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Inversão de papéis

por Magda L Pais, em 27.06.18

Lembro-me, em criança, que adorava ir ao emprego dos meus pais. Lembro-me do meu pai me ir buscar à escola e de ficar com ele no balcão do banco

(e de dizer aos colegas dele que nunca iria trabalhar no Banco Totta & Açores… como que para se rir de mim, ditou o destino que começasse a trabalhar nesse mesmo banco aos 20 anos, e ainda cá estou, com muito orgulho)

Enquanto ele acabava isto ou aquilo antes de irmos para casa.

Ou de quando a minha mãe começou a trabalhar, pertinho de casa, e eu ia lá buscar isto ou aquilo.

Era uma criança e era uma grande alegria para mim visitar o mundo dos adultos, onde os meus pais passavam o tempo que não estavam em casa connosco.

(talvez por isso, quando fui mãe, fiz questão de também levar os meus filhos ao meu local de trabalho, para saibam onde estou quando não estou em casa)

Lembro-me, em criança, de dar a mão ao meu pai ou a minha mãe. De serem eles (mais a minha mãe, sem dúvida) a irem comigo ao médico, a preocuparem-se com a minha saúde

(ainda hoje isso acontece, afinal os filhos são sempre nossos filhos e as preocupações com eles não acabam, só mudam)

Nos últimos tempos os papéis inverteram-se. A saúde do meu pai está cada vez mais fragilizada, e agora sou eu (ou as minhas irmãs) que o acompanhamos ao médico ou às urgências do hospital quando é necessário. Ontem foi ele que me deu mão para o ajudar a caminhar até ao médico e foi ele que veio almoçar comigo ao meu local de trabalho.

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(e o orgulho que senti porque, quase 17 anos depois dele se ter reformado, ainda houve quem o conhecesse?)

De filhos passamos a pais dos nossos pais, invertem-se os papéis e, se um dia foram eles que cuidaram de nós, passamos a ser nós a ter de cuidar deles. Não é fácil, seguramente que não, mas é o natural, o que devemos fazer, o que eles – os nossos pais – merecem que façamos por eles.

A minha tia Lucília morreu. Depois de anos a lutar contra o cancro, aconteceu o inevitável. A semana passada morreu. E morreu como viveu, com a família por perto.

Assistiu ao meu parto, estava lá quando a minha mãe disse à enfermeira que não queria que eu nascesse e ela lhe respondeu que devia ter pensado nisso nove meses antes e que agora eu ia mesmo nascer. A primeira vez que respirei, ela estava ao pé de mim. 47 anos e mais uns meses depois, os papeis inverteram-se. Estava ao lado dela quando ela respirou pela última vez.

E a mulher que – em acesa disputa com a minha avó – era uma segunda mãe, morreu fisicamente mas continua viva em todas as lembranças. Porque aqueles que amamos só morrem quando deles nos esquecemos.

E o orgulho imenso que senti (e sinto) pela forma como os amigos dela - presidente da república incluído - a homenagearam nos dois jornais por onde passou? (podem ler aquiaquiaquiaqui e ainda aqui e aqui)

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A vida em família é, permanentemente, uma inversão de papéis. Cuidamos de quem cuidou de nós e esperamos que, um dia, de quem nós cuidámos possa cuidar de nós. A lei do retorno. O bumerangue, que nos dá o que nós damos aos outros.

E só assim faz sentido.

 

Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?

Conhecem o meu blog sobre livros?

 

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Nós por cá, tudo bem #5

por Magda L Pais, em 21.09.17

Um destes dias, a meio da manhã, um sms da minha filha:

 

Tenho de ir ao hospital

obviamente liguei-lhe logo a saber o que se passava, ao que ela me respondeu (a rir às gargalhadas):

 

mãe, quando fecho os olhos não vejo nada!

 

(mas porquê???? porque é que não somos mais normais lá em casa???)

 

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Anatomia dum fim de semana

por Magda L Pais, em 14.09.17

Não sendo este um blog de viagens, apetece-me divagar sobre o passeio que demos no passado fim de semana, em jeito de encerramento do verão. Como é a minha primeira experiência num relato de viagens, espero que não seja uma grande seca (que para seca já basta o tempo).

