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Comparação entre a comida turca e a portuguesa

por Magda L Pais, em 07.04.16






Aqui a comida também é muito quente. 

É ai que acabam as semelhanças.


(By Maggie Pais na sua estadia em Antalya)











 Valha-nos esta pequena satisfação depois das notícias da viagem #1 e As notícias da viagem #2





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As notícias da viagem #2

por Magda L Pais, em 06.04.16

Hoje só vos trago algumas fotos do passeio de ontem

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E este é o ar satisfeito da Maggie (ou Meggy)

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 Uma das recordações que ela se lembrou de me comprar:

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(porque será que ela se lembrou de um marcador de livro para mim?)

 

(Mais noticias da viagem aqui)

 

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As notícias da viagem #1

por Magda L Pais, em 05.04.16

Ser mãe nestes dias não é fácil, já se sabe. Mas o projecto está a correr bem que é o mais importante.

Na sexta-feira passada a gaiata lá foi para a Turquia. Ainda teve de esperar que este senhor acabasse o trabalho para o avião partisse

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(mentirinha)

mas lá partiu com destino a Amesterdão onde chegou à noitinha. A previsão inicial era que o voo para Antalya fosse na manhã seguinte mas acabou por apenas se realizar à noite, o que permitiu que os quatro alunos e dois professores fossem passear - de barco e de autocarro - em Amesterdão.

Ficaram nessa noite no aeroporto onde foi cometido um atentado contra a minha filha. Caramba, a moça chama-se Maggie e não:

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Mas pronto, adiante que nós também pouco percebemos o que eles dizem:

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(sim, eggs, MacDonald's, o preço e pouco mais)

Ainda no aeroporto e antes que houvesse um motim contra o grupo, foi preciso explicar como se usam as escadas rolantes. O lado onde se anda e o lado onde se espera que a escada nos leve.

Durante o passeio de barco, a gaiata teve o seu rim direito a ameaçar suicidar-se e o rim esquerdo com cancro do fígado. E tudo porque um dos rapazes do grupo perguntou onde é que vivia a Anne Frank (estavam a passar ao lado) e ficou mesmo contente quando o professor lhe disse "ela vive ali em cima deste prédio".... Como o rapaz achou que era mesmo verdade, que Anne Frank estava lá, foi preciso explicar-lhe que não, ela não vive, ela viveu. E depois morreu!

No domingo de madrugada lá chegaram a Antalya onde foram recebidos pela família de acolhimento. Esta foto que se segue não foi tirada por ela mas dá para verem porque é que, neste momento, estou cheia de inveja. E porque é que eu, a Psicogata e a Mula vamos fechar o estaminé e organizar uma excursão até lá. É que era já mesmo, certo?

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(o melhor será não procurarem mais fotos da zona. Acreditem que ficam como eu, verde de inveja)

Mas Antalya é grandito, a pequena e o seu grupo de Erasmus + (que inclui estudantes romenos, lituanos, gregos e italianos, para além, claro, dos turcos e portugueses) estão instalados em Manavgat que é assim:

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(já vos disse que estou verde de inveja?)

No domingo o dia foi de partilha das prendas e, ao que parece, os Ss de canela que moça levou fizeram sucesso.

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Não se partiram dentes porque um deles se lembrou de os molhar no café. Desapareceram num instante, assim como as areias que ela levava.

Mas foi também dia de ir à praia:

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e nós cá com chuva... ninguém merece! (não sei se vos disse que estou verde de inveja...)

Ontem, segunda feira, já foram realizadas várias actividades escolares. Workshops, conferencias, aulas, visitas de estudo. A semana é plena dessas actividades para o grupo de 45 estudantes envolvidos. Entre a universidade, a escola secundária, etc e tal. Mas também há visitas a locais turísticos e/ou mais importantes da zona. 

À tarde há sempre tempo livre. E ontem foram a uma loja beber um café. Deixo aqui as palavras da Maggie que explicam o que se passou nessa loja:

O melhor é mesmo quando tentas pedir alguma coisa, e o empregado não te percebe por isso chama outro, e depois esse também não percebe e chama outro pelo walkie talkie, e esse quase que não te percebe.

Mas lá beberam o café.

