se calhar já falhei, estou a falhar ou irei falhar no futuro como mãe e como educadora. Mas não me passa pela cabeça dar tudo o que eles querem. Não quero que lhes falte nada. E incluo, no que não lhes deve faltar, o respeito pelos professores, o respeito pelos outros, a contenção nas compras, assumir as suas responsabilidades e a resolução de conflitos.
Nunca é cedo demais para as crianças aprenderem estes princípios. Ao invés, quanto mais tarde começam a aprender, mais difícil é a aprendizagem. E cabe aos pais, acima de tudo aos pais, ensinar os seus filhos. Não podemos imputar esta responsabilidade aos professores, aos outros. Somos nós, pais, que temos de o fazer. Senão teremos tanta ou mais culpa que os filhos nas atitudes que eles tomam.
Deixo-vos uma última questão. Para quando a preocupação de saberemos e prepararmos os nossos, a viver em sociedade?

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