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Livrando é o regresso da M.J. ao mundo dos livros, qual filho pródigo que volta a casa no final duma longa viagem. Porque os livros tornaram-se, novamente, de um dia para o outro, a certeza mais certa das coisas seguras, fixas, que permanecem, que me entendem mais que eu própria.
Bom…
Esta frase poderia ter sido escrita por mim. Tirava-lhe talvez a parte do novamente e sou eu. Ali, esparramada numa frase que também define esta minha paixão pelos livros, pelo mundo que cada um deles cria para mim, nas palavras que parecem ter sido escritas com o único propósito de que eu as leia. O que o escritor imagina e que, para mim, é real.
Os livros são a minha casa, para onde regresso sempre e de onde nunca saio. Quando acabo um livro é como se morresse uma parte de mim mas que, logo que pego noutro, essa parte ressuscita mais forte que nunca.
E quando me afasto deles – dos livros, da leitura – pelas incontáveis distracções que me tentam, sinto a ausência dessa presença tão confortável, sinto falta do calor que os livros me transmitem, das vidas que vivo e das viagens que faço. Por isso o afastamento é sempre por pouco tempo.
Os livros são a minha droga, a minha bebida. Sabem a mar, a praia, a sol e a férias. Sabem a Natal, a prendas e a amor. Amor, sim, porque é amor aquilo que sinto por eles.
E quem se ama não se deixa morrer nas minhas estantes, porque só a presença deles nos torna mais vivos.
(foto Erik Johansson)
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