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E, claro, houve quem tentasse ler o futuro nas borras de café da minha filha. E viram uma árvore de Natal no futuro dela. Confere! Todos os anos, no Natal, ela tem uma árvore de Natal em casa.

Dois dias na Turquia e a minha filha já concluiu quatro coisas:

  1. Não gosta da comida turca, a portuguesa é bem melhor (não temos dúvidas!)
  2. Os turcos são muito simpáticos
  3. Fuma-se em casa (ela está habituada a que, quem fuma, vai para a varanda)
  4. Os cintos de segurança nos carros são para por atrás dos bancos porque assim não fazem barulho

Hoje o dia começou cedo. E começou bem. A gaiata sai mesmo à mãezinha dela. Deu uma traulitada com a cabeça na parte de cima da ombreira da porta da casa de banho.

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Ser mãe no dia de hoje…

por Magda L Pais, em 22.03.16

Duma adolescente com 14 anos que vai participar no programa Erasmus + e que vai para a Turquia no início de Abril é, neste momento, não ter vontade de ver ou ouvir quaisquer notícias.

É saber que, a nós pais, compete dar-lhes asas e ensiná-los a voar e não cortar-lhes as hipóteses que tem de viajar, de conhecer outras culturas e outras formas de estar.

É perceber que esta ida para a Turquia é o culminar dum ano de preparação, e que é o início da preparação para a vinda duma estudante turca para a nossa casa, no próximo ano o que será também uma experiencia fantástica para todos.

É saber que atentados terroristas, acidentes e raptos acontecem em todo o mundo.

É perceber o quanto esta experiência de vida vai ser importante para toda a vida dos nossos filhos.

É saber que a frequência do Erasmus + é uma oportunidade única de aprendizagem.

Mas, ao mesmo tempo, é querer que tudo o que tem de positivo aconteça aqui pertinho de casa, debaixo da nossa asa…

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Internet

por Magda L Pais, em 17.03.16

 

Todos sabemos que a Internet domina o mundo hoje em dia. Mas a Internet não se tornou tão “grande” de um dia para o outro: foi criada  durante a guerra fria nos anos 60, o que claramente foi há algum tempo, tempo suficiente para uma evolução enorme. Ao longo dos anos a Internet foi mudando de aspecto, e ao mudar de aspecto aumentaram também as suas capacidades, e com esses aumentos foram-se abrindo portas para novas inovações que mais tarde mudariam o mundo; mas a maior delas todas foi aquele botãozinho que todas as redes sociais têm e que é o botão “Add as a friend” ou “Add friend”, que em português significa “Adicionar amigo”. Agora devem estar a perguntar-se porque é que esta foi a maior inovação na Internet, e eu vou explicar. Antes da Internet, para te encontrares com amigos tinham que ter tudo combinado e quase nunca podia ser à ultima hora que se decidiam encontrar, mas quando esse botão “apareceu”, o chat também veio, o que deu a possibilidade a um grupo de amigos de se encontrarem e combinarem à ultima hora (já devem perceber onde é que eu quero chegar).

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Mas mesmo o sistema dos amigos teve uma expansão “recentemente”: no dia 15 de novembro de 2013 a PS4 foi posta à venda, e embora esta tenha sida uma “expansão/melhoramento” para os “gamers”, ou em português jogadores, a Sony decidiu implementar o sistema das comunidades em que qualquer pessoa se pode juntar à que quiser; nessas comunidades há milhares de jogadores dispostos a ajudar e a serem ajudados por outros jogadores. Por exemplo, eu nas férias de Natal fiz 290 amigos na Playstation só nessas comunidades, e jogo com praticamente todos. Onde eu quero chegar é que hoje em dia pode-se fazer mais amigos nessas comunidades em crescimento online; e sim, eu sei que algumas pessoas dizem que os “gamers” não têm amigos na vida real, mas fiquem sabendo que isso é a pior mentira que alguém pode dizer, e também sei que a imagem de marca de um “gamer” é um nerd sem amigos e sem vida que passa a sua vida toda a jogar. Só que, embora algumas pessoas façam isso, o mundo não pode generalizar uma comunidade com milhares e milhares de pessoas só porque alguns “gamers” são assim, eu por exemplo tenho amigos de todo o mundo que falam comigo inglês na Playstation.