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Inicialmente estava previsto que a semana fosse passada no norte, em passeio pelos caminhos de Portugal, para vermos coisas lindas, num mundo sem igual (ler com entoação de música pimba). No fim acabamos por ir apenas três dias para Reguengos de Monsaraz. Tudo igual, portanto…

A nossa primeira ideia era levar as nossas cadelas para passarem estes dias connosco. E a Casa de Campo Quinta São Jorge disponibilizou-se a recebê-las tão bem como nos iria receber a nós. Só que acabamos por decidir deixa-las no Hotel Canino São Macário porque a maioria dos restaurantes na zona não tem esplanada e não aceitam animais no interior.

Portanto, sexta-feira lá fomos levar as patudas ao hotel delas e lá seguimos nós para o nosso passeio. Chegamos à casa de campo por volta das 16h e resolvemos logo ficar na piscina.

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Pudera, com uma vista destas, uma piscina destas e com calorzinho, nem pensar em sair dali.

Sexta à noite

O jantar foi num excelente restaurante com um nome sugestivo. Plano B. E foi mesmo a segunda escolha porque, pelos vistos, em Setembro são muitos os restaurantes que fazem férias. Mas foi uma segunda escolha a valer por uma primeira. Começou aqui uma desgraça gastronómica que durou todo o fim de semana. Uma entrada de azeite com alho e coentros para se molhar o pão que era guloso como convém. Porco preto com um sabor delicioso. Uma barrigada de comida da boa.

À noite demos um passeio até ao Observatório do Lago do Alqueva mas acabamos por não fazer a visita guiada porque a Lua nasceu cedo demais para se conseguir ver as estrelas como deve ser. Combinamos lá voltar no sábado à noite porque a Lua iria nascer quinze minutos mais tarde, o que facilitaria.

Regressamos aos quartos (espaçosos, muito limpos e asseados, com garrafas de água gratuitas no minibar) para dormir uma noite descansada. Apesar do meu quarto estar perto da estrada e da entrada, confesso que não ouvi absolutamente nada durante a noite.

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Sábado

Acordamos cedinho e tivemos uma pequena desilusão. Nuvens a ameaçar chuva e um vento desagradável…  lá se foi a nossa intenção de piscinar de manhã e ir à praia fluvial à tarde…

De qualquer maneira nada como começar o dia com um bom pequeno-almoço, e não saímos defraudados do pequeno-almoço incluído na estadia. Pão alentejano do melhor, uma marmelada de figo de comer e chorar por mais. Tudo à descrição e uma vista fabulosa.

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Aqui gostaria de vos contar uma história que confirma que o mundo é uma aldeia. Quando começamos a servir-nos, uma outra hóspede virou-se para o meu marido e perguntou-lhe: olhe desculpe, mas não é o Miguel, o marido da Magda? Claro que me virei logo para ela e disse que sim, e que a Magda era eu. Espanto dos espantos, era uma amiga minha que já não via há quase 17 anos. Deixamos de conviver por uma situação estranha a que ambas fomos alheias e perdemos completamente o contacto, e acabamos por nos rever ali.

Adiante.

Passamos na praia fluvial e depois, durante a manhã, visitamos algumas antas, cromeleques e menires. O Obélix não apareceu, o que foi uma pena, pelo que deixamos tudo no mesmo sítio.

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A manhã terminou na barragem do Alqueva, com uma paisagem a perder de vista (e água, muita água, apesar da seca).

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Aceleramos o passo, que é como quem diz, que fizemos mais ou menos uma hora de viagem para irmos almoçar ao Restaurante A Maria no Alandroal. A primeira vez que lá fui, foi com os meus sogros e foi a primeira vez que comi cabeça de xara. Infelizmente desta vez não havia, mas, em compensação, havia um cabrito assado no forno que estava divinal e as melhores farófias que alguma vez comi num restaurante (que, obviamente, não se chegam aos calcanhares daquelas que a minha mãe faz).

Na viagem de regresso a Reguengos, demos com um trabalho do Vhils.

(cliquem na seta para verem todas as fotos) 

E encontramos as vacas que dão leite com chocolate… 

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Durante a tarde fomos passear em Monsaraz. Um espectáculo de vista, um espectáculo de aldeia. Muito bonita, muito limpa mas, honestamente, 75 cêntimos por um café ou € 1,40 por um rebuçado de ovo é, quanto a mim, abusar da sorte.

Lanchamos em Barrancos, no meio do pinhal, presunto e pão acabadinho de comprar.

