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Como se livrar duma filha... #5

por Magda L Pais, em 16.10.18

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Foi mais ou menos a meio da segunda reunião que tivemos com a empresa que está a tratar do processo da ida da Maggie para Inglaterra que percebemos que, além da candidatura à Universidade que implicaria um esforço adicional para terminar, cá, o 12º ano, haveria a hipótese de frequentar, já na Inglaterra, o Foundation Year.

E que é isto do Foundation Year. Bem, é o ano zero do ensino superior. Uma espécie de 12º ano tirado já na Universidade escolhida, obrigando, claro, a que todo o curso - incluindo o sandwich placement - seja feito na mesma Universidade.

É uma espécie de segunda oportunidade para os alunos que não conseguem - por qualquer razão - notas suficientes para entrada directa na licenciatura, ou uma forma de saltar um passo e adiantar caminho. E porquê adiantar caminho?

A duração do Foundation Year depende de universidade para universidade. Nalguns casos são 5/6 meses, noutros um ano lectivo. Sendo mais simples que o primeiro ano da licenciatura pode também ser aproveitado para o estudante, que está deslocado num país e numa cidade que desconhece, a viverem sozinhos, para se adaptarem, criarem novas rotinas, procurarem trabalho, etc e tal. Além disso, como os requisitos de entrada para o Foundation Year são mais simples que os requisitos para a licenciatura, a pressão é muito menor.

Na maioria das universidades, o Foundation Year inicia em Setembro/Outubro mas há algumas que inicia em Janeiro. Em ambos os casos, com entrada, em Setembro do próximo ano, na licenciatura. 

No final da reunião a Maggie levou como TPC decidir entre várias hipóteses:

- terminar cá o 12º ano e candidatar-se para entrar na licenciatura em psicologia clínica em Setembro/2019

ou

- anular a inscrição cá, no 12º ano, e candidatar-se a entrar, em Janeiro/2019, no Foundation Year na De Monfort University em Leicester, em Medical and Life Sciences com passagem, em Setembro/2019, para a licenciatura em psicologia.

Analisando a primeira hipótese, a candidatura seria para a especialização que ela queria, numa universidade mais perto de Londres, cidade onde ela preferia estudar. É uma zona com um custo de vida mais elevado mas que é acompanhado pelos salários mais elevados pagos aos estudantes em part time. A desvantagem: entrada directa para a licenciatura, sem período de adaptação, risco de não entrar na licenciatura por causa da média e de ter de optar, à mesma, por um Foundation Year o que atrasaria um ano a entrada na licenciatura.

Quanto à segunda hipótese, teria a vantagem do período de adaptação, o custo de vida em Leiscester é mais baixo (sendo que os salários pagos aos estudantes também são mais baixos) mas a DMU não era a Universidade que ela queria, além do curso ser mais genérico, o que poderá implicar, mais tarde, uma especialização. Por outro lado as exigências para o Foundation Year são menores e com progressão para a licenciatura garantida em Setembro/2019.  

E se fosse convosco? o que decidiriam?

Amanhã conto-vos o que a gaiata decidiu.

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Como se livrar duma filha... #4

por Magda L Pais, em 15.10.18

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Como estava a contar aqui, as candidaturas para a universidade, em Inglaterra, são feitas até 15 de Janeiro para entrada em Setembro, tendo de se enviar alguns documentos. Depois, até final de Março. chegam as cartas de recusa ou - aquelas que se quer - as de aceitação condicional. E aceitação condicional porquê? bem, porque os alunos que se candidataram ainda não terminaram o 12º ano e as universidades escolheram-nos não só pelas notas - que importam - mas também pelo seu curriculum, as suas motivações e pelas recomendações dos professores que os conhecem. Foco no aluno. Mas claro que as notas finais também interessam e os alunos ficam a saber, com a dita carta de aceitação condicional, quais as notas que têm, obrigatoriamente, de ter no final do 12º ano.

Para os alunos estrangeiros, é preciso ainda fazer prova dos conhecimentos em Inglês. No caso da minha gaiata, que já tem o CPE, esta questão está resolvida.

Como já vos disse, a motivação do aluno é fulcral. Casos houve em que as notas exigidas pela universidade eram superiores às notas obtidas mas a carta de motivação, o curriculum e as cartas de recomendação eram tão boas que a universidade aceitou o aluno à mesma. Muito positivo!