Mas deixando esse tópico da Playstation, a Internet permite-nos também comunicar com pessoas de todo o mundo; por exemplo, o meu melhor amigo mudou de casa e agora está em França, mas no entanto ainda falo com ele todos os dias no Facebook, e tenho a certeza de que não sou o único.
Mas a Internet não serve só para comunicação, a Internet serve também para fazer pesquisas e trabalhos.
Tudo boas razões para considerar a Internet uma das maiores invenções em 56 anos, não concordam?

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Publicado em Inominável nº 2 pelo meu filho Martim 

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São Valentim

por Magda L Pais, em 16.03.16

Todos sabemos que o dia de São Valentim está para vir, e com ele vêm todas as palavras de amor, os gestos românticos,  as prendas dos namorados, enfim, todas as coisas com que nós, uma sociedade de meros mortais, gostamos de nos entreter. E para poupar o leitor a mais uma conversa de chacha sobre o dia de São Valentim que, na minha opinião, é uma invenção ao dinheiro, vou falar de um assunto não tão mexido. A parte da mitologia que anda à volta do amor. Sim, obviamente que vou falar do Cupido, o deus romano do amor e desejo, filho de Vénus e Marte (ou, como eram conhecidos pelos gregos, Afrodite e Ares), e de dois amantes pertencentes à mitologia chinesa, Hou Yi, o Arqueiro, e Chang’e, a deusa da Lua.

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Comecemos pelo Cupido, também conhecido como Eros na mitologia grega. Uma só seta do arco deste deus pode fazer o alvo apaixonar-se loucamente por outra pessoa, e isso acabou por ser a desgraça de Cupido. E, tal como muitas outras histórias relacionadas com deuses, esta começa com a inveja de uma deusa relativamente a uma mortal. Sendo a deusa em questão Vénus (Afrodite) penso que podem imaginar o porquê da inveja. Exatamente. Ela tinha inveja de uma mortal porque a rapariga era mais bonita do que ela, e os homens mortais deixaram de ir ao templo dela e passaram a ir ter com a rapariga.


Ora como é que isto correu mal? Pois eu explico.
A inveja de Vénus era tal que ela condenou Psique (a mortal cuja beleza desafiava a da deusa) a casar-se com a criatura mais horrenda do planeta. E, para isso, Vénus precisaria da ajuda do seu filho, Cupido, a quem calhou o “trabalho sujo”. Quando Cupido entrou no quarto de Psique a meio da noite, a mando da deusa sua mãe, ele não esperava encontrar tanta beleza. Encantado, aproximou-se da rapariga que, de um momento para o outro, acordou do seu sono, assustando o pobre Cupido. (Aqui vocês pensam: ahhh, então o que é que isso tem a ver com as setas mágicas? E eu respondo: calma, deixem-me continuar, que isto ainda agora começou.) O deus do amor, de tamanha surpresa por ela acordar enquanto ele olhava para ela, deu um pulo para trás, e deve ter sido um pulo daqueles mesmo grandes porque conseguiu fazer com que ele se arranhasse numa das suas setas e (surpresa!!) apaixonou-se por Psique.
Bom, obviamente que sabem o que lhe aconteceu, né? O pobre Cupido apaixonou-se pela rapariga, e oh se Vénus ficou furiosa! Ela ficou tão furiosa que proibiu o seu filho de casar com Psique e mesmo de a ver, e isso fê-la cair em desgraça. Cupido, como “vingança”, deixou de disparar as suas setas, e as pessoas deixaram de se apaixonar, e por isso deixaram de venerar Vénus. Ainda mais furiosa, ela finalmente cedeu, e mandou Cupido de volta ao trabalho. No entanto, Psique foi viver para uma localização secreta, e Cupido só a visitava de noite, para que ela não conseguisse ver quem ele era. Ele até a fez prometer nunca tentar ver o seu aspecto, para que Vénus não soubesse que ele a via secretamente.
Mas todos esses cuidados foram deitados fora quando um dia (noite, mais exactamente) Psique não conseguiu conter a sua curiosidade e decidiu que nessa noite iria ver a cara do seu amante. (ela tinha medo de que ele fosse um monstro hediondo). Então, nessa noite, quando Cupido adormeceu, ela agarrou numa lanterna e aproximou-a da cara do deus. E ficou surpreendida com o que viu: aquele que ela pensara ser uma criatura horrenda era na realidade o ser mais bonito que ela já tinha visto. No entanto, não ficou tão surpreendida com a aparência dele como ficou quando ele acordou (porque quem é que acorda quando tem uma luz forte directamente apontada à cara, pfffft); ele assustou-a de tal maneira quando acordou, que ela deu um pulo e se arranhou numa das setas dele, apaixonando-se imediatamente. Só não me perguntem porque é que ele tinha as setas tão perto da cama, que eu também não sei. 