O jantar de sábado acabou por ser no Restaurante Sem Fim. Entrecosto com mel e alecrim e melancia para terminar que já estava muitooooo cheia. Um espaço muito agradável e muita simpatia dos empregados.

Estava previsto irmos ao Observatório do Lago do Alqueva nesta noite mas o vento e o frio acabaram por nos fazer recolher ao hotel mais cedo para mais uma noite de descanso.

Domingo

Mais uma vez acordamos cedinho, até porque era o último dia e queríamos arrumar as coisas e sair de hotel para depois passearmos na zona já que o almoço estava marcado para o Sabores de Monsaraz.

A manhã acordou mais bem-disposta que na véspera, e o pequeno-almoço, mais uma vez, foi um must. Acho que vou ter saudades da marmelada de figo…

Depois de tudo arrumado, checkout feito, fomos beber um café à praia fluvial, passear até Espanha, Aldeia da Luz, e visitamos mais um menir. Tentei mudá-lo de sítio mas parece que o pequeno-almoço não foi suficiente (e o Obélix sem aparecer!).

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Ao almoço… salada de queijo fresco (a única comida saudável e dietética que comi durante todo o fim de semana) e migas gatas com bacalhau e coentros. A vista a perder de vista, um espaço agradabilíssimo e empregados atenciosos.

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Após o almoço o regresso a casa, com um pequeno desvio para que os meus filhos conhecessem Casa Branca e Cano, as aldeias onde nasceram os avós paternos.

Custos

Duas noites com pequeno-almoço incluído na Casa de Campo Quinta São Jorge custaram 202,00 para cinco pessoas, um quarto duplo e outro triplo, o que deu uma média de € 20 euros por pessoa, por noite. As refeições variaram entre os 75 euros (no Plano B) e os 102 euros (n’A Maria). As bebidas incluídas foram apenas água e sumos e nem todos comemos sobremesas.

Contras

Esta zona é muito fraca em telecomunicações. Passamos por diversos sítios em que não havia rede de nenhuma das operadoras (Meo, Vodafone ou Nos). Internet, em muitos sítios, era um mito urbano.

As fotos

Cliquem na setinha para verem algumas das fotos que tiramos.

 (quem é que conseguiria resistir a comida tão boa?)

(detalhes da casa de campo onde estivemos hospedados)


Se tiveram paciência de chegar até aqui... já participaram neste Passatempo?

e esta sou eu em versão fim de semana

 

 

 

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Avô é pai com açúcar*

por Magda L Pais, em 10.02.17

Passei parte da minha infância e adolescência com os meus avós maternos. A casa deles era quase na mesma rua da casa dos meus pais, e sempre que eles estavam a trabalhar, eu ia para casa dos meus avós. Ele, o meu avô Manuel, era o meu herói. A paciência que ele tinha para a rezingona da minha avó (eu tinha de sair a alguém, certo?) era notável. O amor que ele punha nas torradas que fazia para as netas e para o neto fazia com que nos empanturrássemos sempre que ele estava em casa (isto quando ele não saia, a meio da tarde, para ir a casa dos meus pais levar-nos torradas acabadinhas de fazer para o nosso lanche). Cozinhava que era uma delícia (era o amor que punha em tudo quanto fazia que tornava tudo ainda melhor).

A minha avó Alcide era a matr(i)aca da família. Sempre a resmungar (ou melhor, só o fazia por duas razões – por tudo e por nada). Nada estava bem, nada prestava e estava sempre mais doente que os outros. Imensos defeitos, numa pessoa que nos amava acima de tudo e para quem, a melhor coisa que podia acontecer, era os netos estarem lá em casa (de preferência enfiados na cama dela a fazer-lhe companhia enquanto resmungava com a televisão). E era por esses defeitos que os netos lhe retribuíam o amor na mesma medida que ela nos dava.

“Lá está o advogado de defesa” era a frase mais ouvida naquela pequena casa, quando a ti Alcide resmungava connosco e o ti Manuel nos defendia. Nós riamos e sabíamos que era quase impossível sermos mais amados que ali, onde tudo era à nossa medida, abraços, carinhos e resmunguice incluídos.

E sou quem sou e como sou precisamente por isso. Porque os meus avós fizeram parte integrante da minha infância e adolescência. Porque quero sempre ser melhor para que eles continuem a ter orgulho em mim, estejam eles onde estiverem.

Só tenho de lhes agradecer também por isso.