Ora estando tudo encaminhado, começou-se a falar para que Curso/Universidade a Maggie quereria ir. Analisando o tal Ranking que vos falei ontem, reduziu-se bastante o leque de opções, tendo ficado reduzidas a 5 ou 6. Mas haveria sempre um senão. Dada a má preparação dos anos anteriores ao 12º ano, a Maggie não teve aproveitamento positivo a matemática no 11º ano. Não que isso fosse impeditivo mas ia implicar um esforço adicional para chegar ao fim do ano com média de 10 na disciplina, o que lhe poderia baixar a média final do 12º ano.

Voltam amanhã para saberem mais?

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Como se livrar duma filha... #3

por Magda L Pais, em 12.10.18

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Como a gaiata estava decidida, na posse de de todas as informações, foi tempo de fazer contas à vida e toca a avançar. Já tínhamos combinado que ela teria mesmo de arranjar um part time enquanto estudava porque não somos exactamente ricos para conseguir suportar um gasto mensal adicional de 700 ou 800 euros. Não quer dizer que não ajudemos a pagar, mas a totalidade é impossível

(Pausa para dizer que admiro os pais cujos filhos ficam colocados em universidades numa cidade diferente e que têm de suportar todos os custos envolvidos e que, na prática, se calhar, são quase que os mesmos que aqueles que vamos ter com a minha filha em Inglaterra).

Passemos então à fase seguinte: escolher o curso e a universidade.

1068 variantes do curso de psicologia em Inglaterra. Foi com este número que iniciou a segunda reunião na empresa que escolhemos para nos acompanhar no processo. 

A maioria dos cursos são de 3 anos (4 na realidade com o sandwich placement) e a formação é logo dada na especialidade. Daí a quantidade de variantes existentes. 

Aqui - como aliás em todo o processo - a Maggie é que teve de decidir qual a variante que queria. E para isso contou com uma ajuda prestimosa. Todos os anos o jornal The Guardian publica o University league tables que permite ao estudante saber vários factores para cada uma das universidades/cursos. Taxa de empregabilidade nos primeiros seis meses depois de terminado o curso, rateio entre alunos/professores, media de entrada, satisfação com o curso, satisfação com os professores. Enfim, 10 itens diferentes, avaliados de forma independente pelo jornal e que são quase que a bíblia para os estudantes universitários.

Ainda na primeira reunião falamos sobre a candidatura. Desconhecia por completo que as candidaturas para a universidade, em Inglaterra, são feitas até 15 de Janeiro para entrada em Setembro. Ou seja, os alunos candidatam-se ainda a meio do 12º ano, sem saberem as notas finais. Mas não são só as notas que importam. Cada aluno tem de entregar o certificado das notas do 10º/11º ano, o certificado em como está matriculado no 12º ano, duas cartas de recomendação emitidas por professores que lhes tenham dado aulas, a carta de motivação em que o aluno explica porque quer tirar aquele curso e não outro qualquer e ainda o curriculum do aluno. 

E porquê? Porque o foco está no aluno e não nas suas notas. As notas são importantes, claro que sim, mas a pessoa, a sua experiência, o que os outros dizem dela, as suas motivações, é isso que mais interessa.

Voltam na segunda-feira para saberem mais?

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Como se livrar duma filha... #2

por Magda L Pais, em 11.10.18

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Foi pouco antes de iniciar o 12º ano na escola, ou seja, em meados de Setembro que a minha filhota que se voltou a falar na ida dela para uma universidade na Inglaterra, pelas razões que já vos tinha falado ontem.

O curso, ou melhor, a área, já se sabia que seria psicologia. Confesso que tanto eu como o pai achamos que ela iria para a psicologia criminal mas afinal ela prefere psicologia clínica, por querer perceber melhor a mente das pessoas com o intuito de se perceber melhor a ela própria. Não pretende salvar o mundo mas, se salvar uma pessoa que seja, já valerá a pena. 

Depois vieram as questões financeiras relacionadas com as propinas (na Inglaterra as propinas rondam os 10/15 mil euros anuais) e com o alojamento. É que, assim de repente, não ganhamos o Euromilhões (o que, claramente, é difícil de acontecer uma vez que não jogamos) e portanto não seria exactamente fácil de suportar estes custos.

Nada melhor - para esclarecer isto e para nos apoiar em todo o processo, que há imensas coisas a tratar que nenhum de nós sabia porque não vivemos em Inglaterra - que contratar uma empresa que nos ajude com tudo isto.

Fomos a uma primeira reunião, em que nos foi explicado o processo de candidatura e como funciona a questão das propinas, do alojamento e do custo de vida.

Ficamos a saber várias coisas bastante interessantes. 