Ora obviamente que Vénus não gostou muito disto, e proibiu a rapariga de ver o seu filho, obrigando-a a completar quatro desafios impossíveis (que culminavam numa visita ao Inferno, de onde Vénus esperava que a mortal não regressasse) que, escusado será dizer, Psique completou – obviamente com ajuda de outros deuses que tiveram pena do casal condenado. Depois disto tudo, Cupido foi ter com Júpiter (aka Zeus) e pediu-lhe que tornasse possível o casamento dos dois. A solução de Júpiter foi tornar Psique imortal, e assim eles se casaram, e pode-se mesmo dizer que viveram felizes para sempre.
E agora, vamos para a história de outros dois amantes, que vocês viram o nome e ficaram a pensar “esta gaja agora anda a inventar deuses”. Mas não, são mesmo parte da mitologia chinesa. E são a fonte de um símbolo mundialmente conhecido, que direi no fim desta história. Chang’e era, entre os imortais, de longe a melhor dançarina.

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Hou Yi era um herói enfeitiçado pelas suas danças, e os dois em breve se casariam. O seu amor um pelo outro não tinha limites, e tudo era perfeito assim. Mas, no mundo dos mortais, tudo ruía. Dez sóis, os dez filhos do Imperador de Jade, erguiam-se e queimavam tudo onde a sua luz e calor chegavam, cozendo a terra e evaporando os mares. Hou Yi, o herói arqueiro, foi chamado pelos mortais para os defender. Com setas mágicas, disparou contra nove dos sóis, e poupou só um porque as pessoas precisavam dele. Esse sol, temendo sofrer o mesmo destino que os seus irmãos, comportou-se. Maaaaas, obviamente que nem tudo correu bem, né? Que pai é que o Imperador de Jade seria se não se zangasse com Hou Yi por ele lhe matar nove dos dez filhos? Tamanha foi a sua ira, que Hou Yi e a pobre da Chang’e foram transformados em mortais, e expulsos dos Céus. 

A deusa, agora mortal, ficou deprimida e não voltou a dançar. O arqueiro, em desespero por ver a sua amada triste, conseguiu encontrar o elixir da Imortalidade, e por sorte era suficiente para duas pessoas. Se tudo corresse bem, eles beberiam o elixir e recuperariam o seu status de deuses.
Mas é aqui que a história começa a parecer que foi escrita por alguém que injectava chantili nas veias com a seringa das farturas e que snifa pó de giz ou açúcar. Eles já tinham o elixir, já podiam ter bebido e restaurado o seu lugar nos Céus. Infelizmente, estava tudo contra eles, e como Hou Yi era esperto, foi caçar, deixando o elixir sozinho com Chang’e.
Durante a sua caçada, um jovem que Hou Yi tinha tomado como seu aprendiz tentou roubar o elixir. Encurralada, ela não teve outra hipótese a não ser bebê-lo, e ela foi tornada imortal; mas, por ser demasiado elixir para uma só pessoa, também foi arrebatada do seu lugar em direção à Lua, onde vive desde aí, com a companhia de um coelho de jade que, segundo o folclore, não faz nada a não ser bolinhos de arroz (vêem aquilo que eu disse de alguém ter andado a snifar pó de giz?). Enlouquecido com o desgosto de perder a sua mulher, Hou Yi passou de herói amado pelo povo a tirano violento. O seu aprendiz, Feng Meng, continuou sob a sua tutela, até um dia achar que já era bom o suficiente para se comparar com o ex-deus e o desafiar para um concurso de tiro ao alvo. Obviamente que Hou Yi ganhou, o que deixou o seu aprendiz incrivelmente invejoso (ainda mais que antes).
Mais tarde, Feng Meng convida Hou Yi para uma caçada, onde o encurrala e espanca até à morte com um ramo de árvore. O espírito de Hou Yi ascendeu até ao sol, aquele sol a quem ele poupara a vida, e aí ele construiu um palácio. Por isso, estes dois amantes, Hou Yi e Chang’e, a partir daí passaram a representar o yin e o yang, o sol e a lua.

