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Como se livrar duma filha... #2

por Magda L Pais, em 11.10.18

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Foi pouco antes de iniciar o 12º ano na escola, ou seja, em meados de Setembro que a minha filhota que se voltou a falar na ida dela para uma universidade na Inglaterra, pelas razões que já vos tinha falado ontem.

O curso, ou melhor, a área, já se sabia que seria psicologia. Confesso que tanto eu como o pai achamos que ela iria para a psicologia criminal mas afinal ela prefere psicologia clínica, por querer perceber melhor a mente das pessoas com o intuito de se perceber melhor a ela própria. Não pretende salvar o mundo mas, se salvar uma pessoa que seja, já valerá a pena. 

Depois vieram as questões financeiras relacionadas com as propinas (na Inglaterra as propinas rondam os 10/15 mil euros anuais) e com o alojamento. É que, assim de repente, não ganhamos o Euromilhões (o que, claramente, é difícil de acontecer uma vez que não jogamos) e portanto não seria exactamente fácil de suportar estes custos.

Nada melhor - para esclarecer isto e para nos apoiar em todo o processo, que há imensas coisas a tratar que nenhum de nós sabia porque não vivemos em Inglaterra - que contratar uma empresa que nos ajude com tudo isto.

Fomos a uma primeira reunião, em que nos foi explicado o processo de candidatura e como funciona a questão das propinas, do alojamento e do custo de vida.

Ficamos a saber várias coisas bastante interessantes. 

As propinas, por exemplo, são suportadas por um fundo governamental cujo reembolso é feito, pelo estudante, na forma de imposto, quando ingressa no mercado de trabalho, mas apenas quando o seu rendimento anual ultrapassa o equivalente a vinte mil euros. E mesmo assim, a taxa é aplicada ao adicional dos vinte e três mil euros (até €23 000 de salário por ano estão isentos; para quem ganhar entre esse valor e os €25 000, pagará cerca de €16 por mês; e, quando tiver um ordenado superior a €46 000 anuais, pagará €170 por mês).

Falemos agora do sandwich placement. (tenho de vos dizer que adoro este nome!!) E o que é isto do sandwich placement? bem, basicamente, entre o segundo e o terceiro ano do curso, a universidade, onde o aluno está a estudar coloca-o num emprego (na Inglaterra ou no estrangeiro), incorporado com o curso, de modo a que o aluno ganhe experiência profissional na área do curso sem prejudicar o percurso académico.

Então e o alojamento e os custos associados a viver longe dos pais? Bem, a estimativa depende da zona de Inglaterra onde o estudante esteja. Entre os 700 euros mensais para fora de Londres e os 1200 euros em Londres. Como se financia isto? É semi fácil. 

A carga horária média semanal das aulas é de 10 a 15 horas, o que dá cerca de 3 horas por dia de aulas. Os alunos tem, por isso, tempo livre que chegue para arranjarem um part time, normalmente na restauração ou em hotelaria. E a maioria das universidades tem departamentos que ajudam os alunos a encontrar trabalho, às vezes na própria universidade (na biblioteca ou a ajudar estudantes caloiros). Os ordenados auferidos chegam para suportar os custos de estarem deslocados, libertando os pais.

Já falei demais por hoje. Prometo que amanhã estou de regresso para vos contar mais sobre como se livrar duma filha.

May we meet again

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17 comentários

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De Gorduchita a 11.10.2018 às 10:57

Estou a gostar de ler e de saber (embora ainda esteja longe de me "querer" livrar da minha filha... eheheh)!
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 11:22

Isto de nós livrarmos dos filhos é uma tarefa que começa cedo ahahahhahaha
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De Heidiland a 11.10.2018 às 13:54

Isso é uma realidade completamente diferente da portuguesa. Eu tinha aulas todos os dias (4 a 5 horas por dia) e o tempo livre era passado a preparar apresentações, a escrever relatórios ou a preparar para os testes. Não tinha muito tempo livre para me dedicar a um part-time. Estudei na Católica, noutra faculdade a carga horária é diferente. 
Penso que a tua filha é bastante corajosa e sabe muito bem aquilo que quer, o que é uma qualidade rara nos adolescentes de hoje. Tenho um primo com 20 e poucos anos e os pais é que têm que decidir por ele. O que a mim sempre me fez grande impressão. 