As propinas, por exemplo, são suportadas por um fundo governamental cujo reembolso é feito, pelo estudante, na forma de imposto, quando ingressa no mercado de trabalho, mas apenas quando o seu rendimento anual ultrapassa o equivalente a vinte mil euros. E mesmo assim, a taxa é aplicada ao adicional dos vinte e três mil euros (até €23 000 de salário por ano estão isentos; para quem ganhar entre esse valor e os €25 000, pagará cerca de €16 por mês; e, quando tiver um ordenado superior a €46 000 anuais, pagará €170 por mês).

Falemos agora do sandwich placement. (tenho de vos dizer que adoro este nome!!) E o que é isto do sandwich placement? bem, basicamente, entre o segundo e o terceiro ano do curso, a universidade, onde o aluno está a estudar coloca-o num emprego (na Inglaterra ou no estrangeiro), incorporado com o curso, de modo a que o aluno ganhe experiência profissional na área do curso sem prejudicar o percurso académico.

Então e o alojamento e os custos associados a viver longe dos pais? Bem, a estimativa depende da zona de Inglaterra onde o estudante esteja. Entre os 700 euros mensais para fora de Londres e os 1200 euros em Londres. Como se financia isto? É semi fácil. 

A carga horária média semanal das aulas é de 10 a 15 horas, o que dá cerca de 3 horas por dia de aulas. Os alunos tem, por isso, tempo livre que chegue para arranjarem um part time, normalmente na restauração ou em hotelaria. E a maioria das universidades tem departamentos que ajudam os alunos a encontrar trabalho, às vezes na própria universidade (na biblioteca ou a ajudar estudantes caloiros). Os ordenados auferidos chegam para suportar os custos de estarem deslocados, libertando os pais.

Já falei demais por hoje. Prometo que amanhã estou de regresso para vos contar mais sobre como se livrar duma filha.

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Como se livrar duma filha... #1

por Magda L Pais, em 10.10.18

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Desde que conheço a minha filha, e já lá vão uns longos 17 anos (que, na realidade, parecem meia dúzia de dias) que a ouço falar que gostava de ir para Inglaterra, que era lá que queria estudar e que era lá que queria viver.

Pronto, se calhar não foi logo que nasceu mas talvez desde que começou a ter noção do mundo ao seu redor, do país onde vivemos, das vicissitudes do mundo escolar, da falta de emprego que espera quem termina o curso universitário, dos baixos salários pagos (às vezes por culpa dos bigboss que querem ser eles a receber tudo, mas outras - e estas são a maioria das vezes - por causa dos altos impostos que as empresas são obrigadas a pagar ao estado e que não podem canalizar para os ordenados de quem lá trabalha), dos estágios mal remunerados, dos empregos sem futuro, etcetal.

Ou seja... a minha gaiata sempre quis sair de Portugal e ir para Inglaterra. E nós, pais, que temos a dizer sobre isto?

Bem... é claro que estamos felizes e contentes. Já viram? é menos uma boca a alimentar, menos um passe a pagar, menos consumo de água, gás e electricidade e menos uma pessoa a vestir. Querem melhor do que esta poupança, atendendo, ainda por cima, ao custo de vida?

Na realidade... quero. Como mãe, é claro que sei que vai faltar ali uma pessoa em casa. Mas não é isso o normal? que os filhos saiam de casa dos pais? Vai para Inglaterra? Qual é o problema? Sempre ouvi dizer que o longe se faz perto e o perto se faz longe. Além disso, a minha filha vai cumprir o seu primeiro objectivo, aquele para o qual se tem vindo a preparar ao longo da sua ainda curta vida.

Parte dessa preparação foi a frequência dum curso de inglês. Começou com pouco mais de sete anos e já fez todos os exames de Cambrigde, o ultimo (o CPE) dos quais este ano. 

E agora que está no 12º ano, chegou a altura chave...pouco tempo depois das aulas começarem, a gaiata começou à procura de informações sobre os cursos e as universidades na Inglaterra. Falou com amigos dela que vivem lá sobre vários temas, entre os cursos ao dispor, a formação universitária, os custos envolvidos, alojamento, emprego e tudo o mais que possam imaginar sobre este vasto tema. E falou connosco - os pais - claro. Que mantemos o que sempre dizemos, que qualquer um deles terá o nosso apoio para lutar por aquilo que mais desejam (desde que não seja ilegal ou que ponha em risco a saúde e a vida deles, é óbvio).

Como este post já vai longo, amanhã continuarei a contar-vos mais sobre este assunto.

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Nós por cá, tudo bem #6

por Magda L Pais, em 18.09.18

Os meus filhos começaram hoje a explicação de matemática com a minha professora de contabilidade do 10º ano (uma excelente professora, que me fez adorar contabilidade, e que é tão boa ou melhor em matemática).