(e por me terem dado a melhor história de amor que conheci)

 

*(in Arroz de Palma de Francisco Azevedo)

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Nós por cá, tudo bem #4

por Magda L Pais, em 22.06.16

Pedi à minha filha que me metesse creme nos pés.

E ela meteu:

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(a culpa é minha, eu sei!)

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Tradições de Natal

por Magda L Pais, em 16.12.15

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Sou fã incondicional do Natal. Para mim haveria Natal duas ou três vezes por ano. Não para estar com a família, felizmente pertenço a uma família que só se junta por duas razões - por tudo e por nada - mas por tudo o que o rodeia: as músicas, os doces, a árvore de Natal... Adoro tudo, mas mesmo tudo o que diz respeito ao Natal.

Nós levamos o Natal à séria, e por nós, leia-se toda a família.

Em finais de Outubro começamos a trocar emails entre todos para se combinar as prendas - hoje em dia só a geração mais nova recebe presentes. Pais, tios, avós e tios-avós juntam-se para comprar as prendas que os mais novos querem. Deixamos que escolham o que querem (se já o conseguirem fazer) e depois todos entram na prenda de todos. Acabamos por conseguir oferecer prendas melhores do que se as déssemos individualmente e os miúdos ficam todos contentes por terem o que efectivamente querem. Para os mais velhos, cada um compra um presente unissexo, de um valor fixo que depois é sorteado na noite de Natal.

Normalmente gosto de ir comprar as prendas das crianças. Mas este ano acabei por ter de passar a tarefa à minha irmã mais nova. Em meados de Novembro já as prendas estão compradas, embrulhadas e guardadas.

No dia 24 começamos cedo. Por volta das 10h já estamos em movimento, o Natal não é só jantarmos juntos. É fazermos tudo juntos - as filhoses, os doces, os patés, o bacalhau. Fazendo tudo em conjunto acaba por ser mais fácil e divertimo-nos muito mais. Como eu detesto cozinhar, deixo essa parte a quem sabe, mas claro que as filhoses são as da tia. O doce de grão é da mãe. Conseguem adivinhar o que faço eu? controlo de qualidade, pois claro. Provo tudo para desespero das cozinheiras. Mas sem esse controlo... como é que podiam saber que estava bem feito? obviamente que o meu papel é fundamental.

E stresso toda a gente. Mais não seja porque ando atrás do pessoal a comer, ai, perdão, a provar as coisas. Se reclamam... eu começo armada em burro do Shreck e grito: Sou um burro stressado!!! as risadas que se seguem valem tanto a pena!

À mesa, e enquanto jantamos, há sempre lugar a cantorias de Natal. Sim, eu, que tenho uma excelente voz para escrever à máquina, canto imenso na noite de Natal. Seguem-se as prendas - e não, não esperamos pela meia noite. Arrumamos a cozinha, bolos e doces na mesa e pronto, venham as prendas. Há sempre um pai Natal ou uma mãe Natal a fazer a entrega e a fazer o sorteio. Aos poucos, primeiro os miúdos depois o sorteio e assim nos vamos entretendo.

Apesar de sermos muitos, faltam-nos quatro pessoas. Os meus avós e os pais do meu tio. Acredito que estão por lá em todos os pensamentos, mas falta-nos a presença física. O que me leva a contar-vos uma história para terminar.

A minha avó era fã incondicional de chocolates Mercy. Todos os anos, no Natal, fazia questão que tivéssemos uma embalagem desses chocolates em casa. Lembro-me de, num determinado Natal, o raio dos chocolates estavam esgotados em quase todos os lados e eu tive de ir a vários hipermercados à procura até que acabei por encontrar uma embalagem das pequenas.

Essa memória é recordada todos os anos. Infelizmente a minha velhota já morreu mas os chocolates Mercy estão sempre presentes na noite de Natal. Mesmo que ninguém os coma, a caixa está lá.

E vocês, quais as vossas tradições de Natal?

 

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Sabes que estás na família certa...

por Magda L Pais, em 05.11.15

... quando mandas um sms a 35 pessoas, entre primos, primas, tias, tios, mães, pais, cunhadas e amigos a dizer que o rapazola está a recuperar como previsto mas que se sente como se tivesse sido atropelado por vários camiões e a resposta, de um dos primos, é:

deviam proibir a circulação de pesados nos hospitais! Francamente!

 

Ou quando dizes que o rapaz não come nem bebe desde a véspera da operação e a resposta é:

Não há direito: espetar-lhe a faca ainda vá, mas não lhe darem de comer?...