P.s.: para ajudar os meus pais a pagar o meu curso trabalhei antes do curso. No mestrado fiz o mesmo 
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 14:08

Sim, conheço vários miúdos da idade dela ou mais velhos que não fazem ideia do que querem fazer na vida (Até conheço uma de 40 anos que ainda está indecisa...). Sou uma mãe muito babada.


A nossa realidade escolar está a anos luz do que se passa lá fora. Devíamos aprender algumas coisinhas 
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De Heidiland a 11.10.2018 às 14:13

Com a idade da tua filha também já sabia o que queria e lutei bastante para conseguir terminar os meus estudos (licenciatura e mestrado) depois cheguei à Suíça e tive que reavaliar a minha vida e admito que não faço a mínima daquilo que quero fazer profissionalmente. 


Espero que tudo lhe corra bem e que ela aprenda muito com esta nova etapa. Tu tens sorte que os voos para Londres são baratos e tens sempre imensas promoções. Por acaso, queria ir a Londres este ano (temos lá amigos), mas com a ida a Veneza e também queria ir ao mercado de natal em Colmar, deve ficar para o ano. 
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 14:23

Nada impede que se mude de rumo enquanto vamos ficando mais velhos. Acho que isso é prova de que estamos a crescer. 


Sendo Londres a minha cidade de eleição, estás mesmo a ver o que me chateia não é? Ahahahahhaha 
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De Heidiland a 11.10.2018 às 14:27

 Tens imensas desculpas para ires visitar a tua filha. A minha cidade de eleição sempre foi Veneza (romântica), contudo estou cada vez mais atraída pelas cidades e culinária francesa. Adorei a minha viagem a Paris e o mini tour ao sul francês: aqueles cheiros (natureza, lavanda), a comida, as praias, as lojas...ai ai. 
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 14:30

Veneza não conheço mas gostava de lá ir.. Paris não gosto mesmo nada...
Todas as desculpas vão servir. Afinal é já ali ao lado
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De Heidiland a 11.10.2018 às 14:36

Não és a única, uma amiga minha também não gostou de Paris. Eu adorei a cidade: ruas, museus, comida. Achei os transportes e o transito um pouco caóticos, mas não existem cidades perfeitas. Por causa do calor fiquei um pouco adoentada, mas fiquei apenas um dia mal, de resto foi sempre a passear. 
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 14:38

Paris e Nova Iorque. Duas cidades que a maioria das pessoas adora e que a mim não me dizem coisa alguma. Acho que há mais quem pense assim mas são poucos
...
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De amarquesademarvila a 11.10.2018 às 15:20

Uau!!! Obrigada! Não fazia ideia. A minha filha mais velha está no 10º mas fala muito em ir estudar para Inglaterra na faculdade. É muito bom saber. Fantástico!
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 15:34

Ora aí está. A maior parte das pessoas associa o estudar no estrangeiro com pais ricos e abastados. Não digo que não seja preciso gastar algum dinheiro, há sempre as viagens, as primeiras semanas, etc, mas não são precisos os 30 ou 40 mil euros/ano que parecem à primeira vista.
Aliás, a minha ideia ao preparar esta série de posts sobre este assunto é também desmitificar essa ideia. É tudo bastante mais fácil do que poderíamos pensar (e muito melhor para eles também)
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De Samantha Em Chamas a 11.10.2018 às 17:59

Agora quero é livrar-me a mim mesma também! 
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De Magda L Pais a 11.10.2018 às 18:01

Tenho que confessar que tive a mesma vontade :)
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De Joana B. a 12.10.2018 às 17:09

Magda e se a pessoa quando acabar o curso voltar para o seu país ou que vá para qualquer outro país como é que paga esse imposto? Como é que as autoridades inglesas controlam esse rendimento anual estando noutro país? 
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De Magda L Pais a 12.10.2018 às 17:13

Essa foi uma das questões que coloquei. O aluno fica obrigado a fazer prova anual do seu rendimento junto do estado inglês e o cálculo é feito da mesma forma 
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De Joana B. a 14.10.2018 às 12:26

Obrigada Magda, estamos sempre a aprender 

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