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Uma paixão chamada livros #4

por Magda L Pais, em 04.05.15

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Já conheceram o meu livro favorito, o livro detestado e livro subvalorizado. Hoje vou falar naquele que acho que é: 

Livro sobrevalorizado

Hesito nesta resposta. E hesito porque, num caso tentei ler o livro, mas no outro não. 

Comecemos por aquele de que só li excertos. A trilogia Cinquenta Sombras de Grey de Erika Leonard James. Sinceramente não consigo perceber - nem de perto nem de longe - o fenómeno à sua volta. Para além da clara violência psicológica e das cenas pornográficas (ainda por cima pouco originais e mal descritas), o que li não me inspira. E antes que me acusem de ser pudica, deixem-me dizer-vos que leio com toda a naturalidade cenas de sexo em vários livros e que algumas estão bastante bem (d)escritas. Não é este caso.

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Mas há ainda o livro que tentei ler. Falo do 2666 de Roberto Bolaño. Eu tentei, juro que tentei. Ouvi falar tão bem dele que tentei. E não passei das primeiras 75 páginas... achei-o confuso, sem sentido e sem nexo. Admito que haja quem tenha gostado e que o considere excepcional. Não foi o meu caso.

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E agora dêem lá um pulinho ao blog da M* que me acompanha neste desafio que começou a 1 de Maio e que dura 45 dias seguidos. Vamos partilhar gostos e experiências sobre o mundo dos livros e, ao mesmo tempo, pensar e a reflectir sobre os livros que já lemos.

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45 comentários

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Sara a 04.05.2015

Claro que uma coisa é a violência dentro de um contexto, outra é romantizar a violência...Também já me chamaram pudica por causa disto. Na verdade estes livros não têm nada de moderno pois só reforçam a submissão feminina que vigorou durante séculos, além disso as pessoas falam de cor: aquilo não tem bondage nenhuma.
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Magda L Pais a 04.05.2015

como diz o Miguel aqui noutro comentário, este livro parece que serviu mais para tirar esqueletos do armário que outra coisa. Eu confesso que me fez muita confusão algumas das partes que li por ai espalhadas. Já li vários livros com cenas de sexo (Nora Roberts/JDRoob é perita nessas andanças) e conseguem-se ler sem dar vontade de dar um tabefe a uma das personagens. Que foi a vontade que tive nas poucas partes que li das 50 sombras
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Sara a 04.05.2015

Eu no início pensei que era apenas mais um livro mau, mas depois tb comecei a ler algumas coisas e fiquei tipo wtf?! Não tenho qualquer problema com bondage, mas aquilo não é - aquilo é abuso. Se calhar eu tb devia arranjar um namorado psicopata xD
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Sara a 04.05.2015

Já ouvi falar....Também tem psicopatas destes?
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Magda L Pais a 04.05.2015

ora, pois que não.
Esta colecção pertence à literatura de fantasia. parte da sociedade está dividida pelas suas preferências sexuais e a personagem principal pertence à casta (parece-me o nome mais lógico) dos que são masoquistas em último grau. Ao longo de todo o livro ficamos a conhecer várias práticas de bondage, sadomasoquismo, etc. Mas tudo com contratos, acordos, palavras secretas, etc e com muito mas mesmo muito respeito entre as partes
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Sara a 04.05.2015

Claro...Não há mal nenhum em tais práticas. Simplesmente aquilo que é tratado nas sombras é abuso e não bondage - também se pode escrever sobre violência doméstica sem colorir aquilo com romantismo, que acho que é o problema deste livro.
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Magda L Pais a 04.05.2015

ora ai está. Eu comparei os dois livros. O Dardo que li na integra (são dois volumes) e as partes que li das Sombras. O dardo ganha em todos os aspectos precisamente porque não romanceia a coisa. é assim porque ela é assim mas apesar de o ser, há respeito entre os dois praticantes. coisa que não vi nas poucas partes que li das sombras
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Sara a 04.05.2015

Exacto...Num dos meus livros favoritos (a servidão humana) o protagonista envolve-se numa relação abusiva - mas em nenhum momento se refere que essa situação é romântica ou é a melhor. Ainda por cima acabam casados ou o que é - se uma pessoa casa com um tipo daqueles na vida real vai acabar sete palmos debaixo da terra.
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Magda L Pais a 04.05.2015

sim, essa do casamento também é estranha. Então com tanto abuso e depois casa-se? não faz sentido
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Sara a 04.05.2015

O problema é que na vida real para algumas mulheres parece fazer todo o sentido..
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Magda L Pais a 04.05.2015

é isso que me assusta no sucesso que o livro tem.. como é que alguém pode achar romântico e que faça sentido uma situação dessas?
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Sara a 05.05.2015

Também há quem diga que não tem mal nenhum, que ela diz que sim logo não tem mal e que é apenas um livro...Perturbador realmente.
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Magda L Pais a 05.05.2015

apenas um livro? ...
mesmo que ela diga que sim, há coisas que um sim não justifica
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Sara a 05.05.2015

Pois, acho que as pessoas que gostam de ler sabem o poder que um livro tem para o bem ou para o mal...Não devia justificar mas há quem julgue que sim: uma mulher que vive anos numa situação de violência domestica consente e no entanto isso não justifica a situação....Ao menos este livro serviu para mostrar as ideias estranhas de algumas cabeças!

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