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Nós por cá, tudo bem #3 (ou o café)

por Magda L Pais, em 07.10.15

Apeteceu-me um café depois da refeição.  E pedi à minha gaiata:

Dás-me um café, por favor?

E ela deu-me. Uma cápsula da nespresso...

Depois de me rir, esclareci:

Com água! com água!

e foi isto que me foi dado:

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(eu mereço! eu mereço!)

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Nós por cá, tudo bem #3

por Magda L Pais, em 08.07.15

E de repente, assim do nada, ouço três pessoas aos gritos lá em casa:

foge, a casa está a arder!

dizia um

é um apocalipse zombie

dizia o outro

fujaaaammmm

dizia o terceiro

 

Sarapantada levantei os olhos do livro que estou a ler e vejo os três - marido e filhos - a rir à gargalhada e lá me explicam que estavam a chamar-me à imenso tempo e que eu não lhes liguei nenhuma...

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Ser ou não ser (mãe)

por Magda L Pais, em 26.06.15

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Eu sempre disse que queria ser mãe. Até estipulei um prazo - até aos 30 tenho de ter o meu primeiro filho. E disse isto desde os meus 17/18 anos. Quando me divorciei do meu primeiro marido, aos 23 anos, continuei a dizer a mesma coisa. E quando me perguntavam como ia fazer se estava sozinha, eu respondia - aos 30 vou ter o primeiro filho. Se estiver junta com alguém, muito bem. Se não estiver, lanço-me na produção independente. Sim, essa era a minha decisão bem definida. Alguma coisa se haveria de arranjar. E arranjou-se :) namorei, juntei-me e quando fiz 31 anos estava grávida da minha filha. Dois anos depois nasceu o meu filho.

Apesar disso, apesar de sempre ter querido ser mãe, a verdade é que não é como mãe que me sinto realizada. É como Magda - a mulher que trabalha, lê, arrisca umas escritas num blog, é filha, é mãe, casada, tem amigos, etc e tal. Tudo o que sou e faço faz de mim uma pessoa realizada e não necessariamente pela ordem que indiquei. Ter filhos é uma parte da realização mas não é A realização. Amo imenso os meus filhos, quem visita o meu blog sabe o orgulho que tenho neles mas não é por causa deles que me sinto realizada. É por ser tudo o que sou, por tudo o que faço, maternidade incluída.

Acho, acredito, que, apesar de sempre ter querido ser mãe, me sentiria realizada tanto quanto me sinto hoje se não os tivesse. Não da mesma forma, mas também realizada. Poderia ter sido opção não os ter. Mas nunca a considerei. Apesar de haver imensas coisas que não fiz por causa deles, a verdade é que também houve coisas que só fiz por causa deles. E há sentimentos que só quem é mãe consegue sentir e perceber e dos quais não saberia prescindir.

No entanto esta foi a minha opção - ser mãe. Não percebo, por isso, que haja quem critique as mulheres que optaram por não ter filhos. As opções que tomamos - sejam lá elas quais forem - são exactamente isso: as nossas opções. Por isso temos de tomar aquelas que nos realizam e não aquelas que a sociedade espera que tomemos. E sermos felizes com elas. Como eu sou por ter optado por ter os meus filhos.

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Estou na sala e chega a minha filha com o último ovo mole na mão e um ar triste. E diz-me:

oh mãe, estou farta de ouvir este estar a chorar no frigorifico porque comeste os outros e a ele abandonaste-o ao frio, sozinho, sem os irmãos... Importas-te de o comer para a cozinha ficar em silêncio?

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Nós por cá, tudo bem #1

por Magda L Pais, em 31.05.15

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Hoje ouvi uma conversa entre a minha filha e um amigo. Dizia o rapaz que tinha de ir apanhar ar. Responde-lhe a minha filha:

Vou dar-te a resposta que sei que a minha mãe te daria. Pega ali num frasquinho, vai à janela e mete o ar lá dentro. Depois fechas o frasquinho e ficas com esse ar só para ti.

(o rapaz deve ter ficado a pensar coisas boas de mim, deve...)

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Domingo em imagens

por Magda L Pais, em 13.04.15

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 Sericaia. Doce tradicional de Elvas. Eu adoro!!!!

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 Tarte de amêndoa. De comer e chorar por mais.

