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Refeições & Telemóveis

por Magda L Pais, em 28.07.15

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Aqui há uns dias fomos, em família, jantar fora. Os quatro. Levamos os telemóveis claro mas, enquanto estivemos sentados à mesa, não lhes mexemos. Aproveitamos para conversar (não que tenhamos deficit de conversa cá em casa, ainda para mais estando de férias) e para ver – umas cinquenta vezes e em vários canais – o Mick Fanning a bater no tubarão.

Estava, na mesa ao lado, a jantar, um casal novo. Leia-se, por novo, dos seus 20 e poucos anos, aparentemente casados à pouco tempo. Aparentavam estar enamorados, confesso. Aparentavam… das poucas vezes que falavam um com o outro. Porque, a maior parte da refeição, ele esteve a ver emails e ela a ver fotos no facebook. E quando falavam um com o outro, ela dizia – olha, a foto que meti à bocado já tem 10 likes – e ele respondia – olha, o Manuel das Iscas ainda não me respondeu.

Fiquei boquiaberta.

Que raio de relacionamento é este em que um jantar a dois se torna numa consulta permanente ao que se passa nas redes sociais ou nos emails? Se deixarem de ter internet/wifi, saberão quem está do outro lado da mesa?

Fez-me confusão. A mim, utilizadora da internet desde 1998, quase um dinossauro internáutico, que conheci o meu marido pela internet e que devo ter estado presente no único Cybercasamento alguma vez realizado, faz-me muita confusão que as redes sociais se sobreponham à vida real.

Lembro-me duma piada que acompanhava os jantares que fazíamos, o nosso grupo do ICQ. Se ficássemos sem conversa, o melhor seria ligarmos os computadores e conversar pelo ICQ. Nunca foi necessário. Tínhamos sempre tema de conversa quando nos juntamos para jantar, para ir ao cinema ou para estar simplesmente a conviver numa esplanada. Quando chegávamos a casa, ai sim, íamos para o computador e continuávamos no mesmo ponto onde estávamos. Hoje, com a internet e o Wifi por todo o lado e com os smartphones, é cada vez mais difícil desligarmo-nos da vida na internet e vivermos a vida real.

E esquecemo-nos que é a vida real que realmente interessa!

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16 comentários

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Olívia a 28.07.2015

E isso foi num restaurante... parece-me que até em casa existem famílias (filhos incluídos) que não largam os telemóveis e afins nem na hora das refeições... por isso é que me espanta quando ouço miúdos a dizerem que têm centenas de amigos... no FB, claro, que na vida real eles nem se falam cara a cara... é muito mau!
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Magda L Pais a 28.07.2015

é verdade sim. Nem à hora da refeição os largam. Cá em casa vemos - às vezes - televisão à hora do jantar mas de resto tentamos evitar os telemóveis à mesa
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Maria Alfacinha a 28.07.2015

Já se tornou tão vulgar assistir a cenas dessas que já nem sei se me fazem confusão. 
Mas olha que a inversa, também faz confusão a muita gente. Ir a qualquer lado, hoje em dia, sem o telefone atrás é logo tema de conversa Image
A mim, o que me custa, é que as conversas que eu me punha a jeito para ouvir, quando ia ao café, perderam o interesse Image
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Magda L Pais a 28.07.2015

ahahahahahaha e eram tão engraçadas, não achas? algumas imperdíveis mesmo.


Sim, sair sem telemóvel é quase sair despido hoje em dia
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Maria Alfacinha a 29.07.2015

Verdadeiras fontes de inspiração, acredita!
Para histórias, personagens, má-lingua e até receitas de culinária Image
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Magda L Pais a 29.07.2015

Acredito. Eu faço o mesmo Image
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M* a 28.07.2015

infelizmente, é uma triste realidade. mas, para mim, o mais assustador é ver crianças de tenra idade, às vezes com pouco mais de um ano, a mexerem nos telemóveis e completamente obcecados com aquilo. 
é curioso. agora que me lembro, este fim-de-semana, no café, atendi um grupo de oito amigos cuja primeira questão que me fizeram, antes dos pedidos e de eu mal ter proferido uma palavra foi "tem wifi?". mal eu indiquei qual era, foi vê-los a todos meter a senha nos telemóveis... infelizmente, como estes amigos ou como esse casal, parece existir cada vez mais casos semelhantes. 
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Magda L Pais a 28.07.2015

há imensos cafés e restaurantes que já tem os dados do wifi nas paredes, como se fosse a ementa. Cruzes, e a saudável conversa? ou, como diz a Maria Alfacinha mais acima, as conversas parvas que nós deixamos de ouvir?
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Vanessa a 28.07.2015

Eu tenho 20 e poucos anos e quando vou jantar fora, não vou para mexer no telemóvel, vou para conviver. Sempre que estou com o moço num restaurante, os telemóveis ou estão ao lado ou na mala, de resto, é só conversa de gente real
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Magda L Pais a 28.07.2015

tu és a excepção que confirma a regra :D e ainda bem!!!!
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Vanessa a 28.07.2015

Acho que o tempo que existe para conviver entre marido e mulher/wtv ou amigos é tão escasso que se deve aproveitar ao máximo, sem tecnologias.
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Magda L Pais a 28.07.2015

nem mais. a tecnologia pode juntar as pessoas mas também as afasta. Se estão juntos ao vivo e a cores, em carne e osso, para que precisam da tecnologia?
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Vanessa a 28.07.2015

Para publicar selfies e ver quantos likes têm
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Magda L Pais a 28.07.2015

ahahahahaahha sim, se bem que isso é estupido! Image
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Cris a 30.07.2015

Tu já viste o meu telemóvel e é daqueles simples, sem wi-fi. A ti mete-te confusão, a mim irrita-me. De repente, parece que só estão de corpo presente, porque a mente está noutro sítio qualquer. Que raio de sociedade se está a construir?
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Magda L Pais a 30.07.2015

o "problema" é que, mesmo com os telemóveis mais antigos (como o teu e o da minha tia), há quem se consiga abstrair do que está à volta e só se preocupe com o dito

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