Bem, mandei agora um sms aos gaiatos a perguntar como correu, já que vou ficar a trabalhar até mais tarde, e a resposta do meu Martim foi:

...pensei que não era para correr

 

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Dezassete anos depois...

por Magda L Pais, em 11.09.18

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Passaram-se dezassete anos e eu lembro-me como se fosse hoje…

A Maggie tinha acabado de mamar (tinha 4 meses e eu estava em casa de licença de parto) quando me ligou uma amiga a perguntar se eu estava a ver televisão e se lhe podia confirmar a notícia que tinha ouvido: um avião tinha embatido, por acidente, nas torres gémeas em Nova Iorque. E eu, que estava a ouvir o canal História (o preferido da Maggie, adorava ouvir aquilo) passei logo para a RTP e vi, em directo, o segundo avião a embater nas torres.

São poucas as coisas que me fazem arrepiar. São poucas as coisas que me emocionam ou que me fazem vir as lágrimas aos olhos (excepto quando me rio, claro). Mas, neste dia, fiquei sem pinga de sangue. Como é que era possível? A que mundo tinha eu (e o meu marido) trazido uma criança?

Olhando para as imagens da televisão, enquanto o mundo absorvia que não tinha sido um acidente mas sim deliberado, enquanto víamos, em directo, as pessoas a atirarem-se dos andares mais altos, outras a fugir, outras penduradas das janelas, as chamas a tomarem conta dos dois edifícios, e outras tentativas de ataque em território norte-americano, só pensava para mim: é o princípio do fim.

Enquanto deitava a filha na caminha, pedi-lhe desculpas pelo mundo em que ia crescer.

Acho – sempre achei – que, quem como eu, conheceu o World Trade Center, tem maior noção do impacto deste acto terrorista, da mesma maneira que tem perfeita noção que, apesar de tudo, morreram menos pessoas do que seria expectável.

Há dezassete anos, passei o dia colada ao ecrã da televisão, tenho por companhia a minha mãe (tão incrédula como eu) e a minha filha que ontem, contrariando a falta de esperança que tive nesse dia, iniciou o processo para ir estudar numa universidade em Inglaterra no próximo ano lectivo.

Passaram-se dezassete anos. Aconteceram mais ataques terroristas no mundo ocidental mas – e é importante este detalhe – também em países menos emblemáticos (mas nem por isso menos merecedores de atenção).

O Mundo não acabou como eu temia. Renovou-se. Mudaram as regras, mudaram as vontades. Não sei se para melhor se para pior. Sei que a minha esperança se renovou. Quero, preciso de acreditar que, um dia – que espero que seja rápido – o ser humano vai aprender a viver com os outros, a respeitar e a aceitar as diferenças. Quero, preciso de acreditar, que vamos aprender a cuidar da natureza como ela cuida de nós.

Não dizem que a esperança é a última a morrer?

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Os 100 - a série televisiva

por Magda L Pais, em 09.08.18

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No início das férias escolares e com a maioria das séries que costumamos ver em família a entrarem de férias também, optamos por aderir à Netflix. Já vimos algumas séries (terei de falar em breve na melhor série de comédia que alguma vez vi, The Good Place) mas para já, e porque estou a ler, ao mesmo tempo, os livros, venho falar-vos daquela que, para mim, é A Série por excelência e que consegue - pela primeira vez - ser bastante melhor que os livros.

(a este propósito, ontem à hora de jantar comentei isto com a família. Que os livros eram uma desilusão e que a série era muito melhor. Resultado: o meu marido e os meus filhos pararam de comer e olharam para mim, surpresos. Um perguntou quem era eu, outro perguntou onde estava a mãe, outro veio medir-me a febre. Houve quem perguntasse se eu estava bem, se queria ir ao Hospital e ainda quem me pedisse que repetisse porque estava a dizer as coisas trocadas).

Esta série começa por surpreender por se intitular adaptação dos livros. Não é. Tirando meia dúzia de detalhes, creio que a única coisa que coincide entre ambos é que, da Arca, foram enviados 100 jovens delinquentes para a Terra para verificar se podia ser habitada. 

(para quem nunca viu nem sabe do que estou a falar, podem ver aqui)

De resto... Jasper, Monty, Alexa, Gaia, Kane, Pike, Alie, Raven, Indra, Murhpy, Emory, Echo... podia continuar a desfiar as personagens que aparecem na série televisiva e que não surgem em momento algum nos livros. Basicamente, tirando Bellamy, Clarke, Octávia e Wells, mais nenhuma personagem coincide entre os livros e a série televisiva. Abby, por exemplo, no livro chama-se Maria... São estas diferenças que tornam esta série bastante melhor que os livros. Portanto, esqueçam os livros, falemos da série.