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Publicado em Inominável nº 2 (revista de Fevereiro de 2016) e escrito pela minha filha Maggie

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Homicídio afectivo

por Magda L Pais, em 22.02.16

Não como mãe mas como ser humano, um dos crimes que mais me choca e que me deixa sem saber o que pensar, é quando os pais matam os filhos. Sim, quando é o inverso também me choca mas não tanto. Crucifiquem-me se quiserem mas é a minha maneira de pensar. Pais que maltratam (seja da forma que for) os filhos é um crime hediondo mas quando os matam, ultrapassa, em muito, o hediondo.

Precisamente por isso, e também porque gosto de perceber o mundo que me rodeia, aqui há uns anos assisti a um programa de televisão onde o tema central era precisamente as mães que matavam os seus filhos – na maior parte dos casos quando ainda eram de tenra idade – ou que se suicidavam levando os filhos por arrasto.

Foi a primeira vez que ouvi falar deste conceito retorcido do homicídio afectivo.

(confesso que desconheço se este termo existe, se é reconhecido na psicologia/psiquiatria ou mesmo juridicamente, mas, desconhecendo outro, creio que será o termo que talvez se adeque mais)

E o que é este conceito? Pois bem, grosso modo a mãe (ou o pai) mata o filho porque o ama e não o quer ver a sofrer. E dizem-me vocês, quem ama não mata. O que é totalmente verdade. Mas temos de perceber que as pessoas que cometem este tipo de crime não são pessoas saudáveis. São pessoas mentalmente doentes, em muitos casos com depressões profundas e que não conseguem ter um raciocínio normal.

Para elas, as crianças estão em sofrimento e só a morte as pode salvar. Para elas, que se vão suicidar, ao matar os filhos estão a poupar-lhes o sofrimento pela morte da mãe ou do pai.

Estas mães e estes pais não precisam que a sociedade os condene, a doença já o fez. O que precisam é de ajuda, de tratamento psiquiátrico. E, acreditem, quando estiverem bem, quando perceberem o mal que fizeram… serão elas próprias a condenar-se pelo que fizeram.

Naturalmente não defendo que escapem impunes ao que fizeram. Mas também não defendo julgamentos em praça pública ou que sejam ditas frases como “eu dava-lhe a depressão dava” a propósito da mãe que matou as filhas em Caxias (e outros casos que tais).

Porque, meus caros, a depressão não é coisa de meninos. E uma pessoa deprimida não consegue, por mais que tente, raciocinar como uma pessoa que não sofre da mesma doença. Não quer dizer que toda a gente deprimida se vá matar ou que vá matar os filhos. Mas pode acontecer.

Antes de começarmos a criticar e julgar temos de perceber o que realmente se passou. Em todos os casos!

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Conversas #14 Sobre livros

por Magda L Pais, em 22.01.16

- Filha, sabes que livro comprei hoje?

- Não... e tenho medo!

 

Confesso que não percebo esta resposta... 

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Conversas #13 Na escola

por Magda L Pais, em 19.11.15

Um rapaz para o meu piolho (que tem "apenas" 1.90m com 12 anos)

Então, como é ser alto?

ao que o meu piolho responde:

é altamente!

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Nós por cá, tudo bem #4 (ou o Serial Killer)

por Magda L Pais, em 28.10.15

E de repente ouve-se lá em casa:

sou um serial Killer! sou um serial Killer!

Quando olho... está o meu filho com uma faca espetada na embalagem de Kellogs (passe a publicidade)!

 

(ok, não vale a pena mencionar aqui que ele come uma embalagem das grandes de dois em dois dias, por isso sim, é um cereal Killer mesmo!)

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Sou uma infeliz...

por Magda L Pais, em 20.10.15

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Desde sempre que me lembro de ser alta. A mais alta da família, a mais alta da sala de aula, a mais alta da escola, uma das mais altas do politécnico. Enfim, estão a ver, certo? Para mulher, com 1.74m sou considerada alta!

