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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Dezassete anos depois...

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Passaram-se dezassete anos e eu lembro-me como se fosse hoje…

A Maggie tinha acabado de mamar (tinha 4 meses e eu estava em casa de licença de parto) quando me ligou uma amiga a perguntar se eu estava a ver televisão e se lhe podia confirmar a notícia que tinha ouvido: um avião tinha embatido, por acidente, nas torres gémeas em Nova Iorque. E eu, que estava a ouvir o canal História (o preferido da Maggie, adorava ouvir aquilo) passei logo para a RTP e vi, em directo, o segundo avião a embater nas torres.

São poucas as coisas que me fazem arrepiar. São poucas as coisas que me emocionam ou que me fazem vir as lágrimas aos olhos (excepto quando me rio, claro). Mas, neste dia, fiquei sem pinga de sangue. Como é que era possível? A que mundo tinha eu (e o meu marido) trazido uma criança?

Olhando para as imagens da televisão, enquanto o mundo absorvia que não tinha sido um acidente mas sim deliberado, enquanto víamos, em directo, as pessoas a atirarem-se dos andares mais altos, outras a fugir, outras penduradas das janelas, as chamas a tomarem conta dos dois edifícios, e outras tentativas de ataque em território norte-americano, só pensava para mim: é o princípio do fim.

Enquanto deitava a filha na caminha, pedi-lhe desculpas pelo mundo em que ia crescer.

Acho – sempre achei – que, quem como eu, conheceu o World Trade Center, tem maior noção do impacto deste acto terrorista, da mesma maneira que tem perfeita noção que, apesar de tudo, morreram menos pessoas do que seria expectável.

Há dezassete anos, passei o dia colada ao ecrã da televisão, tenho por companhia a minha mãe (tão incrédula como eu) e a minha filha que ontem, contrariando a falta de esperança que tive nesse dia, iniciou o processo para ir estudar numa universidade em Inglaterra no próximo ano lectivo.

Passaram-se dezassete anos. Aconteceram mais ataques terroristas no mundo ocidental mas – e é importante este detalhe – também em países menos emblemáticos (mas nem por isso menos merecedores de atenção).

O Mundo não acabou como eu temia. Renovou-se. Mudaram as regras, mudaram as vontades. Não sei se para melhor se para pior. Sei que a minha esperança se renovou. Quero, preciso de acreditar que, um dia – que espero que seja rápido – o ser humano vai aprender a viver com os outros, a respeitar e a aceitar as diferenças. Quero, preciso de acreditar, que vamos aprender a cuidar da natureza como ela cuida de nós.

Não dizem que a esperança é a última a morrer?

May we meet again

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