Os 100 mostra-nos como a humanidade como ela é. Com os seus defeitos e virtudes, a sua necessidade de guerrear (Jus drein jus daun! ou seja, sangue paga-se com sangue!) e a sua incapacidade de conviver com quem é diferente. Mostra-nos que, quando a sobrevivência está em jogo, somos capazes de tudo.

Nesta série cabem todos os sentimentos e todas as relações (literalmente todas). Cabem todos os nossos defeitos e virtudes. Cabe a religião, a política, o fanatismo. Mas também a ciência e a razão. Cabe a amizade, a empatia e o ódio. Cabe a inteligência (humana e artificial). E cabe, acima de tudo, um possível futuro da humanidade (ou será a falta dele?). Cabe a dependência  e a independência. Cabe o crescimento e o sacrifício (pelos outros ou dos outros). Tudo, mas mesmo tudo acontece e só se espera que, no fim, possamos recuperar a nossa humanidade.

As personagens crescem. Amadurecem. São fortes e destemidas, e não tem medo de liderar. E, pela primeira vez numa série (que me lembre) a maioria dos lideres são mulheres.

Os 100 mostra-nos a importância da família e dos amigos. Ainda que, em nome da sobrevivência, as alianças possam ser traídas.

Nesta série, e pela primeira vez que me lembre, a homossexualidade e a bissexualidade são abordadas com naturalidade, sem subterfúgios.

Mas também (e este é um dos pontos que considero mais importante)... Os heróis não são infalíveis. Tomam decisões erradas e são obrigados a viver com as consequências. Os bons fazem coisas más e os maus surpreendem com boas acções. E isto leva-nos a pensar - enquanto vemos a série - o que faríamos neste ou naquele momento, qual seria a nossa decisão. Se fariamos o que fosse necessário para sobreviver.

Fundamental também para que uma série consiga prender é surpreender. E, caramba, Os 100 surpreendem sempre. A cada novo episódio uma reviravolta inesperada que nos deixa com vontade de ver o episódio seguinte. Ou os seguintes... Os fins das temporadas são simplesmente geniais.

(valha-me que tive as primeiras quatro temporadas + 12 episódios da quinta para ver de seguida senão não sei se me aguentava de curiosidade)

Claro que podemos também falar nos efeitos especiais, nos cenários espectaculares, ou no facto de nenhuma personagem estar realmente a salvo. Mas, por fim, ressalvo apenas mais um detalhe: a banda sonora. Simplesmente fabulosa.

Se ainda não viram, vejam. E depois venham cá contar. Se já estão a vir, contem-me tudo, não me escondam nada. Qual é a vossa opinião sobre a série?

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Como as minhas férias acabaram hoje, aproxima-se mais uma onda de calor e, se para nós é difícil, imaginem para os nossos animais. Por isso resolvi rebuscar este post para dar alguns conselhos:

Comecemos pelos animais que estão nas gaiolas (pássaros, coelhos, chinchilas, etc). Congele duas garrafas de água (de 1 litro ou litro e meia). Reserve uma e coloque a outra por cima da gaiola. Ao deixar a garrafa com água congelada em cima da gaiola permite que o ar fique mais fresco e seja mais fácil suportar o calor. Assim que a primeira estiver descongelada, substitua pela que ficou no congelador e vá alternando.

É um conselho para o ano todo mas fundamental no verão. Mantenha sempre água disponível para que os seus patudos bebam. Se tiver um bebedouro (daqueles com recipiente), use um termoacumulador congelado dentro do bebedouro para manter a água fresca. Se for uma taça, meta uns cubos de gelo. Ande sempre com água para lhes dar em qualquer lado, quando sair com eles.

Não saia com os seus patudos nas horas de mais calor e evite zonas com sol. As patinhas deles não estão preparadas para suportar um chão muito quente e podem-se queimar. Da mesma forma não os deixe deitar no chão mais quente. Apesar do pelo, as queimaduras podem ser bastante graves.

Se o patudo tiver pelo muito claro, use protector solar e evite, ao máximo, que ele apanhe sol.

Se os patudos estão no quintal/jardim, providencie sombras onde ele se possa proteger. E se se quiser divertir com eles, dê-lhes um banho de mangueira. Assim todos tomam um belo dum banho na rua e todos se refrescam.

Não se esqueça que, a altura do verão, é a altura das pulgas, mosquitos e afins. No caso dos cães que saem à rua é fundamental protege-los para evitar que esses bichinhos os chateiem.