Ou era...

E não, não estou a diminuir!

Casei-me com um homem alto. Mais alto que eu, com 1.93m. Até aqui tudo tranquilo. O pior é que, 15 anos após o casamento, 14 anos após o nascimento da filha e 12 anos após o nascimento do filho... sou a mais baixa cá de casa. Se quero dar um beijo à filha, tenho de me esticar. Se quero dar um beijo ao filho... tenho de o mandar sentar. Se me quero zangar com algum dos dois... tenho de os mandar sentar!

Acham normal? O raio dos gaiatos...

Aqui há uns anos, estava a gaiata na primeira ou segunda classe, uma das colegas dela perguntou-me porque é que ela era tão alta. E eu, com o ar mais sério do mundo, expliquei-lhe que, todas as noites, pendurava a minha filha na corda da roupa, pelas orelhas, com uns pesos nos pés para ela esticar. Percebi, pela cara da miúda, que talvez tenha dito isto com ar demasiado sério...

(se calhar agora fazia o processo inverso, não? meter uns pesos na cabeça deles para diminuirem?)

O gaiato, que adora deitar-se cedo, no outro dia esperou por mim para festejar, comigo, o facto de ser o mais alto da escola - incluindo professores, vigilantes e alunos até ao 12º ano! Calça o 46 (bem que pode dormir em pé!).

Ninguém merece! e por isso, está decidido... vou ali matar-me, já volto! (Acham que assim eles diminuem de tamanho e eu posso voltar ao meu segundo lugar em altura cá em casa?)

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Despedida

por Magda L Pais, em 25.09.15

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Foi uma viagem silenciosa: nem o rádio tinha ligado. Nenhum de nós queria falar, por isso apenas comunicávamos por relances deitados um ao outro. A bagageira do carro estava cheia com as malas dela mas, mesmo assim, havia malas no banco de trás.

Quando chegamos ao terminal dos autocarros suspirei. Neste último ano a única constante tinha sido o medo. Medo de quê? Medo deste dia. O dia em que ela se iria embora.

Pousamos as malas no chão do terminal, onde ficaram num amontoado. Estranhos passavam por nós, apressados, sem sequer nos olharem. Apenas nós estávamos conscientes um do outro. Uma voz soou nos altifalantes e essa voz chamava por ela: "É neste que eu vou", disse ela, olhando para os pés ao proferir as primeiras palavras naquela manhã. Senti o coração a apertar-se: "Eu sei", disse, agarrando nas malas e levando-as até ao autocarro para onde ela subiu hesitante, dirigindo-se ao seu lugar, junto à janela.

Com um gesto das mãos pedi-lhe que abrisse a janela. Não podia simplesmente deixá-la ir, sem me despedir. Ela inclinou-se para fora da janela e eu aproximei a minha cara da dela, olhando-a nos olhos.

Sem aviso, ela beijou-me e, com a sua testa encostada à minha, suspirou: "vou ter saudades". Senti a garganta a ficar apertada e virei a cara, quase a chorar. Ela percebeu, e fechou a janela, enquanto eu corria de volta para o carro.

Autora: a minha gaiata de 14 anos!

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Estou farta de ti!

por Magda L Pais, em 11.08.15

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 … dizia uma ilustre mãe à sua filha de 2 ou 3 anos no outro dia na esplanada do café, enquanto a miúda, sem mais que fazer, subia e descia da cadeira, empurrando-a para frente e para trás.

Gostei de ouvir… sim, claro que sim. E esta criança, a filha, claro que também. Obviamente que ouvir a nossa mãe dizer que está farta de nós é muito bom e faz maravilhas à nossa personalidade.

Fui irónica! (ou será que alguém acreditou?)

Estou farta de ti!, não gosto de ti!, que peste! , és mesmo estúpido(a)!  Ou outras variantes destas frases são coisas que não se deve, em momento algum, dizer aos filhos – e que, infelizmente, muita gente diz. Será preciso explicar que, para os filhos, os pais tem sempre razão, são os heróis, os modelos a seguir – pelo menos quando são mais novos – e, se são esses mesmos modelos que dizem que a criança é estúpida, peste ou que não merece que gostem dela, a criança vai acreditar e aceitar como sendo realidade?