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 E no regresso... as Bifanas de Vendas Novas! não há igual.

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Amor de cão

por Magda L Pais, em 07.04.15

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Depois da história sobre os Cães reúnem-se no velório de mulher que os alimentava, venho contar-vos a história do cão que o meu bisavô tinha e que me foi contada à momentos pela minha tia Lucilia.

O pai da minha avó materna, o meu bisavô João, tinha um cão rafeiro. Quando morreu, o cão ficou, com as pessoas, no velório, o tempo todo sem sair da sala. A seguir ao funeral, o cão desapareceu e ninguém o encontrou.

Duas semanas mais tarde, quando a minha bisavó foi ao cemitério por flores na encontrou o cão. Morto. Em cima da campa do meu bisavô.

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Eu, pelos meus filhos

por Magda L Pais, em 18.03.15

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Desta vez um desafio diferente. E uma aprendizagem. A Just Mom encontrou esta imagem e fez estas perguntas às filhas. E eu achei engraçado e resolvi colocar as mesmas questões aos meus dois filhos para ver o que é que eles sabem sobre mim. Ficam aqui as perguntas, em português e as respostas de ambos (se bem que a gaiata resolveu responder-me também em inglês, obrigando-me a traduzir…).

  1. O que é que a tua mãe te diz sempre?

Ela – a mãe diz sempre que vai estar sempre comigo, aconteça o que acontecer e que me apoiará sempre.

Ele – Porta-te bem!

  1. O que faz a tua mãe feliz?

Ela – Quando está em casa a ler um livro ou com a família

Ele – Comida

  1. O que faz a tua mãe triste?

Ela – Quando eu ou o meu irmão temos más notas ou nos portamos mal

Ele – Não sei

  1. O que faz a tua mãe rir?

Ela – não sei, penso que algumas coisa que ela faz

Ele – Piadas

  1. Como era a tua mãe enquanto criança?

Ela – Provavelmente muito faladora

Ele – Não sei

  1. Que idade tem a tua mãe?

Ele e ela – 45 anos

  1. Que altura tem a tua mãe?

Ela – 1m74cm

Ele – 1m72cm

  1. Qual é a coisa que a tua mãe mais gosta de fazer?

Ela – Ler livros. Comprar livros. Ver livros. Livros.

Ele – Passear

  1. O que faz a tua mãe quando não estás?

Ela – Se eu não estou, como é que é suposto saber o que ela faz?

Ele – Não sei

  1. Se a tua mãe ficar famosa, vai ser porquê?

Ela – Escrever

Ele – Livros

  1. Em que é que a tua mãe é mesmo boa?

Ela – Ser ela própria (mais ninguém consegue)

Ele – A ler livros

  1. Em que é que a tua mãe não é nada boa?

Ela – Não ser ela própria. E mentir.

Ele – Jogar Call of Duty

  1. Qual é o emprego da tua mãe?

Ela – Trabalha num banco

Ele – Contas

  1. Qual é a comida favorita da tua mãe?

Ela – Não tenho ideia

Ele – Há tantas

  1. O que te faz ter orgulho na tua mãe?

Ela – Tenho muito orgulho em ser filha dela porque ela é incrível

Ele – Simpatia

  1. Se a tua mãe fosse um desenho animado, qual seria?

Ela – Não há nenhum desenho animado como ela

Ele – Não sei, não vejo cartoons

  1. O que é que fazes em conjunto com a tua mãe?

Ela – Várias coisas, como compras, falar sobre livros ou ver televisão

Ele – Passear, ver televisão, jantar

  1. Em que é que és parecido com a tua mãe?

Ela – Na personalidade não sou nada parecida com a mãe. Mas fisicamente somos quase iguais

Ele – Não sei

  1. Em que é que és diferente da tua mãe?

Ela – A mãe adora falar com pessoas e eu sou bastante tímida

Ele – Não sei

  1. Como é que sabes que a tua mãe te ama?

Ela – Porque me aceita como sou e ajudou-me a passar por alguns maus bocados

Ele – Porque é a minha mãe

  1. Qual é o sítio preferido da tua mãe?

Ela – Uma livraria, acho.

Ele – É capaz de ser Sesimbra

 

(Ela tem 13 anos, ele tem 11). 

Ah. A minha altura é 1.74m e a minha comida favorita são maranhos (infelizmente como muito pouco porque não há em Lisboa, e para comer bons maranhos é preciso ir até à Sertã)

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