Por fim, não deixe, em circunstância alguma, o seu patudo fechado num carro nem que seja por dois segundos. Não o deve fazer no inverno, é proibidíssimo faze-lo no verão. A temperatura dentro dum carro aumenta exponencialmente. 25º graus de temperatura ambiente podem-se transformar em 40º graus dentro do carro. 

 

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Turista por um dia

por Magda L Pais, em 27.07.18

Porque a vida não é só livros e as férias não são só praia (opinião partilhada, pelos vistos, pelo S Pedro que este ano mandou o verão para outras paragens, deixando-nos com o vento e as nuvens), fomos fazer um circuito turístico, entre o Palácio da Pena, Cabo da Roca, Boca do Inferno, tendo terminado no sitio mais improvável - LxFactory.

Contamos, para isso, com a Week Break Tours que foi a companhia perfeita para um dia perfeito.

Começamos o dia bem cedinho com uma viagem de comboio. Eu faço-a agora todos os dias (duas vezes por dia, na realidade) mas o maridão só a tinha feito uma vez e as nossas amigas que também foram nunca a tinham feito. Portanto lá fomos de comboio para Sete Rios onde o Francisco já nos esperava. Eram 8h30 e toca a seguir para o Palácio da Pena para lá estarmos logo à abertura caso contrário teríamos de estar horas na fila para comprar bilhete e para entrar, coisa que não é compatível (para nós) com um dia bem passado.

Como a malta é preguiçosa, subimos o troço entre a portaria e a entrada de autocarro. Quem for mais corajoso ou mais atlético pode sempre subir a pé. Dizem (e o Francisco confirmou) que se demora cerca de 10 minutos (no máximo) a chegar lá cima mas, como é quase a pique, nada como usar o autocarro que custa € 3,50 por pessoa (ida e volta). A viagem não será tão bonita mas vale a pena também.

O Parque e o Palácio da Pena, implantados na serra de Sintra e fruto do génio criativo de D. Fernando II, são o expoente máximo do Romantismo do século XIX em Portugal, com referências arquitectónicas de influência manuelina e mourisca.

 (vitrais)

 (Exterior)

(interior)

Depois de sairmos da Pena, fomos (obviamente!) comer umas queijadas de Sintra e passear um pouco a pé pelo centro de Sintra. Paramos em frente ao Palácio Nacional de Sintra, onde D. Afonso VI esteve retido (vá, o homem era louco e não podia abdicar que nem sabiam o que isso era na altura).

Vimos, a partir de Sintra, o Castelo dos Mouros e na viagem até ao cabo da Roca passamos pela Quinta da Regaleira e pelo  Palácio de Monserrate. Que jardins fabulosos que se podem ver da estrada. Ainda hei-de lá voltar para visitar os jardins da Quinta da Regaleira (confesso que são os que mais me atraem).

Sabiam que a zona de Sintra era apenas montanhosa e só começou a ficar arborizada com a construção dos diversos palácios com os seus jardins? Pois, eu também não sabia. Vantagens de andar com um guia que conhece bem a zona e que nos foi contando estas histórias desconhecidas do comum dos mortais.

 (Sintra e a sua serra, antes de ser arborizada)

Depois de almoço e antes de adormecermos para uma sesta (a sesta devia ser uma obrigação legal) uma visita ao cabo da Roca. Aqui deu-me vontade de esfrangalhar o S Pedro. Era mesmo mesmo preciso estar um vento gelado? A paisagem fala por si, naquela que é a ponta mais ocidental da Europa.

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Logo após o Cabo da Roca, seguimos até à Boca do Inferno, um local lindíssimo mas... Enfim, no verão há pouca água, no inverno que há mais água, não podemos descer para a ver como deve ser.

Já o tínhamos visto no Cabo da Roca, voltamos a ver na Boca do Inferno. Digam-me lá, o que leva alguns idiotas turistas a colocarem-se nas zonas mais instáveis e em risco quase de queda para tirarem uma foto?

Seguimos depois, de carro, num passeio pela linha de Cascais. Passamos na Baía e fomos pela marginal, uma das estradas mais bonitas de Portugal, até Lisboa. Antes de darmos por finda a tour, passamos pelo LxFactory que só eu conhecia (e mesmo assim só de noite).

Foi um dia extraordinariamente maravilhoso. Apesar de conhecer os sítios por onde passamos, a companhia informada (e bem disposta) do Francisco tornou o dia ainda melhor.