Uma criança que cresce a ouvir – sobre ela – este tipo de comentários, vai-se tornar um adolescente inseguro e problemático e um adulto com maiores problemas ainda. Vai-se tornar um adolescente que não gosta dele próprio (e porque iria gostar se os seus próprios pais não gostam?) com todos os problemas inerentes a essa falta de amor-próprio. E vai tratar-vos exactamente da mesma maneira que foram tratados por vocês.

Corrijam as crianças, ensinem-nas a comportar mas nunca, nunca mesmo, digam que estão fartas delas, que não gostam delas ou que são estúpidos e burros. Façam-no com respeito e acreditem que vão ser respeitados no futuro. Fazendo-o, as probabilidades de criarem adultos seguros e com amor-próprio, são bastante superiores!

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Conversar com os filhos

por Magda L Pais, em 29.07.15

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Vejo, cada vez mais, pais e mães com dificuldade em comunicar com os filhos. Normalmente pegam num telemóvel ou num ipad/tablet, pespegam com ele nas mãos dos gaiatos e pronto. Os pequenos jogam, os pais conversam (se não tiverem, também eles, smartphones) e não há conversa com os filhos.

Aprendi, muito cedo, que há necessidade de conversar com os filhos. Desde que eles nascem. E aprendi isso com o pediatra dos meus filhos. Quando a piolha

(é engraçado que, apesar dela ter 1.84 m – ou seja, é maior que eu, eu continuar a chama-la de piolha)

Dizia eu, quando a piolha nasceu, o pediatra disse-me – converse com a sua filha. Fale-lhe, conte-lhe o que está a fazer. Faz-lhe bem ouvir a sua voz. E eu assim fiz. Com ela e com ele.

Aos dois anos, a piolha foi para a creche e eu fiquei com o mais novo em casa. Ainda estava de licença de parto. Foi um drama para ela. Até nascer o irmão, tinha estado em casa da avó. Depois ficou comigo. E a seguir – creche. Correu mal. Pontapeou uma das auxiliares, chorou baba e ranho… enfim, uma miséria. Na segunda semana e por causa duma consulta de rotina do piolho pedi a opinião ao pediatra sobre o que se estava a passar. E ele só me perguntou – já falou com a sua filha? Falar? Mas ela tem dois anos!!! Sim, tem dois anos e obviamente não lhe vai recitar os Lusíadas. Vai-lhe explicar, numa linguagem acessível e enquanto a veste ou lhe dá banho, a razão pela qual ela tem de ir à escola.

E eu, sem saber muito bem o que pensar disto, lá conversei. Entre a brincadeira, vesti-la e despacha-la, lá lhe expliquei porque é que ela tinha que ir à escola e porque é que o irmão ainda ficava em casa comigo. Frases simples, brincadeira pelo meio… e nesse dia a gaiata não chorou na escola e ficou bem. Se não tivesse visto não iria acreditar. Aquele pequena conversa fez maravilhas.

Dai para a frente fiz sempre o mesmo. E por isso cá em casa conversamos sobre tudo entre os quatro. Falo com eles com abertura e honestidade sobre todos os temas, sejam eles quais forem. Eles sabem, por exemplo, que não podem falar com estranhos. E sabem quais os riscos reais se o fizerem. Eles sabem o que é a pedofilia e sabem que tipo de fotos podem colocar na internet. Quando há doenças graves na família eles sabem qual é a doença e que riscos há.

Honestidade e abertura. São as palavras-chaves das conversas cá em casa. E, acreditem, estas duas palavras fazem maravilhas nas relações entre pais e filhos. Porque as conversas são como as cerejas e se falarmos com eles – os filhos – eles falam connosco – os pais. E isso é do mais gratificante que podem imaginar.

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Nós por cá, tudo bem #3

por Magda L Pais, em 08.07.15

E de repente, assim do nada, ouço três pessoas aos gritos lá em casa:

foge, a casa está a arder!

dizia um

é um apocalipse zombie

dizia o outro

fujaaaammmm

dizia o terceiro

 

Sarapantada levantei os olhos do livro que estou a ler e vejo os três - marido e filhos - a rir à gargalhada e lá me explicam que estavam a chamar-me à imenso tempo e que eu não lhes liguei nenhuma...

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