Às vezes faz bem fazer-nos de turistas, mesmo que seja nas zonas que achamos que conhecemos. Passamos sempre por lá à pressa, olhando sem ver e acabamos por perder as maravilhas que temos ao pé da porta.

E vocês, já fingiram que eram turistas em zonas que acham que conhecem?

(nas fotos, cliquem na seta para verem a galeria completa)

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Dia C: Casamos a Just

por Magda L Pais, em 15.07.18

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Estar de férias dá nisto. Um post que deveria ter sido publicado no dia 13/7 às 14h está a sair agora. Mais vale tarde que nunca, dirão alguns. Outros dirão que é Magda sendo Magda e outros nem vão reparar porque o que interessa é a intenção. E assim como assim, não deixa de ser verdade, ainda para mais sendo no seio dos Pássaros, um grupo que se uniu por causa dum casamento, que já esteve junto em três nascimentos e numa morte (obrigado meus queridos por terem estado aí) e que - apesar de não nos conhecermos em carne e osso (mais carne que osso no meu caso) - não passa um dia sem que falemos, nem que seja para dizer que não gostamos que os outros estejam de férias, para nos apoiarmos nos bons e maus momentos mas também nos assim assim ou quando só precisamos de ouvir/ler um disparate.

Mas hoje - ou melhor, na sexta feira 13/7 às 14h - nada disso interessava. Porque casamos a nossa Just_Smile. Quer dizer, não fomos nós que a casamos mas estávamos lá também para festejar com ela porque a Just merece ter um dia à altura dela (e parece que realmente teve).

Just, minha querida. Não te vou dizer que vais ser sempre feliz no casamento porque não vais. Vais ter dias que te vai apetecer atirar a toalha ao chão e dizer basta. Vais ter dias que vais pensar se fizeste bem e outros que vais pensar que o melhor é desistir. Não é. Quando isso acontecer, lembra-te dos bons momentos. Do que riste com ele, dos momentos que vos fizeram mais felizes e é nesses momentos que vais encontrar a força necessária para voltares a sorrir e continuares casada com o homem que te merece e que estará a dizer agora que sim, que quer ficar contigo para sempre.

(ou pelo menos estaria a dizer isso se eu não me tivesse atrasado dois dias a publicar o post)

E se este conselho é válido para ti, não é menos válido para ele. Não se foquem nos maus momentos mas sim nos bons. E vão buscar aos melhores momentos a vontade de não desistirem, de se manterem unidos como sabemos que são.

Muitos parabéns pelo casamento espectacular e desculpa o atraso :)

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Ouvido de passagem - num banco

por Magda L Pais, em 03.07.18
No balcão dum banco, responde-me o empregado quando lhe coloco uma dúvida sobre a aplicação para o telemóvel do banco onde ele trabalha:
- Não faço ideia, os telemóveis são para tirar fotografias
 

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É uma das coisas que mais me irrita. A incapacidade que algumas pessoas (muitas! demasiadas!) têm de chegar a horas aos seus compromissos. As desculpas são mais que muitas: adormeci, estava trânsito, o despertador não tocou, estava numa reunião, sai mais tarde do que pensava, o relógio deixou de funcionar, estive a falar com o periquito... centenas ou milhares de desculpas e nenhuma reflecte a verdade: as pessoas estão-se nas tintas e, quem chega a horas, quase que é visto como uma ave rara, alguém estranho e fora do comum.

(quando o comum deveria ser quem chega a horas)

Chegou-se a um ponto em que 10/15 minutos de atraso não é considerado atraso. É normal. Quando se marca uma reunião, já se sabe que há sempre alguém que chega atrasado (quando não chegam quase todos).

E nem o facto de hoje estarmos todos comunicáveis através dos telefones, facilita que se avise.

Aqui há uns dias tinha uma reunião marcada para as 19h com cinco pessoas. Uma delas chegou às 18h55 e às 19h45 decidimos, as duas, que nos íamos embora. E porquê? Porque mais ninguém apareceu. Nem sequer se deram ao trabalho de ligar a desculpar-se. Passou-se mais duma semana e não houve, de parte de quem não apareceu (incluindo quem, nesse mesmo dia, tinha pedido a reunião) qualquer justificação. Perdemos, eu e a outra pessoa, 45 minutos em que podíamos estar a fazer algo de útil (a ler, por exemplo) em conversa de circunstância (até porque nem nos conhecíamos) enquanto esperavas por quem não apareceu.

Lembro-me, quando era miúda e não havia telemóveis, que tínhamos mesmo de chegar a horas quando íamos ter com os amigos. Combinávamos um sitio especifico e uma hora para nos encontrarmos antes do passeio. E quem estava, estava, quem não estava dificilmente nos encontraria depois, já que não nos poderia telefonar a saber onde estávamos.

Hoje é muito mais fácil. Se chegarmos atrasados podemos sempre ligar a saber onde estão (ainda que nem sempre se faça) o que nos leva a - consciente ou inconscientemente - a não conseguir cumprir os horários estabelecidos.

O que me leva a pensar ... Será assim tão difícil chegar a horas? cumprir os compromissos que assumimos? Ou será que estes atrasos são reflexo de algo mais grave?

 

Nota final - Este titulo é longo, eu sei, mas é, talvez, um dos melhores títulos que grassa aqui neste blog (até porque foi escrito por Fredrik Backman no seu fantástico livro A minha avó pede desculpa)

 

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Conversas da Seita do Arroz: as boas acções

por Magda L Pais, em 29.06.18

tola nº 1 - tenho mesmo de começar a fazer coisas boas ao universo. ajudar velhinhos na passadeira, deixar de rir de humor negro e talvez aderir a uma religião

tola nº 2 - confirma antes se os velhinhos querem mesmo passar para o outro lado...

 

(Mais das conversas da Seita do Arroz aqui e aqui ou aqui)

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Inversão de papéis

por Magda L Pais, em 27.06.18

Lembro-me, em criança, que adorava ir ao emprego dos meus pais. Lembro-me do meu pai me ir buscar à escola e de ficar com ele no balcão do banco

(e de dizer aos colegas dele que nunca iria trabalhar no Banco Totta & Açores… como que para se rir de mim, ditou o destino que começasse a trabalhar nesse mesmo banco aos 20 anos, e ainda cá estou, com muito orgulho)

Enquanto ele acabava isto ou aquilo antes de irmos para casa.

Ou de quando a minha mãe começou a trabalhar, pertinho de casa, e eu ia lá buscar isto ou aquilo.

Era uma criança e era uma grande alegria para mim visitar o mundo dos adultos, onde os meus pais passavam o tempo que não estavam em casa connosco.

(talvez por isso, quando fui mãe, fiz questão de também levar os meus filhos ao meu local de trabalho, para saibam onde estou quando não estou em casa)

Lembro-me, em criança, de dar a mão ao meu pai ou a minha mãe. De serem eles (mais a minha mãe, sem dúvida) a irem comigo ao médico, a preocuparem-se com a minha saúde

(ainda hoje isso acontece, afinal os filhos são sempre nossos filhos e as preocupações com eles não acabam, só mudam)

Nos últimos tempos os papéis inverteram-se. A saúde do meu pai está cada vez mais fragilizada, e agora sou eu (ou as minhas irmãs) que o acompanhamos ao médico ou às urgências do hospital quando é necessário. Ontem foi ele que me deu mão para o ajudar a caminhar até ao médico e foi ele que veio almoçar comigo ao meu local de trabalho.

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(e o orgulho que senti porque, quase 17 anos depois dele se ter reformado, ainda houve quem o conhecesse?)

De filhos passamos a pais dos nossos pais, invertem-se os papéis e, se um dia foram eles que cuidaram de nós, passamos a ser nós a ter de cuidar deles. Não é fácil, seguramente que não, mas é o natural, o que devemos fazer, o que eles – os nossos pais – merecem que façamos por eles.

A minha tia Lucília morreu. Depois de anos a lutar contra o cancro, aconteceu o inevitável. A semana passada morreu. E morreu como viveu, com a família por perto.

Assistiu ao meu parto, estava lá quando a minha mãe disse à enfermeira que não queria que eu nascesse e ela lhe respondeu que devia ter pensado nisso nove meses antes e que agora eu ia mesmo nascer. A primeira vez que respirei, ela estava ao pé de mim. 47 anos e mais uns meses depois, os papeis inverteram-se. Estava ao lado dela quando ela respirou pela última vez.

E a mulher que – em acesa disputa com a minha avó – era uma segunda mãe, morreu fisicamente mas continua viva em todas as lembranças. Porque aqueles que amamos só morrem quando deles nos esquecemos.

E o orgulho imenso que senti (e sinto) pela forma como os amigos dela - presidente da república incluído - a homenagearam nos dois jornais por onde passou? (podem ler aquiaquiaquiaqui e ainda aqui e aqui)

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A vida em família é, permanentemente, uma inversão de papéis. Cuidamos de quem cuidou de nós e esperamos que, um dia, de quem nós cuidámos possa cuidar de nós. A lei do retorno. O bumerangue, que nos dá o que nós damos aos outros.

E só assim faz sentido.

 

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